Maria Francisca de Bragança: o novo rosto que rejuvenesce o que resta da realeza em Portugal
Aos 28 anos, a filha do meio de Dom Duarte e Isabel de Herédia traz frescura ao que resta da realeza em Portugal e assume, ao lado dos irmãos, cada vez mais os comandos em eventos ligados à Casa de Bragança. Um orgulho para os pais, que tentam manter viva a tradição, adaptando-a aos novos tempos.Na última quarta-feira, dia 7 de janeiro, decorreu em Lisboa o IV Jantar de Reis, o tradicional momento anual de convívio entre os associados da Real Associação de Lisboa. Para amadrinhar o evento, um rosto que começa a tornar-se cada vez mais conhecido dos portugueses assumia os comandos: Maria Francisca de Bragança, filha de D. Duarte e de D. Isabel de Herédia, que nos últimos tempos, a par dos irmãos, Afonso e Dinis, toma as rédeas e mostra-se cada vez mais presente em atos oficiais, numa continuidade da casa real portuguesa, que tem nestes três pilares o seu futuro. Os jovens, que o país viu nascer e sempre acarinhou, são o último reduto de uma realeza nacional, que conquista, assim, uma maior frescura alavancada na figura dos príncipes.
O regime monárquico em Portugal terminou com a proclamação da República no dia 5 de outubro de 1910, altura em que o rei, Manuel III partiu para o exílio, sendo que, aos dias de hoje, apenas D. Duarte Pio, D. Isabel de Herédia e os três filhos nos remetem para estes tempos de castelos, coroas e contos de fadas.
Uma família singular que os portugueses se habituaram a seguir e a acarinhar de uma forma muito especial e que, volta e meia, regressa à esfera mediática em eventos 'sui generis'. Aconteceu a propósito dos 30 anos de casamento de D. Duarte e D. Isabel de Herédia. O enlace, no Mosteiro dos Jerónimos, foi um momento que parou Portugal à semelhança daquilo que, ainda que, a uma outra escala, aconteceria em 2023 com Maria Francisca, a filha do meio, que foi a primeira a casar-se, com o advogado Duarte de Sousa Araújo Martins. Para a ocasião, o Convento de Mafra fechou, líderes políticos foram convidados e veio realeza de toda a Europa. A noiva, então com 26 anos, exalava felicidade, ainda que, muito antes da boda, tivesse tido uma conversa séria com a mãe.
Queria saber qual era o segredo para a relação duradoura e apaixonada dos pais e como é que poderia ter a certeza de que tinha escolhido a pessoa certa. Com a sabedoria dada pela vida, e também a prudência de quem só aceitou o pedido de casamento à terceira, Isabel de Herédia daria um conselho que a filha ouviu e assimilou. “Quando a minha filha ficou interessada no marido e me perguntou o que é que eu achava, o que é que a outra pessoa devia ter, digo sempre: o importante é os valores em que acreditamos, a paixão acaba, o amor aumenta”, disse, acrescentando que tem passado sempre essa mensagem aos três filhos. “Não casem por paixão, casem por amor (…) tenham esse amor, tenham os valores, tentem encontrar alguém que tenha os mesmos valores, que acredite no que acreditamos, que seja uma pessoa de trabalho, uma pessoa curiosa, que tenha senso de humor e que, sobretudo, nos deixe ser o que nós somos. Essa foi a grande qualidade do meu marido: ele nunca me quis mudar e eu também nunca o quis mudar. Não quer dizer que, às vezes, não tenhamos confrontos, mas acho que é importante a pessoa não querer mudar a outra", completou.
Para Francisca, os pais são, ainda aos dias de hoje, o exemplo de um casal feliz, que sempre quis seguir e, pelo menos a julgar por aquilo que foram os primeiros anos de casamento, considera estar num bom caminho.
XICA, UMA PRINCESA REBELDE EM LONDRES
Foi pouco tempo depois do casamento de princesa que a Infanta Francisca e o marido fizeram as malas para Londres. Ele teria trabalho no Reino Unido e ela iria desenvolver um projeto para a fundação em seu nome, ao mesmo tempo que descobria a vida na cidade. Só que rapidamente as contas sairiam trocadas, até porque Francisca, ou Xica, como é tratada pelo marido, é talvez a menos conservadora da família. Sem medo de arriscar, acabaria por aceitar um emprego numa galeria de arte no coração de Londres. “O nosso casamento está a correr lindamente. Foi ótimo termos ido para Londres, ter o nosso cantinho e crescermos os dois juntos, que é o que temos feito”, já partilhou Francisca que, à parte do investimento na carreira, e as ligações ao seu trabalho monárquico, está pronta para iniciar uma família.
Os receios, no entanto, estão sempre presentes. Gostava de ter uma família numerosa, mas tem medo de não estar à altura e, acima de tudo, de não honrar o exemplo que lhe foi passado por uma mãe exímia. “Acho que a minha mãe tem muito mais jeito. Eu sou um bocado despassarada”, confidenciou. Mas também neste ponto, os conselhos de Isabel de Herédia prevalecem. É que, na altura em que engravidou, também ela tinha os mesmos medos do que a filha, com o tempo a provar que não tinham qualquer fundamento. “O meu medo era não ter muito instinto maternal. Mas depois tive”, disse, acrescentando que o desafio maior que sentiu foi passar os verdadeiros valores de integridade aos filhos.
"Em relação aos nossos filhos, procuramos educá-los nos valores em que acreditamos. Toda a gente sabe que somos católicos e temos um amor a Portugal imenso. De alguma maneira, nós somos mais conversadores, mas não julgamos ninguém, é a nossa maneira de ser. Também temos amigos muito liberais e acho que desde que as pessoas tenham coerência com o que são e que não imponham as coisas, não há esse problema", realçou.
Uma preocupação presente era também que os três filhos não se sentissem, de alguma maneira, embalados pelo berço de ouro em que nasceram. “Tinha medo de que os títulos lhes pudessem subir de alguma maneira à cabeça”.
Para Maria Francisca, a preocupação não tem, no entanto, razão de ser. Uma mistura entre o “humor do pai e a perseverança da mãe”, a infanta, encara o reconhecimento do público com o carinho especial de quem já nasceu com os holofotes apontados, mas com a humildade de quem sabe retribuir o amor que recebe.