Achou que tinha vencido a batalha contra um cancro na próstata quando começou a ficar ora descontrolado e irascível, ora prostrado e sem forças. Esteve neste limbo dois anos... até que um médico descobriu em três semanas que tinha um cancro no pâncreas. Viveu um inferno longe dos holofotes. Esteve hospitalizado durante ano e meio, ao longo de dois. Desses, cinco meses foram nos Cuidados Intensivos, muitas vezes amarrado à cama. Foi operado 12 vezes, "cortado às postas", como ainda consegue relatar com algum humor, gabando-se de ter sido um paciente "rebelde". Voltou ao trabalho à frente da FLAD em agosto de 2024, mas agora a saúde impede-o de continuar. O político PSD que na juventude foi boxer e também consumiu drogas volta para casa. Tem o sonho de escrever as suas memórias hospitalares. Talvez agora o faça.
Quando a mulher subiu ao púlpito para lhe dizer “amo-te”, Luís Marques Mendes deixou ver o homem por detrás do político. Da advocacia aos corredores do poder, do comentário político em horário nobre à candidatura presidencial, o candidato da AD construiu um percurso feito de escolhas difíceis, riscos assumidos, mesmo quando isso o obrigou a estar mais afastado da família e dos filhos.
Barómetro da Intercampus coloca André Ventura e Marques Mendes em primeiro e segundo lugar nas intenções de voto. Porém, há 20% de indecisos, que podem mudar tudo.
Aos 14 anos, virou-se para a fé, entrou no Seminário e, não fossem as mulheres, talvez hoje André Ventura estivesse a pregar outro tipo de sermões. Da religião, saltaria para o curso de Direito, foi comentador de futebol até que em 2019 fundou o Chega, que mudaria toda a sua vida. Pelas suas posições políticas, passou a andar em permanência com pelo menos dois guarda-costas, afastou a mulher da esfera mediática para a proteger e adiou a decisão de ter filhos por questões de segurança. No entanto, admite que por vezes se sente a sacrificar em demasia o lado pessoal, já tendo falhado momentos importantes. A mãe é quem lhe dá os puxões de orelhas.
Depois da recente queixa por alegada difamação do antigo deputado do PSD Joaquim Pinto Moreira, o candidato à Presidência da República deverá agora também responder em tribunal por causa dos polémicos cartazes do Chega sobre o Bangladesh e a comunidade cigana.