O regresso da "senhora covid": como Marta Temido aceitou voltar, após 'calvário' superado com apoio do marido
Antiga Ministra da Saúde assume desafio das Europeias depois de a vida no Governo quase a ter levado ao limite. Dos tempos em que precisou de andar com segurança e viu a sua vida a abanar, Marta Temido guarda o espírito de resiliência e o apoio em casa de alguém que nunca a deixou cair: o marido, Jorge Simões.
Aos 50 anos de idade, Marta Temido tem pela frente um novo desafio, que não a assusta: é cabeça de lista do PS para as europeias, num passo à frente que não surpreende os mais chegados, que há muito que constataram as novas ambições políticas da ex-ministra da Saúde de António Costa.
Foi um ponto de viragem na vida de Marta Temido, que na altura já levava praticamente quatro anos à frente do Ministério da Saúde. A pausa foi aproveitada ao máximo por Marta Temido para se dedicar ao seu grande apoio, que esteve sempre a seu lado, mesmo quando as polémicas em torno do setor da saúde pareciam impossíveis de controlar, o marido, Jorge Simões.
Junto há vários anos e sem filhos, os dois têm uma relação à prova de polémicas e o companheiro não pensou duas vezes, por exemplo, em deixar a presidência do Conselho Nacional de Saúde quando Marta Temido assumiu a pasta da Saúde para não gerar incompatibilidades.
"É evidente que não é fácil. Somos dois indivíduos, cada um tem o seu percurso, cada um tem o seu espaço profissional, masneste caso poderia gerar dificuldades de percepção", disse a ex-ministra sobre a decisão do marido em renunciar ao cargo.
Muita coisa mudou na vida de Marta Temido depois de ter entrado para o Governo, e as mudanças foram tão bruscas que, a dada altura, precisou de começar a andar com segurança. No entanto, tentava prescindir de guarda-costas na maioria dos casos, como acontecia nas férias do Algarve. No auge da fama que a pandemia lhe trouxe, não abdicou dos habituais dias de descanso na Praia Verde, no Algarve, e as fotos em que aparecia de biquíni verde ao lado do marido, de chapéu de palha correram o País.
Marta Temido e o marido, Jorge Simões, no AlgarveFoto: Cofina Media
Sobre a multidão que não tirava o olho de si, a ex-ministra de António Costa garante que foi um aspeto difícil de lidar. "As primeiras férias depois de estar neste lugar foram muito penosas. Eu não sabia que as pessoas iam ficar a olhar para mim. Ficava muito desconfortável", admitiu, adiantando, no entanto, que a maioria das abordagens foi "simpática".
Com a pasta da Saúde a não lhe deixar quase tempo livre, Marta assume que deixou de fazer o que quer que fosse em casa e que passou a ser o marido a assegurar tudo. "Não há rotina. Cozinhar é completamente impossível porque nos 'dias bons' chego pelas 22h. Tenho muito apoio do meu marido e estou totalmente dispensada das tarefas domésticas até ao fim do surto", disse ao 'Expresso' durante a pandemia.
Quando saiu do Governo, Marta pôde colocar o tempo em família em dia, mas nessa altura já tinha o "bichinho" da política e, quando se falava que a ex-ministra estaria pronta para entrar na corrida à Câmara de Lisboa, surge a notícia de que seria cabeça de lista para as Europeias. É um novo ciclo que começa.