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Como Filipa herdou o negócio Garcias do pai e do avô e, numa inadvertida visita à Comporta, criou um negócio de milhões. "É o nosso bebé!"

A Garcias é a maio distribuidora de vinhos nacional, fatura mais de 86 milhões de euros por ano e em 2022 montou na Comporta uma mega garrafeira a que os mais ricos não resistem. Há quem dê 15 mil euros por provas de néctares exclusivos
Por João Bénard Garcia | 24 de julho de 2026 às 00:25
Filipa Garcia da Garcias Wines, na Comporta Foto: Instagram

Em janeiro de 2021, após a morte do pai, Arnaldo Garcia, fundador e presidente da Garcias, coube a Filipa Garcia assumir as funções de CEO da empresa de distribuição de vinhos. Filipa e o marido, Sérgio, seu braço direito e esquerdo nos negócios, estavam a fazer uma visita a um potencial cliente, a Herdade da Comporta, com o objetivo de aumentarem o seu portfólio na área da distribuição, quando olharam para um edifício e perceberam o seu enorme potencial. "No pós-Covid começámos a perceber que o comportamento do consumidor tinha sofrido algumas alterações e que realmente fazia sentido incorporarmos mais marcas de vinho no nosso portfólio. Então falámos com os vinhos da Herdade da Comporta e, no decorrer de uma visita precisamente à adega da Herdade da Comporta, passámos a pé com um dos administradores da Herdade por este espaço. Na altura era um armazém do produto acabado deles e eu e o Sérgio olhámos um para o outro e pensámos que isto tinha um potencial brutal", revela a CEO, salientando porque aquele espaço lhes despertou o desejo de arriscar: "Está aqui na curva principal da Comporta, com uma visibilidade fantástica, com potencial de estacionamento e então achámos que era uma oportunidade em bruto e fechámos com a Herdade da Comporta o arrendamento do espaço".

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O desafio seguinte, até à abertura em junho de 2022, foi o de reconverter um grande armazém numa garrafeira apelativa aos clientes, em especial aos clientes com elevado poder de compra que passam todos os anos, particularmente no verão, pela badalada Comporta. "Tivemos o desafio de transformar 500 m2, que é a área que tem esta garrafeira, que já não é comum num espaço típico de garrafeira ser tão grande, e com a ajuda do arquiteto torná-lo um espaço cozy (aconchegante)". Para o casal de investidores ficou tão acolhedor que até sentem dificuldade de sair de lá: "Eu o meu marido temos casa de férias na Comporta e temos que fazer um esforço para não vir aqui, senão passamos horas aqui e os meus filhos ficam fartos, a pedir-nos para nos irmos embora", diz, usando de seguida um argumento justificativo: "Sendo uma empresa familiar vivemos o negócio com uma emoção diferente e naturalmente isto é o nosso bebé, queremos que a equipa esteja oleada, mas foi uma descoberta muito gira".

O PRIMEIRO GRANDE PROJETO MADE BY CEO FILIPA GARCIA E MARIDO

No dia do sunset em que a The Mag, by Flash!, conversou com Filipa Garcia a partilhar um vinho branco fresco, a CEO do grupo que hoje fatura mais de 86 milhões de euros por ano, que nos contou tudo sobre esta ideia de negócio na Comporta de que muito se orgulha. "Estamos aqui a celebrar os quatro anos desta loja. A Comporta está na moda e por isso para nós fazia todo o sentido ter aqui um ponto de referência. Nós fazemos também em outubro 40 anos de empresa Garcias, que é a empresa mãe, e somos líderes na comercialização e distribuição de vinhos e de bebidas espirituosas", recorda, relembrando a memória do pai Arnaldo e do avô, João Garcia, fundadores da empresa. "A empresa foi fundada pelo meu avô e pelo meu pai em 1981 e desde 2021, infelizmente com o falecimento do meu pai, eu e o meu marido, Sérgio, estamos à frente da organização". Arnaldo José já não viu a grandiosa garrafeira que a filha e o genro montaram numa das zonas mais exclusivas e procuradas por ricos de todo o mundo em Portugal, mas teria certamente orgulho do feito do casal.

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Festa de aniversário da Garrafeira Garcias, na Comporta Foto: D.R.

Filipa Garcia fala com entusiasmo e um sorriso nos lábios quando aponta para as prateleiras e descreve a ideia base deste projeto. "É um espaço tão grande e perfeitamente retangular. Formulámos aqui uma barrica, com as estantes mais em curva, para imitar uma barrica de vinho e definimos que um lado seria mais direcionado para os espumantes, champanhes e para os vinhos nacionais e internacionais e o outro mais para os espirituosos. Dividimos assim a loja", descreve.

