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A dor da mãe-coragem! Depois de tanta luta e de tantas alegrias, Dolores Aveiro não contém as lágrimas com a despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção

A decisão do capitão de deixar a Seleção Nacional tocou profundamente esta mãe, que acompanhou cada passo de uma carreira construída à custa de muitos sacrifícios. Dona Dolores reagiu com uma mensagem de poucas palavras, mas por detrás daquele "Meu querido menino da mãe" está uma história de pobreza, promessas cumpridas e uma ligação que o sucesso e os milhões nunca alteraram.
Por Ana Cristina Esteveira | 05 de novembro de 2026 às 14:39
Cristiano Ronaldo, Dolores Aveiro Foto: Foto: Instagram
Dolores Aveiro, Cristiano Ronaldo Foto: Foto: D.R.
Dolores Aveiro, Cristiano Ronaldo Foto: Foto: D.R.
Dolores Aveiro, Cristiano Ronaldo Foto: Foto: D.R.
Dolores Aveiro, Cristiano Ronaldo Foto: Foto: D.R.
Dolores Aveiro, Cristiano Ronaldo Foto: Foto: D.R.
Foto: Foto: Instagram
Dolores Aveiro Foto: Flash
Dolores Aveiro, Kátia Aveiro, Elma Aveiro, Cristiano Ronaldo, Tony Carreira, Georgina Rodriguez Foto: Flash
Cristiano Ronaldo com a mãe Dolores Aveiro Foto: Flash
Cristiano Ronaldo, Dolores Aveiro Foto: Flash
Dolores Aveiro, Cristiano Ronaldo Foto: Foto: D.R.

A despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional tem um significado especial para Dolores Aveiro. A mãe do futebolista acompanhou de perto o percurso que o levou da Madeira ao topo do futebol mundial, viveu as conquistas como poucas pessoas e também sofreu com as dificuldades que ficaram pelo caminho. Perante o anúncio do filho, não precisou de muitas palavras para mostrar o que sentia. "Meu querido menino da mãe", escreveu na caixa de comentários do vídeo em que o jogador comunicou a decisão, juntando à mensagem vários emojis a chorar.

Para perceber a força desta ligação, é preciso recuar aos tempos em que a família Aveiro vivia com muito pouco ou quase nada. Na Madeira, Dolores teve de fazer de tudo para criar os quatro filhos: Elma, Hugo, Katia e Cristiano. Conheceu a pobreza desde cedo: perdeu a mãe quando ainda era criança e passou parte da infância num orfanato no Funchal. Já adulta, enfrentou uma vida de trabalho duro, dividida entre tarefas domésticas em casas de outras pessoas, roupa para passar, quintais para limpar e a produção de cestos de vime. Chegou a fazer mais de uma centena num só dia. Em troca de alguns trabalhos, recebia até sobras de comida. O essencial era garantir que nada faltasse aos filhos.

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As dificuldades para criar quatro filhos

Foi nesse período de dificuldades que aconteceu um dos episódios mais íntimos da vida de Dolores Aveiro. Quando engravidou de Cristiano Ronaldo, já tinha três filhos e vivia uma situação económica muito complicada. A chegada de mais uma criança não estava nos seus planos e a própria admitiu que chegou a tentar interromper a gravidez. "Já tinha três filhos. Tentei abortar e não consegui. Ainda bem, porque o Cristiano foi a estrela que iluminou a minha vida", contou em 2018, durante a apresentação da biografia 'Mãe Coragem'. Dolores explicou que pensou nessa possibilidade porque não sabia como iria conseguir sustentar mais um filho. 

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Anos mais tarde, o episódio foi também recordado pelo próprio Cristiano, que brincou com a mãe por ter pensado em interromper a gravidez. "Vê lá tu, mãe, querias abortar de mim e sou eu que sustento esta casa toda", terá dito, segundo Dona Dolores. A frase acabou por resumir, de uma forma muito própria, a transformação que o sucesso do futebolista trouxe à vida da família.

