Os meses que passam têm, certamente, um significado diferente para Rute Cardoso que, à medida que se afasta da data da tragédia, consegue começar a vislumbrar um caminho em que terá de se habituar à vida sem Diogo Jota. E se os primeiros tempos foram de uma incapacidade total de reagir, foi na vontade de manter viva a memória do marido e, claro, na força dos três filhos que a viúva terá encontrado uma forma de recomeçar, com alguns grandes alicerces. A família é, sem dúvida, o seu grande pilar, bem como o núcleo duro de Gondomar, cidade para onde voltou para procurar o conforto de que precisava junto dos seus. Além disso, focou-se em pequenos hobbies, como a corrida, e dedicou-se também a homenagear Jota em tudo o que perpetue o seu nome, mas também na forma como leva a vida. A viagem recente à Tailândia mostra, por exemplo, isso mesmo. Se as viagens eram a grande paixão do casal, Rute mantém agora essa tradição ao lado dos filhos, mantendo sempre o pai presente, nas conversas, nas recordações e também na forma como encara o futuro.
No ano em que começou a tomar as rédeas da sua vida, a companheira do internacional português teve também alguns desafios difíceis, como as primeiras palavras públicas sobre Diogo Jota, que constam do livro 'Diogo Jota - Nunca Mais é Muito Tempo', da autoria de José Manuel Delgado, em que aceita regressar aos dias de amor, mas também de dor, numa biografia que traça o percurso do menino de ouro nacional, com testemunhos inéditos e dolorosos, como dos pais do futebolista, que perderam os dois filhos no trágico acidente, mas também de outros familiares e amigos próximos como Ruben Neves, sendo que a ideia não é beliscar a dor, mas sim recordar tudo aquilo que Jota foi, como cresceu em Gondomar e de lá saiu para o mundo, e o apoio sempre presente de Rute, a namorada dos tempos de escola que esteve sempre a seu lado.
UM AMOR DE CONTO DE FADAS
É uma história de amor à antiga, de conto de fadas e que os fazia sonhar. Rute Cardoso e Diogo Jota começaram a namorar na ternura dos 15 anos, e desde então nunca mais deixaram a mão um do outro. Apesar da tenra idade e dos sonhos pessoais que tinha para a sua vida, a jovem não hesitou um segundo em acompanhar o namorado quando este saiu de Portugal para jogar no Atlético Madrid, em 2017.
"Já namoramos há quatro anos e com a vida dele faz sentido acompanhá-lo. Além de namorada e melhor amiga, sou a fã número 1, quero estar presente", disse em entrevista na época, acrescentando, no entanto, que isso a levaria a abdicar de alguns sonhos, como iniciar o ensino universitário, ou estar perto dos dois sobrinhos, então pequenos, bem como da sua família, que permanecia em Gondomar.
Na mesma entrevista, Rute recordava também o início do romance, na escola. "O Diogo já andava em Gondomar e eu vim de Jovim, e calhámos na mesma turma. Ele era aplicado, por um lado, desinteressado por outro. Conseguia tirar boas notas, mas sem estudar muito."
Desde essa altura, e ainda numa fase em que Diogo Jota não tinha o salário galáctico que recebia no Liverpool, o casal começou a dar vida àquela que seria uma grande paixão em comum: as viagens. Juntos, correram o mundo, primeiro como solteiros, depois com os filhos, em momentos emocionantes que partilhavam com os fãs através das redes sociais. Nessas férias, era possível ver o lado mais romântico de Jota, que preparava frequentemente surpresas para a mulher.
Apesar do longo namoro, irónica e tragicamente só se casariam dez dias antes do fatídico acidente que vitimou Diogo Jota e o irmão, André Silva, numa cerimónia como ambos sonharam, em que Rute envergou um vestido de princesa e tiveram toda a família e amigos reunidos.