20 anos de um grande amor! O GNR que devolveu o sorriso a Dolores Aveiro e a ajudou a superar as mais duras batalhas
Dolores Aveiro já conheceu o melhor e o pior na vida. Durante décadas, nada teve, lutando sempre para que os filhos pudessem escrever umas linhas diferentes e foi já só quando Cristiano Ronaldo atingiu o estrelato que a bonança chegou. Nessa altura, a matriarca do clã Aveiro conheceria também o homem com quem está até aos dias de hoje e que lhe devolveu a esperança no amor, ainda que nem tudo tenham sido rosas. Numa declaração de amor e fidelidade, Andrade esteve ao lado de Dolores nos mais doces momentos, mas também nas duas batalhas que a mãe de CR7 travou contra o cancro.Aos 71 anos, não há muito pelo qual Dolores Aveiro não tenha ainda passado. Com uma infância dura, um casamento complicado, e uma vida marcada pela adversidade, no seu caso, foi já numa idade bastante adulta, e depois de ver os filhos criados, que conheceria o verdadeiro bem-estar. Assim que o filho Cristiano Ronaldo começou a ter um ordenado de futebolista, estendeu a passadeira vermelha à mulher que fez tudo por ele e proporcionou à mãe uma vida desafogada. Hoje, e apesar de ter à sua disposição todos os milhões que assim entender, não se pode dizer, no entanto, que a matriarca do clã Aveiro leve verdadeiros dias de luxo, porque prefere viver conectada com a sua essência: reside na Madeira, o seu grande porto de abrigo, e as viagens que faz são, normalmente, para poder passar tempo com o seu maior trunfo, a família, nomeadamente os filhos e os netos. Nesta jornada, tem tido a seu lado um homem que se tornaria mais do que no seu companheiro em segundas núpcias, no seu melhor amigo, José Andrade, com quem está a celebrar 20 anos de união.
"Aconteceu. A pessoa que está comigo apareceu na minha vida num momento que mais precisei. Esteve sempre a meu lado", já disse no passado Dolores para se referir a Andrade, que acabou por ser um ombro importante na vida da mãe de CR7, um ano depois de esta ter perdido o marido, Dinis Aveiro, devido a problemas hepáticos e renais, e numa altura em que, apesar de o tempo passar, os filhos ainda tentavam fazer o luto.
O casamento, é sabido, não tinha sido um mar de rosas. A mãe de CR7 casou-se quando tinha apenas 18 anos, engravidou dois anos mais tarde e a vida da família nunca seria a de grande estabilidade. Quando Dinis voltou da Guerra do Ultramar, Dolores soube, porém, que as marcas seriam irreversíveis. Ainda assim, gosta de recordar o marido como o pai dedicado que sempre foi. “Ele era carinhoso para os filhos”, contou em conversa com Cristina Ferreira, na mesma em que assumiu que os quatro filhos – Elma, Hugo, Cristiano e Katia – sempre foram a sua âncora nos momentos mais dolorosos.
Com Andrade, Dolores viveria uma espécie de segunda oportunidade no amor, tendo no antigo GNR um verdadeiro companheiro de vida. Hoje, é frequente vê-los lado a lado em viagens, nos momentos mais importantes, mas também naqueles dolorosos que Dolores já foi obrigada a atravessar, ela que já enfrentou dois cancros.
"Fui operada aos dois peitos. Ninguém sabe do segundo. Fui operada em Madrid, fiz radioterapia. Desisti da vida e agora luto pela minha vida", diz, acrescentando que o primeiro cancro foi descoberto precisamente quando o filho estava em Manchester e, pela primeira vez, a vida lhe estava finalmente a sorrir. "Já era uma mulher feliz. Foi em Inglaterra que o descobri, fui operada na Madeira e vim fazer o tratamento ao Porto. 'Meu Deus, tenho tudo agora. Será que Nosso Senhor se vai lembrar de mim e vou embora?'", questionou Dolores, que vivia com um pânico inculcado: perder a vida com a idade da mãe, que faleceu com apenas 37 anos, vítima de um enfarte. "Eu estava com aquela coisa que aos 37 morria. Ultrapassei. Faço 60. Agora vive-se um dia de cada vez."
Mais tarde, em 2021, a mãe de Ronaldo voltaria a ver a vida pregar-lhe uma nova partida ao sofrer um AVC. Mas mais uma vez fez uso da resiliência com que sempre enfrentou a vida e superou mais um drama de saúde, com o apoio dos seus.
A VIDA QUE DAVA UM FILME
A vida de Dolores já deu um livro – 'Mãe Coragem' – mas são tantas as batalhas que já teve de travar que haveria matéria também para um filme. A pobreza marcou a sua infância e Dolores tinha apenas 6 anos quando a mãe morreu, numa mudança que marcaria para sempre a sua vida: além de perder a sua grande fonte de afeto, passaria também a residir num lar, com os oito irmãos a serem separados. “Muitos vizinhos ajudavam a minha mãe com um prato de comida e a minha mãe dividia por todos e muitas vezes deitava-se sem comer”, contou sobre a vida antes da perda materna. Mais tarde, voltaria a viver em casa do pai, num lar onde cabiam 13, mas pouco havia espaço para o afeto.
Apesar da falta dessas bases, sempre soube que seria uma mãe diferente e lutou para que os filhos tivessem uma vida melhor e, acima de tudo, para que nunca lhes faltasse amor. Repetiu o mesmo com os netos, numa dedicação à família, que sempre a impeliu a ir mais além. Hoje, com os filhos já criados e os netos crescidos, é tempo, pela primeira vez, de Dolores se focar em si, desfrutando de um amor ao lado de Andrade que conheceu já tarde na vida, mas que lhe trouxe uma renovada, e inesperada, sensação de felicidade.