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A vida explosiva de Michael Douglas em livro: cinco amantes, cocaína e a descida ao inferno do cancro, que o mudou para sempre

Aos 82 anos, e depois de uma montanha russa de emoções, ator sentiu necessidade de refletir sobre aquilo que tem sido a sua vida: das muitas mulheres que teve, ao vício da droga até à difícil batalha contra o cancro, que mudou tudo e fez com que Douglas voltasse a colocar os pés na terra.
Por Rute Lourenço | 15 de outubro de 2026 às 21:38
Michael Douglas e Catherine Zeta Jonas Foto: Getty Images

"Talvez os 80 anos sejam um bom momento para partilhar”, refletiu Michael Douglas em entrevista sobre o porquê de ter decidido escrever o seu livro de memórias, que chega às livrarias portuguesas, no início de novembro, com o título 'Uma Vida de Cinema', adaptado do original 'One Huellva Ride', em alusão à montanha russa que têm sido os seus 82 anos de vida. Dificilmente, nos filmes a que dá vida, Douglas já passou por tanto, com o livro a confirmar uma vida plena, com muitos amores, traições, drogas e dramas suficientes para que seja considerada uma existência repleta de emoções.

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"No livro sou muito duro comigo, e também honesto. Tentei fazer a coisa certa, mas eu vi-me em situações em que era o vilão da história”, conta, acrescentando que para o percebermos melhor, temos de viajar com ele até à infância. É filho de dois atores: Diana Dill e Kirk Douglas – nomeado três vezes para Óscares. Cresceu com os pais separados, nos bastidores de cinema, o que inicialmente o afastou emocionalmente das passadeiras vermelhas. Afinal, eram estas que lhe roubavam o pai, que passava mais tempo em compromissos profissionais do que em casa. "Ressentia-me disso", conta, acrescentando, no entanto, que o facto de lhes seguir as pisadas seria quase natural e, aos 31 anos, Douglas já havia conquistado o seu primeiro Óscar com o filme 'Voando sobre um ninho de Cucos'. Era a consagração de Douglas, mas também o abrir portas a uma vida de glamour, sedução, e que ficou marcado pelos múltiplos relacionamentos amorosos, muitos deles desvendados pela primeira vez no livro.

Michael Douglas, Catherine Zeta-Jones Foto: Flash

Até aqui, não se sabia, por exemplo, que Douglas e Kathleen Turner tiveram um caso durante as filmagens de 'Tudo por Uma Esmeralda' e quando em 'Instinto Selvagem' se especulou que Douglas mantinha uma ligação secreta com Sharon Stone, ele estava, na verdade, envolvido com a co-protagonista Jeanne Tripplehorn. Na altura, o galã ainda era casado com Diandra Lurker, mas a relação caminhava a passos largos para o final e quando Catherine Zeta-Jones apareceu na sua vida, Douglas revela que estava em processo de separação, ainda que não totalmente livre de relações amorosas, uma vez que tinha cinco amantes em simultâneo.

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Michael Douglas Foto: D.R.

“Logo depois do fim do meu casamento, eu estava com umas quatro ou cinco mulheres. Elas sabiam que eu me tinha separado recentemente e estava em processo de divórcio”, conta, acrescentando, no entanto, que aquela que viria a ser a sua futura mulher colocou cedo os pontos nos i. "Disse-me: 'Não tenho interesse em namorar se estiveres com outras pessoas. Podes continuar a manter esses relacionamentos ou terminar e ficar comigo."

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Douglas refere que não teve dúvidas sobre o que fazer: "Liguei para cada uma delas e disse que tinha conhecido outra pessoa e que não poderia continuar os relacionamentos."

Catherine Zeta-Jones, Michael Douglas, carys Douglas Foto: Flash

Entre os múltiplos relacionamentos amorosos e o sucesso que a sua carreira no cinema lhe conferia, Douglas conta ainda que mergulhou num período difícil, em que se entregou ao consumo de cocaína – que consumia muitas vezes ao lado de O.J. Simpson – enquanto o primeiro casamento desabava e o filho passava, também ele, por problemas com drogas. "A cultura das drogas, a marijuana e tudo o resto, fazia simplesmente parte da cultura. Mas, depois, as coisas tornaram-se mais sombrias. E, depois, temos de ter cuidado com aquilo que desejamos, porque, quando a minha carreira se tornou realmente intensa, tanto como ator como à frente de uma produtora, tudo isso, aliado às dificuldades do meu primeiro casamento com Diandra e aos problemas de drogas do meu filho Cameron, acabou por me deixar completamente sobrecarregado. Estava sob uma enorme pressão e comecei a envolver-me cada vez mais com a cocaína. Penso que isso contribuiu bastante para o fracasso do meu primeiro casamento e para a minha entrada numa clínica de reabilitação. Mas depois pensei que era importante falar sobre o assunto", refere.

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A APROXIMAÇÃO DO PAI E O CANCRO

No livro, Michael Douglas fala ainda sobre dois períodos particularmente marcantes da sua vida, com o AVC do pai a estabelecer mudanças no relacionamento entre os dois. Da dureza e algum afastamento que a vida lhes havia causado, pai e filho estabeleceriam novas pontes após o drama de saúde.

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Michael Douglas com o pai, Kirk Foto: D.R.

"Ele mudou completamente", conta Douglas. "Infelizmente, os atores são conhecidos por serem bastante centrados em si próprios. A compaixão do meu pai pela família e pelo mundo passou a dominar, e surgiu uma nova pessoa, também mais vulnerável. Aproveitámos e saboreámos o terceiro ato da vida do meu pai. Isso aproximou-nos muito", disse sobre o pai, que acabaria por morrer em 2020, aos 103 anos, já depois de o próprio ator ter travado a sua luta pela vida, quando lhe foi diagnosticado um cancro na língua em estádio IV. "Durante os tratamentos de quimioterapia e radioterapia, quando ficava completamente debilitado, e ao ver o apoio que recebia dos meus filhos, que não compreendiam bem tudo o que se passava, mas percebiam o suficiente para saber que o pai estava doente, lembrei-me verdadeiramente da importância da proximidade familiar, do apoio que recebemos e da forma maravilhosa como Catherine esteve ao meu lado", afirma, recordando que esse seria um ponto determinante e que mudaria para sempre a forma como encara a vida.

Michael Douglas Foto: Getty Images
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"Isso teve um papel importante em levar-me a abrandar um pouco o ritmo e a valorizar as pessoas que me são mais próximas. Depois disso, as minhas prioridades mudaram."

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