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Noah um ano depois: o que aconteceu ao menino-milagre, a história do restaurante e os mistérios ainda por resolver

Que é feito de Noah, o menino-milagre de 2 anos, que andou desaparecido na zona de Idanha-a-Nova e que que apareceu, são e salvo, 36 horas depois? Passado um ano sobre a história que emocionou o país, contamos o que aconteceu e quais os novos planos da família.
Luísa Jeremias
Luísa Jeremias
23 de junho de 2022 às 23:40
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Noah, criança, desaparecida, Proença-a-Velha
No dia 17 de junho de 2021 Noah, um menino de dois anos e meio, era encontrado vivo e sorridente, no meio do mato, após 36 horas desaparecido. O acontecimento, que comoveu o país, teve em Proença-a-Velha, concelho de Idanha-a-Nova, Beira Baixa e foi dos mais falados do ano. Afinal, durante dois dias e uma noite guarda, família, população local, amigos de fora, mobilizam-se e revolveram campos de mato alto, o rio que por ali passava, tentando encontrar o paradeiro da criança, sem qualquer resultado. As televisões acompanharam em direto as buscas e o país "rezou" para que o menino que saíra de casa dos pais, sem nada dizer, na madrugada, alegadamente para encontrar o pai, aparecesse são e salvo. Foi o que aconteceu. Só que a história não acabou nesse momento. 

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Noah chegou sonolento, desidratado e com escoriações mas está 'fora de perigo', diz hospital

Já a salvo, Noah foi descansar e os pais - o uruguaio Leandro Fans, que trabalhara como chef em Lisboa, e Rita Caupers de Bragança, antiga produtora que deixara os confortos da cidade para rumar ao campo em busca de uma vida "saudável" e sustentável - permaneceram sob o olhar discreto da polícia judiciária que não abandonou o caso do menino desaparecido naquele momento. Havia questões por responder, sendo a mais importante de todas: onde estivera Noah durante 36 horas e como sobrevivera, sozinho, no mato, em noites frias - como se sentiram há um ano naquela região.  


PROCESSO ARQUIVADO E EXPLICAÇÕES DADAS PELA PRÓPRIA CRIANÇA 

O processo acabaria por ser aquivado pela PJ nos últimos dias de setembro do ano passado (três meses depois da ocorrência). Concluiu o relatório, ao qual o Correio da Manhã teve acesso, que não houve qualquer tipo de negligência por parte dos pais da criança e que esta desapareceu de casa por ser "irrequieta e ativa". De acordo como mesmo relatório é o próprio menino quem confirmou aos psicólogos que com ele conversaram após o acontecido, "que se despiu, que se descalçou, que fez xixi na fralda, que a despiu, que bebeu água da ribeira e que brincou na lama". E ainda que durante a noite ao relento "teve muito frio". 

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Reconstituição do percurso de Noah até ao riacho onde estavam peças de roupa

Perante este ralato, a observação do menino no hospital após ser encontrado e as tais conversas com psiocólogos, o relatório da PJ conclui que "Apesar do trauma vivido, Noah denota ser uma criança bem física e emocionalmente". E assim se arquivou o processo. 

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Noah e a cadela Melina Foto: instagram

E depois disto? O que aconteceu?


UM ANO DEPOIS...


Na aldeia de Proença-a-Velha e arredores, a vida voltou ao "normal" após os repórteres da televisão e dos jornais terem concluido as suas reportagens sobre o pequeno Noah. A criança estava viva, salva, em casa dos pais. 

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O bebé Noah, ao lado dos pais, quando foi encontrado Foto: Cofina Media

Desde essa altura o casal também recuperou o seu dia a dia sem surpresas: continuaram a sua agricultura de subsístência, os encontros com amigos das várias comunidades da zona que também defendem que a vida no campo deve ser feita da forma mais natural possível. Após a invasão exterior de jornalistas que relataram a história das buscas pelo menino de dois anos, o casal decidiu proteger-se a si próprio e aos filhos. Fecharam as redes sociais - só deixando abertas aos seus próximos - muitos do que ajudaram nas buscas do menino. 

Mas não se fecharam ao mundo. Rita e Leandro continuam a viver em Proença-a-Velha e, surpresa, estão a programar abrir um restaurante naquela aldeia da Beira interior, dando assim continuidade a uma atividade que é familiar ao antigo chef e que pode ajudar a desenvolver a região onde a desertificação impera. 

Para os ajudar contam com os amigos, das comunidades vizinhas, em especial a de Penamacor, onde vivem portugueses e sobretudo muitos estrangeiros (holandeses, alemães, franceses...) que, tal como os pais de Noah, acreditam que é possível recomeçar e levar uma vida saudável e "limpa" longe dos grandes centros urbanos, vivendo de agricultura de subsistência, trabalhos aretsanais vendidos em mercados da região e até troca direta de bens essenciais. 

Do "incidente", das buscas e da impressionante descoberta da criança, quase sem marcas no corpo apesar das 36 horas desaparecida e da noite passada ao relento, pouco e nada se vai falando na região, apesar das perguntas que ficaram sem resposta: como foi possível Noah estar tão bem - apenas desidratado, de acordo com o hospital - após tanto tempo sozinho e perdido, e como "escapou", afinal, de casa dos pais.

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Bebé Noah já teve alta e saiu do hospital pelo próprio pé de mão dada com a família

Segundo o relatório da PJ que arquivou o processo, e que afasta a intervenção de terceiras pessoas no desaparecimento da criança, está escrito que: "perguntaram se ele tinha ouvido as pessoas a chamarem-no, mas ele respondeu que não viu nada, nem viu ninguém. Explicou que ouviu apenas uma pessoa e foi ao encontro dela [indicando um dos membros do casal que o encontrou]". Mais, Noah contou que na noite que antecedeu a sua "fuga" de casa, o pai contou-lhe "sete histórias para adormecer", uma vez que havia trovoada e o menino estava com medo.

Informa ainda o relatório que, por causa do mau-tempo, a mãe também dormiu no beliche do filho e só se apercebeu de manhã, quando acordou, de que este já não se encontrava em casa.

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