A discrição é uma das principais características da família real espanhola, e a infanta Cristina é uma das suas maiores defensoras. Desde que o caso Nóos rebentou e, mais tarde, após o fim do casamento com Iñaki Urdangarin, a irmã de Felipe VI tem feito de tudo para preservar a sua vida privada e manter-se afastada da exposição mediática. A mesma postura exige aos quatro filhos, a quem pede que ajam sempre com a máxima discrição.
A filha dos reis eméritos de Espanha, Juan Carlos I e Sofia, faz tudo para preservar a sua privacidade e manter-se afastada dos holofotes. Sempre que sente que esse equilíbrio é ameaçado, reage sem hesitar. Foi isso, ao que tudo indica, que a levou a cortar, de vez, relações com o ex-marido.
E não, não foi sequer o facto de ter sido publicamente humilhada após a publicação das fotografias que expunham a traição de Iñaki aos olhos do mundo inteiro. Essas imagens acabaram por não ser suficientes para quebrar a ligação entre os dois, pois Cristina engoliu a mágoa e procurou manter uma relação cordial com o pai dos seus filhos.
A prova disso é que o ex-casal chegou a criar um grupo de WhatsApp com os quatro filhos para coordenar a logística familiar, organizar os momentos passados em conjunto e partilhar as respetivas agendas. O objetivo era garantir uma convivência cordial, permitindo que ambos mantivessem uma relação próxima com os filhos sem alimentar conflitos ou criar tensões desnecessárias.
A gota de água foi a publicação do livro de memórias de Iñaki que acabou por empurra Cristina e todos os Borbón para a praça pública. Uma vez mais. Mas a maior desilusão de Cristina prende-se com a exposição dos aspetos íntimos da sua vida privada e as dificuldades que marcaram os últimos anos do casamento. Isso é algo que ela não perdoa, especialmente porque o ex-marido nunca lhe falou disso antes da publicação das suas memórias.
Além disso, a irmã de Felipe VI terá ficado profundamente magoada por entender que Iñaki Urdangarin tentou atribuir-lhe, bem como à família, parte da responsabilidade pelo caso Noos, quando considera que certas decisões foram tomadas exclusivamente pelo próprio. Terá ainda estranhado a ausência de uma verdadeira autocrítica por parte de Urdangarin, assim como a falta de um pedido de desculpas pelos acontecimentos que levaram ao fim do casamento.