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Do estrelato à condenação à morte: saiba quem é Sarah Khalifa, a apresentadora egípcia que viu o seu mundo de luxo ruir do dia para a noite

Durante anos, Sarah Khalifa construiu uma imagem ligada à televisão, ao entretenimento e a uma vida de luxo. Hoje, o seu nome está associado a um dos mais mediáticos processos criminais no Egito.
Por Ana Cristina Esteveira | 30 de setembro de 2026 às 19:30
Sarah Khalifa Foto: Foto: Instagram
Sarah Khalifa Foto: Foto: Instagram
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Sarah Khalifa Foto: Foto: Instagram

Afinal, quem é Sarah Khalifa, de 39 anos, a mulher que viu a sua fama ultrapassar as fronteiras do Egito e tornar-se um dos nomes mais falados um pouco por todo o mundo? A história começa muito antes das manchetes internacionais e de um processo judicial que viria a mudar completamente a sua vida. A bonita apresentadora construiu o seu percurso na televisão, passou pelo entretenimento, passou a frequentar círculos luxuosos e criou os seus próprios negócios, tornando-se uma figura de proa no Egito.

Sarah Khalifa começou a sua carreira na televisão através do canal ART, onde apresentou 'From Cairo'. Mais tarde, passou pelo canal iraquiano Al-Sharqiya, onde esteve ligada a vários programas e entrevistou nomes conhecidos do mundo árabe. Foi, porém, com 'Mission Impossible' que ganhou maior exposição. O programa, transmitido pelo canal privado Al-Mehwar, abordava temas relacionados com criminalidade, segurança e casos policiais. O formato chegou a contar com a colaboração de entidades ligadas ao Ministério do Interior egípcio e colocou Sarah Khalifa em contacto com polícias, responsáveis de segurança e outros intervenientes. Nessa altura, ainda se estava longe de imaginar que a apresentadora do formato se iria transformar numa protagonista de um caso de polícia.

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A comunicadora foi, entretanto, alargando a atividade profissional. Criou a 'Sarah Production', empresa dedicada à organização de festas e eventos, e entrou também no setor da beleza, com uma clínica em Agouza, no Cairo. A ligação ao meio artístico manteve-se através de eventos, programas de televisão e colaborações com figuras públicas. Em 2024, Sarah Khalifa voltou a estar no pequeno ecrã ao lado de Hamo Beka. Os dois apresentaram 'Sarah and Beka', um programa que recebeu várias figuras conhecidas do entretenimento egípcio.

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Mas era nas redes sociais que a apresentadora mostrava uma imagem mais próxima do universo dos famosos. Fotografias em viagens, festas, produções de moda e cenários luxuosos faziam parte da vida que partilhava com os seguidores. Sarah Khalifa transformou o Instagram numa extensão da sua imagem pública e chegou a reunir mais de dois milhões de seguidores. Esse estilo de vida ganhou outra dimensão depois da sua detenção. A acusação passou a questionar também a forma como eram financiadas algumas das atividades que mantinha e sustentou que empresas associadas à apresentadora teriam servido de fachada para financiar a alegada organização criminosa. Essa é, contudo, uma das teses apresentadas pela acusação, que Sarah Khalifa sempre rejeitou.

UM CASAMENTO QUE FEZ CORRER TINTA

A vida sentimental também contribuiu para a notoriedade de Sarah Khalifa. Em 2016, a apresentadora casou-se com o futebolista egípcio Mahmoud Abdel Moneim, conhecido no mundo do futebol como Kahraba. A relação durou apenas cerca de seis meses, mas foi suficiente para colocar o casal nas páginas da dita imprensa cor-de-rosa, numa altura em que Sarah Khalifa já tinha uma presença mediática significativa.

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Mas aqui o ditado popular de "azar ao jogo, sorte ao amor" inverteu-se. Infeliz na sua sentimental, Sarah Khalifa ia somando sucesso nos negócios e na carreira profissional. Abraçou novos projetos e a sua presença nas redes sociais era cada vez maior e mais consolidada. Continuava a surgir em eventos, ao lado de artistas e outras figuras conhecidas, enquanto desenvolvia as suas atividades empresariais. Até que, em abril de 2025, o seu nome passou a estar associado a uma investigação criminal.

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Sarah Khalifa foi detida no Cairo no âmbito de uma investigação que começou com suspeitas relacionadas com posse de estupefacientes para distribuição. A investigação foi depois alargada a uma alegada organização dedicada à importação de matérias-primas, produção e tráfico de drogas sintéticas. O processo acabaria por envolver 28 arguidos. Segundo a acusação, cada elemento teria funções distintas dentro da alegada estrutura, desde a obtenção das matérias-primas à produção, armazenamento e distribuição dos estupefacientes. As autoridades afirmaram ter apreendido mais de 750 quilos de drogas sintéticas e matérias-primas destinadas ao seu fabrico. Foram ainda apreendidas armas e munições sem licença. A investigação apontou também para a utilização de apartamentos residenciais como locais de preparação e produção.

A acusação baseou-se, entre outros elementos, nos depoimentos de 20 testemunhas e em provas técnicas e digitais, incluindo conversas, fotografias e vídeos. Sarah Khalifa sempre negou estar envolvida no negócio de droga. Durante o processo, procurou também afastar qualquer ligação ao consumo de estupefacientes. “Os meus pais educaram-me bem. São pessoas que rezam, e eu não preciso de dinheiro da droga”, afirmou em tribunal, segundo a imprensa internacional.

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Numa outra declaração, a apresentadora garantiu que “nunca fumou um cigarro” em toda a vida. Sarah Khalifa afirmou ainda que só tinha visto drogas quando foi fotografada com elas nas instalações da autoridade de combate aos estupefacientes.

CONDENADA À MORTE

O julgamento terminou a 5 de setembro de 2026 com uma decisão que colocou definitivamente o nome de Sarah Khalifa nas manchetes internacionais. O Tribunal Criminal do Cairo condenou a apresentadora e outros 11 arguidos à morte por enforcamento, depois de os considerar culpados de formar um grupo criminoso organizado para obter matérias-primas utilizadas no fabrico de drogas sintéticas destinadas ao tráfico. A sentença incluiu ainda crimes relacionados com a posse e transporte de armas e munições sem licença. 

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Contundo, a sentença não é definitiva. Mohamed El Gendy, advogado de Sarah Khalifa, anunciou que a defesa vai recorrer, alegando erros processuais durante o julgamento. A apresentadora pode ainda recorrer para o Tribunal de Cassação, pelo que o caso continuará a ser discutido nos tribunais egípcios. Sarah Khalifa, que durante anos construiu uma imagem pública ligada à televisão, aos famosos, aos negócios e a uma vida de luxo exibida nas redes sociais, vê agora o seu nome associado a um dos mais mediáticos processos de droga julgados no Egito nos últimos anos.

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