Eulália Silva, a mulher de 48 anos que se encontra em prisão preventiva pela morte da enteada, Lara, de apenas oito anos, foi alegadamente agredida por outras reclusas poucos dias depois de deixar o regime de isolamento e passar para uma cela comum na cadeia feminina de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos.
Segundo o Correio da Manhã, a transferência para junto da restante população prisional aconteceu a pedido da própria. No entanto, menos de 24 horas depois, Eulália deu entrada na enfermaria do estabelecimento prisional com vários ferimentos compatíveis com agressões.
Apesar de não ter sido necessário o seu transporte para uma unidade hospitalar, a mulher continua a receber cuidados médicos na prisão. O incidente está agora a ser investigado pelas autoridades prisionais, que abriram um processo de averiguações para apurar o que aconteceu.
De acordo com fontes ligadas ao sistema prisional, a alegada agressão poderá estar relacionada com o chamado "código de honra" existente entre alguns reclusos, que rejeitam quem está acusado ou condenado por crimes contra crianças.
O caso remonta ao passado dia 17 de junho e deixou o País em choque. Lara, de oito anos, desapareceu depois de ter sido levada da escola pela madrasta. O corpo seria encontrado horas mais tarde na Serra da Padrela, no concelho de Vila Pouca de Aguiar.
No primeiro interrogatório judicial, Eulália Silva assumiu ter levado a menina para a serra, mas garantiu não se recordar de tudo o que aconteceu. Entre lágrimas, afirmou que entrou em pânico depois da morte da criança e acabou por fugir. "Não estava em mim. A Lara não merecia o que aconteceu", declarou perante a juíza, alegando ainda que vivia um ambiente de violência doméstica e que pretendia apenas assustar a enteada para chamar a atenção do companheiro.
A versão apresentada pela arguida não convenceu o tribunal. O Ministério Público sustenta que existem fortes indícios de que a criança morreu por asfixia antes de o corpo ser abandonado na serra e acusa Eulália Silva dos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A mulher permanece em prisão preventiva enquanto decorre a investigação.