Nos últimos tempos, Pedro Passos Coelho tem regressado lentamente à esfera política. E as suas intervenções públicas acabam sempre por suscitar muitas reações... tanto da parte dos seus apoiantes, como daqueles que não gostam do antigo primeiro-ministro.
Luís Osório escreveu esta semana sobre Passos Coelho em 'Figura do Dia', a coluna que escreve no 'Diário de Notícias'. "Sempre que Pedro Passos Coelho fala o mundo não pula e avança. Normalmente, acontece o contrário, o mundo político trava e fica na expetativa. É um inegável poder, o de desencadear reações com o que diz ou com o que prefere deixar em silêncio", realça o conhecido escritor.
E continua: "Poucas pessoas foram capazes de tal 'magistratura' de influência, talvez Cavaco nos anos em que viveu no Possolo, depois de sair de São Bento e antes de entrar em Belém. Não o conheço bem, mas tenho apreço por Passos Coelho" sublinha Osório, prosseguindo: "É um homem singular, obsessivo e providencialista. Acredita que tem um destino e que o vai cumprir, o de ser o artífice de uma verdadeira mudança no país, uma revolução que altere os paradigmas da economia e da sociedade. Uma revolução que está em marcha alavancada por uma maioria de toda a direita, que incluirá André Ventura e o seu bando."
O também jornalista considera que Passos Coelho "tem feito caminho e mantém-se à tona. Por estas horas falou sobre a errada nomeação do MAI [Ministério da Administração Interna] e revelou a sua impaciência com o tempo que o governo está a gastar para provar algum ímpeto reformista." E acrescenta: "Passos Coelho é uma permanente “dor de burro” para o Primeiro-Ministro, mas há qualquer coisa que nele não bate certo – no que diz, no modo como o diz, revela uma negatividade que não era a sua marca quando conquistou o poder. Podíamos discutir as ideias, mas existia sonho e futuro."
E termina: "Hoje, sempre que abre a boca é para iluminar as sombras que vê, nunca da luz que deseja. Passos é um Darth Vader quando antes usava uma espada de Jedi. Faz toda a diferença pois sabemos como o filme termina. É utópico desejar que Passos Coelho regresse à luz?"