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Uma é a mulher mais rica de Espanha, a outra lidera o império da Zara: os dois rostos das irmãs Ortega

São filhas do mesmo empresário, mas cresceram em universos familiares diferentes, tendo seguido caminhos distintos. Sandra Ortega possui uma das maiores fortunas do país vizinho, mas continua a fugir à exposição pública. Marta Ortega, por seu lado, assumiu a presidência do grupo fundado pelo pai e tornou-se uma das figuras mais conhecidas da indústria da moda. Duas irmãs e duas formas distintas de viver a herança de Amancio Ortega.
Por Ana Cristina Esteveira | 04 de novembro de 2026 às 19:33
Sandra Ortega, Marta Ortega Foto: Foto: D.R.
Marta Ortega Pérez Foto: Flash
OLEIROS, SPAIN - AUGUST 17: Sandra Ortega Mera, daughter of Foto: Foto: Getty Images
Marta Ortega Pérez Foto: Flash
OLEIROS, SPAIN - AUGUST 17: Sandra Ortega Mera, daughter of Foto: Foto: Getty Images
A filha do empresário na foto Foto: Foto: DIREITOS RESERVADOS
Marta Ortega Pérez Foto: Flash

O apelido é o mesmo, mas as presenças públicas não podiam ser mais diferentes. Enquanto uma prefere gerir os seus negócios longe das câmaras, a outra está hoje à frente de uma das maiores empresas de moda do mundo. Sandra e Marta Ortega são filhas de Amancio Ortega, fundador da Inditex, mas representam duas faces distintas do património e do universo empresarial construídos pelo pai.

Sandra Ortega, filha do empresário galego e da primeira mulher, Rosalía Mera, é a mais velha das duas e ocupa o segundo lugar na lista das maiores fortunas de Espanha. A edição de 2026 da 'Forbes' avalia o seu património em 11,5 mil milhões de euros, mais 1,5 mil milhões do que no ano anterior, de acordo com os dados divulgados esta terça-feira, dia 3. É, assim, a mulher mais rica do país vizinho. Uma posição que se explica, em grande parte, pela participação que detém na Inditex e pelos restantes investimentos que gere através da Rosp Corunna, a sociedade que concentra os seus interesses empresariais.

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Sandra: mais discreta é impossível

Ao contrário do pai, cuja imagem está intimamente ligada à história da Zara, Sandra raramente aparece em público e não concede entrevistas. A sua atividade desenvolve-se sobretudo através de participações em empresas e de investimentos em diferentes setores, com particular incidência no imobiliário. É neste domínio que se encontra uma das suas apostas mais relevantes fora de Espanha: o projeto turístico de luxo 'Na Praia', na região de Tróia e da Comporta. A operação começou a ganhar forma em 2016, quando sociedades ligadas à Rosp Corunna adquiriram terrenos à Sonae Capital por cerca de 50 milhões de euros. A empresária detém uma participação de 95% no projeto, no qual tem como sócio o arquiteto português António Uva. A aposta não se ficou pela aquisição dos terrenos: ao longo dos anos, o empreendimento foi sendo desenvolvido com o objetivo de criar uma unidade turística de luxo, integrada na paisagem da região.

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A dimensão financeira do investimento ficou também patente em 2025, quando foram canalizados mais de 110 milhões de euros para duas sociedades portuguesas envolvidas no desenvolvimento do complexo. O empreendimento prevê um hotel com 113 quartos, 45 suites e cinco villas. A abertura estava inicialmente prevista para junho de 2026, mas um incêndio que atingiu parte das instalações, em março, obrigou a adiar os planos. A nova previsão aponta para a primavera de 2027. A atividade de Sandra não se esgota no imobiliário nem na participação que herdou na Inditex. Através da Rosp Corunna, mantém interesses noutros negócios, incluindo na área farmacêutica, e continua ligada ao trabalho social iniciado pela mãe. É também uma forma de preservar o legado filantrópico de Rosalía Mera, através da Fundação Paideia Galiza, criada em 1986, uma instituição dedicada à formação, à inclusão e ao desenvolvimento de oportunidades, em particular na Galiza.

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Marta: o rosto da Zara

Já Marta Ortega nasceu de uma segunda relação de Amancio Ortega, com Flora Pérez, e escolheu um caminho muito mais próximo da empresa que o pai fundou. A sua entrada na Inditex, porém, não aconteceu diretamente num cargo de direção. Depois de se formar em Gestão Internacional na Regent's University London, em 2006, entrou no grupo no ano seguinte e começou por trabalhar em lojas da Zara e da Bershka, em Londres. Foi aí que teve contacto direto com o funcionamento das marcas e com a realidade do negócio. A passagem por diferentes áreas e mercados permitiu-lhe conhecer a empresa para lá da sua estrutura administrativa. Marta acabou por se aproximar da vertente criativa e integrou a equipa de design e desenvolvimento de produto da Zara Woman. O trabalho nessa área deu-lhe uma ligação particular à marca que está no centro do grupo e ajudou a consolidar a sua influência nas decisões relacionadas com a imagem, as coleções e o posicionamento da Zara.

A 1 de abril de 2022, assumiu a presidência não executiva do conselho de administração da Inditex, sucedendo a Pablo Isla. Foi uma mudança importante na estrutura do grupo, que passou a ter uma nova geração da família Ortega num dos seus cargos de topo. A distinção é relevante: Marta não dirige sozinha a operação diária da empresa, cuja gestão executiva está nas mãos de Óscar García Maceiras. O seu papel está ligado à orientação estratégica e à representação institucional da Inditex, com particular atenção à Zara.

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Aos 42 anos, Marta tornou-se também uma presença habitual nos principais acontecimentos da indústria da moda. Acompanha de perto o trabalho criativo, recebe figuras relevantes do setor e tem procurado reforçar a ligação da Zara a nomes da moda, da fotografia e da cultura. Em agosto de 2026, numa rara entrevista à edição britânica da 'Vogue', falou sobre a empresa, a cultura de trabalho da família e a forma como pretende preservar a identidade da marca. Nessa conversa, deixou clara uma das ideias que orientam a sua visão: não pretende transformá-la numa casa de luxo, mas continuar a oferecer peças bem concebidas a um público alargado.

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A exposição pública de Marta contrasta com a forma como Sandra gere os seus negócios. Uma está associada à imagem internacional da Zara e participa na definição do futuro da Inditex; a outra construiu uma posição própria no mundo dos investimentos, com projetos que vão muito além da fortuna herdada. Não há sinais conhecidos de rivalidade entre as duas irmãs. O que as distingue são os percursos que escolheram e a maneira como decidiram ocupar o lugar que a herança de Amancio Ortega lhes reservou.

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