Um casamento real a fazer lembrar o de Dom Duarte Pio. Dom Dinis prepara boda de sonho com condessa austríaca em Lisboa
Após quatro meses de noivado, foi anunciada a data do casamento de Dom Dinis e da condessa Anna Schaffgotsch, que poderá devolver ao Mosteiro dos Jerónimos o encanto das grandes cerimónias reais, como aconteceu em 1995 com Dom Duarte, que fez parar o País, ao trocar juras de amor eterno com Isabel de Herédia, num conto de fadas que inspira os filhos.Há mais de 30 anos, o País parava para assistir ao sumptuoso casamento de D. Duarte Pio e D. Isabel de Herédia, que foi quase tratado como uma cerimónia de Estado. No Mosteiro dos Jerónimos, estava lá tudo: de Mário Soares a Aníbal Cavaco Silva, passando por figuras proeminentes da sociedade, como Amália Rodrigues, até representantes de todas as principais casas reais europeias, ninguém quis perder aquele que era o primeiro casamento real no país desde 1886, altura em que D. Carlos contraiu matrimónio com D. Amélia de Orleães.
A expetativa era, por isso enorme, e o facto de D. Duarte ter esperado quase até aos 50 anos para dar o nó aumentava a curiosidade em torno da cerimónia. A história de amor com Isabel de Herédia, essa, tinha todos os ingredientes. Com 21 anos de diferença, os dois conheciam-se desde crianças, no entanto, não foi fácil para o duque de Bragança conquistar a companheira e no primeiro pedido de casamento a resposta não foi a que esperava. "Tenho de pensar", disse Isabel que, à segunda, aceitou. Os dois construiriam então uma relação sólida e feliz, que serviu de modelo aos três filhos: D. Afonso, D. Francisca e D. Dinis. Tanto que quando a do meio decidiu casar-se fez questão de ter uma conversa séria com a mãe.
"Quando a minha filha ficou interessada no marido e me perguntou o que é que eu achava, o que é que a outra pessoa devia ter, digo sempre: o importante é os valores em que acreditamos, a paixão acaba, o amor aumenta”, revelou Isabel de Herédia, acrescentando que tem passado sempre essa mensagem aos três filhos. “Não casem por paixão, casem por amor (…) tenham esse amor, tenham os valores, tentem encontrar alguém que tenha os mesmos valores, que acredite no que acreditamos, que seja uma pessoa de trabalho, uma pessoa curiosa, que tenha senso de humor e que, sobretudo, nos deixe ser o que nós somos. Essa foi a grande qualidade do meu marido: ele nunca me quis mudar e eu também nunca o quis mudar. Não quer dizer que, às vezes, não tenhamos confrontos, mas acho que é importante a pessoa não querer mudar a outra", completou.
Há três anos, a infanta Maria Francisca seria a primeira dos três filhos dos duques a trocar juras de amor eterno com o advogado Duarte de Sousa Araújo perante 1200 convidados na Basílica do Palácio Nacional de Mafra. Inicialmente, Francisca tinha idealizado casar nos Jerónimos, como os pais, mas a localização acabou por ser alterada para albergar um maior número de convidados, entre os quais representantes políticos como Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Passos Coelho ou membros de diversas casas reais europeias.
Para a ocasião, a jovem, que entrou na igreja pelo braço do pai, elegeu um vestido com corte de princesa, feito pela costureira da mãe Luzia do Nascimento. Um dos elementos mais simbólicos foi a tiara de diamantes da rainha D. Amélia, a última rainha de Portugal.
O enlace de Maria Francisca foi acompanhado um pouco por todo o País, à semelhança do que se espera que aconteça no próximo ano, quando D. Dinis, o benjamim da família se casar com Anna Schaffgotsch.
O ANÚNCIO MAIS AGUARDADO
Sem que nada o fizesse prever, há cerca de quatro meses a Casa Real portuguesa anunciava que D. Dinis tinha pedido a namorada, Anna Schaffgotsch, em casamento. A curiosidade aumentava: quem era, afinal, a jovem austríaca que tinha conquistado o mais novo dos filhos dos duques de Bragança? A noiva tem, na verdade, ascendência aristocrática, empregando os títulos de condessa e baronesa de Trachenberg. Soube a história de amor dos dois pouco foi revelado, sabendo-se que Anna está em Portugal a fazer um estágio numa organização não governamental, depois de se ter licenciado em Economia e Ciências Sociais pela Universidade de Economia de Viena. Em breve, irá prosseguir os estudos em Londres.
Para o pedido de casamento, D. Dinis surpreendeu a jovem com um bonito anel com uma pedra azul ao centro, que para muitos fazia lembrar a joia de noivado oferecida por Carlos à princesa Diana.
Em relação à cerimónia, para já apenas foram anunciados dois detalhes: acontecerá a 16 de outubro de 2027 e será em Lisboa, o que sugere que o Mosteiro dos Jerónimos possa voltar a ser palco dos grandes casamentos reais.
D. AFONSO, O SOLTEIRO MAIS COBIÇADO
Com a irmã casada e o irmão noivo, a pressão aumenta sobre D. Afonso, o mais velho da família, que permanece solteiro, aos 30, e sem um romance conhecido. Este ano, ao assinalar as três décadas de vida, o herdeiro falaria mesmo sobre esse passo na sua vida, que admite encarar sem pressões.
“O casamento é algo importante na vida de qualquer pessoa. Acredito, no entanto, que essas decisões devem surgir no momento certo e de forma natural. Por agora, continuo a minha vida de solteiro”, assegurou à revista 'Sábado', mostrando que, de alguma forma, segue as pisadas do pai, D. Duarte, que se casou com quase 50 anos.
A verdade é que pretendentes não faltam ao príncipe da Beira e duque de Barcelos – pelo menos na teoria. Entre a aristocracia europeia, há nomes que se têm destacado, como as irmãs Maria Carolina e Maria Chiara di Borbone (filhas dos Duques de Castro), cuja proximidade ao filho de D. Duarte Pio e D. Isabel deu que falar. Mas também há quem sonhe com uma união com a princesa Leonor, para fortalecer os laços ibéricos, ou a prima Victoria Federica, como a candidata ideal aos olhos de Jaime de Marichalar, que vê em Afonso o "noivo perfeito" para a filha. Na lista de "pretendentes" há ainda Amália dos Países Baixos ou a princesa Elizabeth da Bélgica.
No entanto, isto seria apenas em teoria, e numa versão muito colada a outros tempos. Se outrora era comum este tipo de enlaces serem como que arranjados por questões de conveniência e emancipação, a evolução dos tempos faz com que hoje em dia, essa seja quase uma exceção. As casas reais estão repletas de exemplos de casamento com plebeus, sendo Letizia um dos casos mais famosos, mas não só, o que revela o mundo de possibilidades que se abre, desencorajando casamentos que aparentemente se podem assemelhar a um conto de fadas, mas que na prática redundam quase que num contrato assente numa fachada, que no seu tempo, tinha uma razão histórica.