Qualquer texto sobre a polémica com Cristina Ferreira deve começar com um voto de solidariedade e empatia humana para com a vítima de uma violação coletiva. Há coisas na vida muito mais importantes que a televisão, e isso nunca deve ser esquecido.
Perante o horror vivido por aquela jovem de 16 anos, tudo o mais é profundamente secundário. Também os pais dela vivem certamente uma dor atroz, e a polémica pública provocada por Cristina Ferreira só agrava o sofrimento de todos. Isto era o que a apresentadora devia ter dito de imediato, assim que se apercebeu das frases desastradas que proferiu.
Creio que ninguém imaginará sequer que a profissional da TVI tem qualquer tipo de simpatia pelos violadores. Isso seria monstruoso. Não deve, sequer, ser admitido como hipótese de trabalho. Por isso, ainda não é tarde para Cristina.
Primeiro, tem de se solidarizar com a vítima, de pedir desculpa por se ter explicado mal. Perante tantas contradições e tantas palavras absurdas dos seus superiores e da própria TVI, é preciso dizer o óbvio para recomeçar. Deve fazer este ato de contrição em direto no mesmo programa onde tudo ocorreu. Ouvir vítimas de crimes e homenageá-las de alguma forma. Deixar claro que não é com ameaças de processos que se corrige um erro. Depois, a estação tem que a defender através de palavras públicas dos responsáveis pela empresa.
Cristina não merece o novelo em que caiu e que ameaça a sua carreira. Seguiu os conselhos de quem não lhe quer bem, e seguiu em frente. Tem de parar e voltar ao momento zero da polémica, para a encerrar e salvar a sua natureza.
Programação
Quem devia defender Cristina não o fez
Competia ao diretor-geral da TVI sair em defesa de Cristina Ferreira. Em vez disso, optou por não a interromper enquanto ela cometia uma série de erros. Mais do que para a apresentadora, o ensurdecedor silêncio de José Eduardo Moniz é grave para a empresa.
Informação
Militante honorário do Chega
Um dia talvez Pacheco Pereira seja nomeado militante honorário do Chega. Prestou um serviço inestimável à causa. Aceitou imolar-se pelo fogo televisivo num debate com André Ventura, debate esse que não tinha rigorosamente nenhuma razão de ser, e que acabou como era previsível: Pacheco foi atropelado. O líder do Chega atravessava uma fase de enormes dificuldades, sem discurso, sem empatia e transmitindo a sensação de estar esgotado, além de sofrer os efeitos de choque de Trump, de Órban e da sua própria derrota presidencial. Com a vitamina-Pacheco Pereira, tudo passou. A troco de quê?
A Subir
André Ventura
O animal televisivo voltou em força na passadeira vermelha que a CNN e Pacheco Pereira lhe estenderam.
A Subir
Judite Sousa
Uma carreira de exceção que merece todas as homenagens. Sempre que aparece mostra que está num patamar superior.
A Descer
Pacheco Pereira
Até hoje, só António José Seguro conseguiu ganhar um debate a Ventura. O que terá levado a pensar que era melhor que Marcelo, Costa, Rio ou Montenegro, que, a seu tempo, também tiveram chance contra o líder do Chega?