Mas antes de se tornar um dos jogadores mais conhecidos do mundo, Cristiano era apenas um rapaz da Madeira com um sonho. Dolores percebeu a paixão que o filho tinha pelo futebol e apoiou-o quando chegou a altura de deixar a ilha para ingressar no Sporting, em Lisboa. A distância foi difícil. Numa das chamadas que fez à mãe a partir de uma cabine telefónica, o jovem jogador terá confessado, a chorar, que queria desistir. Dolores não o deixou baixar os braços. "Filho, se é disso que gostas, luta. Luta, que a mãe não te vai cortar as pernas", recordou ter-lhe respondido.

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Deixar tudo para apoiar o filho

Quando Cristiano começou a afirmar-se no futebol e já com um bom salário , quis ter a mãe mais perto. Dolores mudou-se para Lisboa, deixando para trás o trabalho e a vida que conhecia na Madeira. Passou a acompanhar de perto o quotidiano do filho, tratava-lhe das refeições e da roupa e procurava que nada o distraísse do objetivo que tinha pela frente. Não era apenas uma mãe que acreditava no talento do filho: era também alguém que conhecia bem os sacrifícios necessários para construir uma vida diferente.

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E houve uma promessa que Cristiano lhe fez quando ainda era muito pequeno. Dolores contou que, nos momentos em que a via chorar por causa das dificuldades, o filho procurava consolá-la. "A mãe que não chore. Quando for grande, vou ganhar bastante dinheiro. Vou comprar uma casa e tirar a mãe do trabalho", dizia-lhe. Tinha cinco ou seis anos. Na altura, aquelas palavras eram apenas a promessa de uma criança que não gostava de ver a mãe sofrer. Mais tarde, acabariam por se transformar numa realidade.

Depois de se mudar para Manchester, Cristiano dava o pontapé de saída de uma carreira que estava prestes a ganhar outra dimensão. E não se esqueceu do que tinha prometido. Pediu à mãe que escolhesse uma casa. Dolores não procurava uma mansão nem uma vida de luxo. Queria ter uma casa de banho onde pudesse tomar banho sem precisar de aquecer água ao lume, uma cozinha maior e um quintal. Coisas simples, mas que representavam muito para quem tinha passado tantos anos a fazer contas para conseguir chegar ao fim do mês.

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Uma nova vida longe da miséria

A mudança foi enorme. O sucesso de Cristiano Ronaldo permitiu à família deixar para trás muitas das dificuldades que tinha conhecido na Madeira. Ainda assim, Dolores nunca esqueceu de onde veio. Mesmo com o conforto que o filho lhe proporcionou, manteve hábitos de poupança e a preocupação de não desperdiçar dinheiro. Em entrevistas, reconheceu que Cristiano não lhe deixa faltar nada, mas os anos de trabalho e de dificuldades continuam presentes na forma como olha para a vida. O futebolista também nunca escondeu o reconhecimento que sente pela mãe. Em 2014, numa homenagem pública, escreveu: "A minha mãe é, sem qualquer dúvida, uma mãe coragem. Sinto-me muito grato e orgulhoso por ser filho dela e tê-la na minha vida." Uma declaração que ajuda a perceber que, para Cristiano, o percurso que construiu não pode ser separado dos sacrifícios de Dolores.

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A mãe, por seu lado, sempre fez questão de acompanhar o filho e de estar presente nos momentos importantes. Viu-o sair de casa ainda adolescente, assistiu à sua afirmação no futebol internacional e acompanhou a transformação de um rapaz madeirense num dos maiores nomes da modalidade. Também esteve ao lado dele nos momentos menos felizes, quando as coisas não corriam como desejava. Agora, com o anúncio da despedida da Seleção Nacional, Dolores voltou a reagir como tantas vezes fez ao longo destes anos. Para milhões de pessoas, Cristiano Ronaldo é o capitão que levou Portugal a conquistas históricas. Para Dolores Aveiro, será sempre o seu "menino da mãe".

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