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Finalmente a entrevista! Os bastidores da saída de Judite Sousa da CNN, contados pela própria, em exclusivo: "Eu estou a falar a verdade"

A jornalista está triste com a forma como chegou ao fim a sua ligação com a CNN, mas mais importante, desiludida como tem sido tratada por algumas pessoas. "Vivemos num país onde uma pessoa, estando frágil, não pode aparentar em público essas vulnerabilidades porque se o fizer é meio caminho andado para se lhes por o pé em cima", diz em exclusivo à The Mag. Uma entrevista onde reitera todas todas acusações que lançou à Media Capital de Mário Ferreira e onde garante que não vai voltar ao jornalismo.
Rui Teixeira
Rui Teixeira
05 de agosto de 2022 às 07:47
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Judite Sousa e Nuno Santos
Guerra, mentiras e vídeo, podia ser o título deste "filme". O caso Judite Sousa-TVI/CNN apanhou quase todos de surpresa devido aos contornos das graves acusações da jornalista à sua antiga entidade patronal. Mas também pela forma inédita como o diretor da estação, Nuno Santos, esteve duas vezes em direto nos dois canais da Media Capital a tentar refutar essas mesmas acusações. 

Tudo começou quando uma espectadora mais atenta aproveitou a presença de Judite Sousa no Instagram para lhe perguntar diretamente se a sua ausência dos jornais da CNN queria dizer que tinha deixado o canal de informação. Judite, de 61 anos, respondeu que sim. Estava aceso o rastilho para rebentar uma enorme bomba que deixou marcas nos dois lados da barricada.

Mas afinal de que se queixa Judite Sousa? São cinco as principais reclamações:

- Ausência de um contrato de trabalho durante 5 meses e meio;
- Sem pagamento de ordenado durante 5 meses e meio;
- Falta de seguro de saúde e de vida quando esteve a cobrir a guerra em Lviv, na Ucrânia;
- Ocultação à redação da CNN do seu cargo de coordenadora editoral; 
- Bullying.

Depois do texto que acrescentou nas suas redes sociais após o caso ser conhecido, Judite Sousa explica agora em exclusivo à The Mag como se sente neste período conturbado da sua vida, um momento que não define a sua carreira de quase quatro décadas, mas que inevitavelmente mexeu consigo, até porque assume com frontalidade as fragilidades decorrentes da tragédia que lhe aconteceu com a morte do filho, André Bessa: "A partir do momento em que o meu filho morreu há uma franja mediática que começou a olhar para mim como uma pessoa frágil, facilmente manipulável do ponto de vista emocional. Aquele respeito que existia em relação a mim, fruto de uma carreira de 40 anos, diluíu-se."

Então afinal como se sente Judite Sousa? "Fisicamente estou muito bem, obviamente emocionalmente abalada. Estes oito anos não foram fáceis e não foi só a morte do meu filho. Houve muita coisa que se passou na minha vida que tive de ultrapassar. Este é mais um momento." 

"EU ESTOU A FALAR VERDADE. MOSTREM OS DOCUMENTOS"

Admitindo que "não merecia" estar a passar por toda esta polémica, a conceituada jornalista reitera na primeira pessoa tudo que tem vindo a ser divulgado, tal como publicou a TV Guia na edição que chegou às bancas esta quinta feira. "Houve uma tentativa de me desmentir por parte da Media Capital, através do Nuno Santos. Ele fez o papel dele, mas penso que os portugueses perceberam de que lado está a verdade. Se dizem que eu menti, onde está o processo por difamação? Se dizem que eu menti, onde estão os documentos a provar isso? Não existem, porque eu estou a falar a verdade."

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Apresentador da CMTV relata situações que levaram Judite Sousa a bater com a porta do canal de notícias.
Nuno Santos, primeiro telefonicamente no 'Dois às 10' da TVI e depois presencialmente num jornal da CNN afirmou estar surpreendido com a notícia da renúncia de Judite ao contrato de trabalho a recibos verdes que celebrou apenas na primeira semana de maio. "A indicação que temos é que ela está de baixa", disse.

"Foi enviado pelo meu advogado uma notificação no dia 23 de junho com a rescisão do contrato. Portanto como é que a Media Capital diz que está surpreendida, agora em agosto?", contrapõe Judite, que com voz determinada insiste na sua versão que esteve na Ucrânia completamente desprotegida pelo canal.

Os melhores momentos de Judite Sousa na CNN
Judite Sousa
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Judite Sousa
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Judite Sousa
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Judite Sousa
Judite Sousa
Judite Sousa
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"Sabia obviamente que não tinha contrato mas aceitei ir, o que não sabia é que não tinha seguro de vida nem de saúde. E estive doente na Ucrânia e precisei de ser injetada duas vezes. Nunca assinei papel nenhum antes de ir. E não me deram dinheiro nenhum, é verdade quando digo que não conheço a cor das notas da Ucrânia", refere, sublinhando que "só 10 dias depois de regressar" é que a empresa lhe apresentou um contrato de 30 dias com um seguro associado. "Esse documento só chega quando já estou em Portugal. Não o assinei, claro. Olhando agora para trás vejo que não houve cuidado em proteger-me", lamenta-se.

VÍTIMA DE BULLYING

E vai mais longe quando justifica a acusação de ser vítima de bullying. "Antes de ir para o ar na estreia, no dia 22, só quatro ou cinco pessoas é que vieram desejar-me boa sorte. O bullying começou na semana anterior, quando saíram duas notícias cuja origem só pode ser de um sítio: a primeira, que o meu contrato estava fechado a sete chaves e que só era do conhecimento da administração e que estava a causar muito mal estar na empresa. Isto quando não havia contrato nenhum, como agora se percebe. A segunda, foi no dia da estreia, logo uma hora depois, quando os jornais online me acusaram de não dizer 'boa noite' no início do jornal - o que é mentira, basta ver o vídeo - e que o meus colegas não me perdoavam."

"Há mais situações, mas não vou desenvolver", diz Judite, certa, no entanto, que havia quem lhe quisesse mal. "O objetivo era desestabilizar-me do ponto de vista emocional. E a empresa não saiu em minha defesa. Em nenhuma das situações."

Os momentos mais marcantes de Judite Sousa na TVI
judite sousa
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Terá sido nesse momento que Judite percebeu que o sonho de integrar um projeto pioneiro em Portugal com a marca internacional da CNN iria tornar-se num pesadelo: "Vivemos num país onde uma pessoa, estando frágil, não pode aparentar em público essas vulnerabilidades porque se o fizer é meio caminho andado para se lhes por o pé em cima."

E durante este processo alguma vez teve uma palavra de apoio do diretor-geral da TVI, José Eduardo Moniz? "Nunca tivemos uma relação próxima. Ele como diretor-geral não é uma presença na redação, vi-o uma ou duas vezes. Mas sei que ele nunca me iria proteger. Por muito que o pudesse querer fazer." 



Mesmo tendo inaugurado a CNN sem contrato e ter estado cinco meses e meio sem receber, Judite garante que não vai procurar ser ressarcida de qualquer valor. "Não foi o dinheiro que me levou a aceitar ir para a CNN. Foi o projeto. Abrir um canal de televisão é um momento que dá satisfação, que nos orgulha. Está feito. E não vou voltar a falar neste assunto", assume, deixando a ideia que a ligação ao jornalismo, tal como a fomos conhecemos ao longo de 40 anos, está terminada: "Eu quero é paz e sossego."

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