AS PESSOAS NO PÓS-COVID ESTAVAM "SEDENTAS DE SAIR E CONVIVER"

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Uma coisa é certa, o caminho tem sido de tentativa e melhoramento, como nos revela. "Nos últimos quatro anos tivemos aqui muitas aprendizagens e fomos incorporando algumas alterações na loja. A perspectiva do business plan que tínhamos delineado no pós-Covid, em 2022 e 23 foram anos muito bons porque as pessoas estavam muito sedentas de sair e conviver. E foi quando esta zona começou a estar muito mais na moda, houve falatório à volta, muitos empreendimentos no turismo, muitas personalidades internacionais, principalmente muitos estrangeiros", avança, especificando quem mais procura a garrafeira: "Temos aqui muitos franceses, muitos americanos. Conseguimos captar aqui uma heterogeneidade brutal de clientes e depois naturalmente nos períodos mais de verão muitos portugueses que têm aqui casa ou que vêm aqui passar férias.

Festa de aniversário da Garrafeira Garcias, na Comporta Foto: D.R.

Filipa garante que "os preços que praticamos aqui são os preços de garrafeira normais" e explica que o espaço tem como um dos seus objetivos "aumentar o reconhecimento e o prestígio do nome Garcias porque somos distribuidora e não uma marca que está tão visível ao consumidor final. O nosso trabalho da empresa mãe Garcias é comprar os produtos acabados e depois somos um veículo até ao restaurante, até ao bar ou ao hotel. A nossa marca não aparece aos olhos de quem está sentado à mesa, somos o veículo".

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A CEO da Garcia explica que "fazia sentido fazermos aqui um upgrade para a marca umbrella da família. E com isso trabalhar o canal online (Boutique) e outras vertentes do negócio. Aqui temos realmente uma champanheira ali ao centro porque champanhe é um dos produtos que mais se consome aqui na zona e temos experimentado várias interações", relata, explicando a razão de ter convidado dezenas de clientes e amigos para um final de tarde quente na Comporta para beber, petiscar, ouvir o som leve de um DJ, receber uma pequena recordação no final ou ainda ser brindado por um retrato feito por uma ilustradora de serviço.

"Hoje estamos a inaugurar o conceito da wine terraza porque temos muitos clientes que gostam muito deste espaço, que modéstia à parte é agradável. Muitos clientes perguntavam-nos sempre se não tínhamos uma mesa para abrir uma garrafa de vinho, para ficarem aqui um bocadinho. E isso foi-nos puxando ideias. Era um cliente a pedir e depois mais outro e criámos o Terraza", conclui, confirmando o sucesso da iniciativa: "Aproveitámos para fazer aqui uma balcony gira onde as pessoas possam estar à vontade, ficar e picar para acompanhar o vinho, mas tem sido fascinante perceber a adesão que estamos a ter. Abrimos há um mês e a par disso colocamos uma (Drink) Matic, que é uma máquina onde temos oito garrafas abertas e você pode provar ao copo, não tem que abrir uma garrafa inteira".

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CLIENTES PAGAM DE 4 A 5 EUROS, MAS PODEM CHEGAR AOS 15 MIL

A dona da garrafeira assegura que essa solução de servir bebidas está a ser um sucesso junto dos clientes na Comporta. "Temos muito a dinâmica do casal que vem e adora porque prova três ou quatro vinhos diferentes e fica fascinado porque prova um espumante, depois prova um branco e a seguir um tinto, senta-se e usufrui do espaço e da nossa variedade. Tem sido bom perceber isso e depois a Comporta, com os seus dias meio nublados, em que as pessoas não vão à praia, isto acaba por ser um stop by e estamos de férias, as pessoas têm tempo para estar, conversar com os amigos", revela.

Festa de aniversário da Garrafeira Garcias, na Comporta Foto: D.R.
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Dentro dos 500 metros quadrados do edifício existem milhares de referências de vinhos e bebidas espirituosas nacionais e internacionais. As notícias mais antigas falam em 3600 referências, mas os valores estão desatualizados. Nem Filipa Garcia consegue acertar com o número, como nos contou: "Não sei quantas garrafas tenho, só sei em euros, e é mais de um milhão de euros em stock, só nesta loja, porque fazemos questão de ter aqui coisas especiais. Temos público que vem aqui e gasta 10 ou 15 mil euros em meia dúzia de garrafas. As pessoas procuram coisas muito específicas: vinhos de Borgonha, de Bordéus, anos específicos, vintage específicos, pessoas que são colecionadoras, mas também temos os vinhos de 4 ou 5 euros. Temos pessoas que querem levar 50 euros em vinho, mas divido em vinhos de 10 euros de coisas diferentes. A nossa diversidade de A a Z também é importante por causa disso", sublinha.

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