Havia quem acreditasse que esta poderia ser a visita da reconciliação. Depois de vários anos marcados por tensões, processos judiciais e trocas de acusações públicas, colocou-se em cima da mesa um cenário idílico: o príncipe Harry regressaria ao Reino Unido, acompanhado por Meghan Markle e pelos dois encantadores filhos, Archie e Lilibet, ficando instalado no Palácio de Buckingham num clima de união familiar que teria como protagonista Carlos III, que lideraria aquela que já era considerada uma cimeira de paz entre o clã. No entanto, o cenário rapidamente mudou e a deslocação acabou por ficar marcada por novos desentendimentos, problemas logísticos e mais um revés judicial.
A visita, preparada há vários meses, tinha como principal objetivo a promoção dos Jogos Invictus, cuja próxima edição será realizada em Birmingham, em 2027. Contudo, antes mesmo do início da agenda oficial, começaram a surgir notícias de que Harry não iria ficar alojado numa residência da família real, contrariando aquilo que muitos esperavam.
Segundo vários meios de comunicação britânicos, Carlos III terá convidado o filho a instalar-se numa das propriedades reais durante a estadia, mais precisamente no Palácio de Buckingham. No entanto, a resposta do duque de Sussex terá chegado demasiado tarde, numa altura em que a logística já não permitia receber novos hóspedes, o que terá inviabilizado a sua permanência. A situação acabou por gerar interpretações distintas: enquanto fontes ligadas ao Palácio sublinham que se tratou apenas de uma questão de organização, outros acreditam que o episódio é mais um reflexo da relação distante entre pai e filho, com barreiras intransponíveis
A questão da segurança voltou igualmente a estar em cima da mesa, com grande controvérsia à mistura. Desde que abandonou as funções de alto membro da família real, Harry deixou de beneficiar da proteção policial financiada pelo Estado britânico, uma decisão que continua a contestar. Agora, essa mesma recusa foi alegada como o principal motivo para que mantenha a mulher e os filhos à margem desta viagem, uma vez que considera não estarem reunidas as condições de segurança para que Meghan e as crianças visitem e permaneçam no Reino Unido. Apesar de todos os rumores, não está, no entanto excluída a possibilidade de isso ainda vir a acontecer durante a estadia.
No entanto, segundo a opinião de vários comentadores, este assunto teria sido facilmente contornado, com algumas alternativas discretas, caso houvesse vontade real de ambas as partes para enterrar o machado de guerra, o que pode não ser o caso, uma vez que os ressentimentos e os casos mal resolvidos do passado continuam a ditar a relação entre Harry e os restantes membros do clã, sendo que Carlos seria a única ponte possível, uma vez que com o irmão William o corte tem sido mais radical.
O JULGAMENTO QUE NÃO CORREU COMO HARRY QUERIA
A viagem coincidiu ainda com um momento particularmente delicado para o duque de Sussex. Após várias semanas de julgamento, o Tribunal Superior de Londres rejeitou grande parte das alegações apresentadas por Harry contra um importante grupo editorial britânico, que detém o jornal 'Daily Mail', num processo relacionado com alegadas práticas ilegais de obtenção de informação. O desfecho representa uma derrota significativa para o príncipe, que reagiu com um comunicado duro, acusando o sistema de proteger os interesses dos grandes grupos de comunicação social.
Entretanto, Meghan Markle deverá juntar-se ao marido em alguns dos compromissos públicos previstos durante a visita ao Reino Unido. A imprensa britânica avança ainda que a família poderá deslocar-se a outros pontos do país, incluindo Althorp, propriedade onde está sepultada a princesa Diana, mãe de Harry. Na aparição pública prevista para os Jogos Invictus, ainda não está completamente descartada a hipótese de o casal se fazer acompanhar pelos dois filhos, garantindo, a título particular todas as questões de segurança.
Apesar de todas as expectativas criadas, o tão aguardado momento de aproximação entre Harry e a família real continua sem acontecer. Carlos III prossegue o tratamento contra o cancro e mantém uma agenda cuidadosamente gerida, enquanto a relação com o filho permanece envolta em reservas e desconfiança.
Mais de cinco anos depois da saída dos duques de Sussex da família real enquanto membros ativos, cada regresso ao Reino Unido continua a ser acompanhado por uma sucessão de especulações, polémicas e processos judiciais. E, pelo menos para já, tudo indica que a paz entre Harry e a monarquia britânica continua tão distante quanto nos últimos anos.