O livro é um virar de páginas compulsivo, vendeu milhões de cópias em todo o mundo e fez com que Freida McFadden, uma médica norte-americana, passasse cada vez menos tempo com os seus pacientes para se sentar à secretária a escrever livros. Desde o sucesso de 'A Criada', em 2022, a escritora já publicou uma série de títulos novos e o sucesso em torno de tudo aquilo que põe cá fora faz com que o livro de estreia seja o primeiro a ser adaptado a uma produção cinematográfica. Já estreou, com Amanda Seyfried e Sydney Sweeney, nos papéis principais e está a dividir público e a crítica.
Se não está familiarizado com a história, esta centra-se em torno de Millie, uma jovem rapariga que, após alguns erros, começa de novo e recebe uma oportunidade de trabalho na casa de Andrew e Nina, como empregada interna. É, na verdade, uma mansão, onde o casal vive com a filha. Só que no decorrer da trama, coisas estranhas começam a acontecer, com muita tensão, plot twists e tudo aquilo que é a imagem de marca de Freida passado para o grande ecrã.
“É diabolicamente divertido, um delicioso jogo de espelhos, no qual a realidade se revela infinitamente maleável”, escreve o 'The Wall Street Journal', mas nem todas as opiniões são assim tão elogiosas. "Apesar do empenho genuíno de Amanda Seyfried, o filme fica preso num limbo entre o sensacionalista e o excessivamente sério e acaba por ser apenas lixo puro, tratando de forma leviana o destino horrível que se desencadeia para outra pessoa como se fosse um plano bom e sensato”, ouve-se no podcast 'Movie Madness'.
Apesar da divisão de opiniões, como acontece em todos os grandes fenómenos, o balanço tem sido positivo, com uma corrida aos cinemas e a fazer sair Freida, que inicialmente se queria manter na sombra, pelo facto de ser médica, do anonimato.
A MENINA QUE CRESCEU ENTRE A MATEMÁTICA E OS LIVROS
Filha de médicos, Freida cresceu em Manhattan, entre o fascínio pela matemática, e os (muitos) livros que os pais lhe faziam constantemente chegar às mãos. Lia muito e cedo começou a escrever, sendo que já na vida profissional, tinha um blogue onde relatava o outro lado da sua vida de médica, e o que acontecia nos corredores de hospital, sempre com a preocupação de preservar a intimidade dos seus pacientes.
Escrever tornou-se, então, numa necessidade, e todos os momentos livres caminhavam para aí. Escreveu muito, propôs livros a editoras, engavetou outros tantos e, curiosamente, aquele que é hoje um dos seus maiores êxitos, esteve quase para não ver a luz do dia porque, a dada altura, Freida achou que não havia espaço no mercado para a história de Millie, 'A Criada', que considerava ser um pouco obscura. O livro acabou por ser resgatado, anos mais tarde, diretamente para o top e levando-a a vender milhões de cópias.
O estrondoso sucesso levou a que Freida passasse a inverter os papéis e a fazer da escrita a sua carreira principal, enquanto a medicina é hoje quase um hobbie. Neste momento, não atende mais do que duas vezes por semana, fazendo essencialmente seguimento de pacientes que já tinha e abrindo uma ou outra exceção quando acha que se justifique.
Assoberbada com o seu próprio êxito, admite que estar exposta nem sempre é fácil, sobretudo porque quem está no topo suscita, muitas vezes, amor na mesma medida do ódio, e aprender a desvalorizar as críticas tem sido um processo. No entanto, deixa um recado a todos os que lhe apontam o dedo com base nas considerações de que os livros de Freida são previsíveis e superficiais. "Não estou a tentar escrever o 'Guerra e Paz'. Só quero entreter."