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Mário Vaz Maia, o irmão de 26 anos de idade do famoso cantor Nininho Vaz Maia, de 38, está entre os setenta membros da 22.ª esquadra do Largo do Rato, em Lisboa, que alegadamente terão usado um grupo de WhatsApp para divulgar vídeos de chefes e agentes a agredir e a violar imigrantes no interior destas instalações policiais. Os vídeos de detidos alegadamente sujeitos a tortura, agressões e violação, levou à detenção de 24 polícias e um civil. Um dos suspeitos detidos é o antigo concorrente do programa infantil da TVI 'Uma canção para ti', na TVI em 2009, que alegadamente terá participado nas agressões a várias vítimas.
A situação toma contornos escandalosos quando, há sete anos, com 19 de idade, Mário Vaz Maia participou num vídeo do Alto Comissariado para as Migrações sobre o sucesso de integração de jovens da comunidade cigana no Ensino Secundário em Portugal. Mário está agora detido com mais 15 colegas no Cometlis, a sede da PSP em Lisboa, no Parque das Nações, e deverá ser presente em breve a um juiz que irá determinar as medidas de coação que lhe serão aplicadas. Devido à complexidade deste processo, que está a abalar a estrutura da PSP e fez o Governo questionar a responsabilidade das chefias desta instituição, Mário poderá ter de esperar vários dias até que o seu futuro seja definido. É de recordar que nove dos 25 detidos nesta operação, capturados entre março e julho de 2025, se encontram atualmente em prisão preventiva na cadeia de Évora.
Os relatos feitos pelas supostas vítimas dos agentes da esquadra do Rato revelam, a confirmarem-se as acusações, um cenário de terror. Chapadas na cara, murros na cabeça, vários socos no corpo, no abdómen, na zona das costelas, violações e humilhações executadas em grupo em salas fechadas. Um das mais graves terá ocorrido com dois egípcios que foram testemunhas de uma agressão a um imigrante africano numa rua do Cais de Sodré. Enquanto isso, o relatório aponta que o arguido Guilherme L., o principal instigador das sevícias, filmava com o telemóvel. As partilhas começaram a espalhar-se por subgrupos, à medida que os agentes rodaram de esquadra, e a denúncia não tardou, um ano após o início das sessões de tortura.
Os atos abusivos no interior da Esquadra do Rato não ficaram por aqui e os vídeos comprová-los-ão. Alegadamente, há imagens de homens detidos e violados, nomeadamente um sem abrigo, e outro que terão violado com um bastão extensível e um cabo de vassoura. O amigo de uma das vítimas de violação, que foi obrigado a assistir a tudo, foi forçado a cantar o 'Parabéns a você' enquanto o amigo gritava com dores no ânus. O vídeo foi partilhado num grupo de WhatsApp de agentes da polícia, um deles comentou em tom jocoso: "Que lindo".
A DESCRIÇÃO DAS ATROCIDADES COMETIDAS À PORTA FECHADA
A partilha de vários conteúdos no grupo restrito de WhatsApp é relatada pela Procuradora da República, Felismina Carvalho, encarregue desta investigação, que também revela a descoberta de vídeos e fotografias incriminatórias nos telemóveis dos, para já, 25 arguidos. É o exemplo de um vídeo que mostra um imigrante caboverdiano que foi sujeito a “várias chapadas na cara, murros na cabeça, vários socos no corpo, no abdómen” tendo a arma do agente apontada à cabeça como forma de intimidação. “Vamos-te matar”, prometeu Guilherme L.. A vítima tinha rastas que lhe foram cortadas por vários agentes e deitadas fora no caixote do lixo.
