Ricardo Quaresma, 42 anos de idade, entrou oficialmente na corrida presidencial, ainda que fora dos relvados. O antigo internacional português manifestou publicamente o seu apoio a António José Seguro, passando a integrar a Comissão de Honra da candidatura do ex-secretário-geral socialista à Presidência da República.
A tomada de posição do antigo jogador da Seleção Nacional ganha particular relevo no atual contexto político. Ricardo Quaresma, que pertence à etnia cigana, surge assim ao lado de António José Seguro, adversário direto de André Ventura, líder do Chega, conhecido pelas suas posições críticas e polémicas em relação à comunidade cigana.
Numa declaração partilhada no âmbito da candidatura, Quaresma explicou as razões do seu apoio com palavras carregadas de simbolismo: “Por Portugal, nunca virei a cara à luta. Sei reconhecer quem não desiste do País nem das pessoas. Quero estar do lado certo da História. Por isso, estou com o António José Seguro”.
O gesto do antigo futebolista surge numa fase decisiva da corrida a Belém. As mais recentes projeções e leituras políticas apontam António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista, e André Ventura, candidato do Chega, como os dois nomes mais bem posicionados para garantirem um lugar na segunda volta das eleições presidenciais. Neste cenário, cada apoio público ganha peso acrescido, sobretudo quando vem de figuras populares junto do grande público.
Ricardo Quaresma, um dos jogadores mais carismáticos da sua geração, sempre manteve uma relação próxima com temas ligados à identidade, inclusão e igualdade, tornando o seu envolvimento político particularmente simbólico. Ao associar-se à candidatura de António José Seguro, o antigo extremo não só assume uma posição clara no tabuleiro político, como também reforça uma mensagem de oposição às mensagens que, nos últimos anos, têm dividido a socidade portuguesa e marcado o debate público.