Além deste vídeo, há descrições no grupo a gozar com uma vítima: "Este vai acordar todo f***** amanhã”, “ele levou tanto que entrou em choque mano”, “estava acordado mas não tava”, “ahahahahah foi pena não ter morrido esse paneleiro”, “eu metia o gajo no Tejo”, e “mano, se tivesse morrido távamos na merda”, são alguns dos comentários encontrados pela equipa de investigação. Há ainda outro vídeo filmado no interior da esquadra com uma vítima de nacionalidade marroquina deitada no chão, a chorar, enquanto dois agentes lhe exigem que lhes beije as botas de serviço. Chorava "devido aos pontapés, socos e bastonadas de que tinha sido vítima enquanto os elementos policiais lhe diziam ‘Beija, Kiss, kiss, kiss, kiss, kiss c******’’ e outro ‘Welcome to Portugal'". Ainda um suspeito de roubo por esticão, acabou na esquadra do Rato e sob jugo de Guilherme L. e de outro agente, que lhe “algemaram ambas as mãos e pés (…) a um banco de madeira ali existente, como se estivesse crucificado numa cruz, impossibilitado de se mexer ou resistir”. Foi alvo de “vários socos, atingindo-o na cabeça e em toda a parte superior do corpo, e [os agentes] desferiram pontapés dados com a biqueira das botas de serviço que envergavam, atingindo-o nas canelas. Ainda algemado, foi atingido com gás pimenta".
O MENINO QUE QUERIA SER CANTOR OU FUTEBOLISTA...
Em 2009, quando participou a cantar no programa infantil 'Uma Canção Para Ti', apresentado por Manuel Luís Goucha e Júlia Pinheiro, o pequeno Mário sonhava então ser "cantor ou futebolista", mas a vida deu-lhe uma volta e acabou por integrar as forças de segurança, fazer parte dos quadros da PSP e ser colocado na 22.ª Esquadra de Lisboa, agora famosa pelas piores razões. Na altura, a criança alegre que gostava de brincar e jogar à bola com o primo Igor Russo e olhava pelo primo de dois anos Cristiano Maia, filho do mano mais velho Nininho, frequentava a Casa da Juventude do Beato, um projeto de inclusão social para as famílias que tinha sido realojadas no bairro da Picheleira, depois da demolição do antigo e problemático bairro da Curraleira, junto ao Cemitério do Alto de São João, na capital.
Na terceira fase do concurso infantil, Mário ficou em sexto lugar, apesar de ter aulas de canto com o irmão Nininho na Casa da Juventude do Beato. Sem ser ainda conhecido, Nininho Vaz Maia esteve na plateia a bater palmas pelo irmão de 9 anos, e jurou que um dia ainda se meteria num concurso televisivo por saber que cantava "melhor do que muitos que vejo na televisão". Em 2021, numa entrevista a Goucha, Nininho revelou que o irmão tinha deixado uma carreira artística para trás "porque quis" e nessa emissão o irmão mais novo deixou-lhe uma mensagem de gratidão e apoio: "Estamos aqui para te dizer que és uma pessoa extraordinária, um segundo pai para mim. Ver-te crescer deixa-me extremamente feliz, estamos juntos em todas as nossas vidas".
NOME DE NININHO ENVOLVIDO EM REDE DE DROGA E APARECE COMO TRAFICANTE EM 'RABO DE PEIXE'
Esta terá sido a última aparição de Mário em televisão antes de agora voltar a ser notícia. Antes do filho mais novo de Ana Paula e Avelino Maia ser detido, no espaço de menos de um ano é a segunda vez que o coração de pais sofre com a detenção de um filho. Ainda acusado de tráfico de droga, o cantor Nininho vê agora o irmão detido e em risco de ser acusado de ser o algoz de imigrantes no interior da esquadra do Rato. No verão de 2025, Nininho Vaz Maia foi detido em casa e constituído arguido num processo por alegado envolvimento no transporte de droga para Espanha e França, numa rede internacional de tráfico de droga que aproveitaria as deslocações em tournée do cantor por Portugal, Espanha e até França. A demora na investigação do caso de Nininho deve-se ao facto da rede comunicar através de mensagens encriptadas, o que está a fazer demorar o esclarecimento dos factos e o desfecho deste processo. Nininho jura inocência e não foi penalizado pelos seus fãs. Para ajudar à imagem do artista, este participa na terceira temporada da série da Netflix 'Rabo de Peixe' onde faz o papel de um traficante de droga.