Há três semanas que a Polícia Judiciária tentava seguir o rasto de Ricardo Claro. O gestor, de 50 anos, diretor financeiro de um restaurante de luxo em Vale do Lobo, no Algarve, desaparecera de forma misteriosa após um jantar em casa da mãe, em Faro, e desde então tudo se revelava um perfeito mistério, que foi sendo solucionado nas semanas seguintes até o corpo ter sido encontrado no dia 2 de abril, numa zona de terrenos baldios, perto de Loulé, depois de o sistema GPS do carro de Ricardo ter sido fundamental para conduzir a polícia ao local.
Só a autópsia poderá determinar a causa da morte, mas os primeiros indícios recolhidos pelas autoridades apontam para uma morte extremamente violenta. Segundo revelou o Correio da Manhã, o empresário tinha os pulsos e os tornozelos amarrados com fita adesiva e poderá ter passado perto de três horas fechado na bagageira do carro antes de os assaltantes terem conseguido verificar os códigos de cartões bancários e aceder ao cofre do restaurante para o qual Ricardo trabalhava - onde estava guardada uma grande quantia de dinheiro. Terá sido depois selvaticamente apedrejado, havendo também indícios de uma morte por asfixia.
Os homens, de nacionalidade brasileira, que conseguiram viajar para o país de origem e estão em fuga, deixaram, depois, o corpo de Ricardo no descampado e conduziram o automóvel deste até Olhão, onde deixaram a viatura, seguindo depois a sua rota de fuga. Há um terceiro suspeito, detido e já interrogado, que garante não ter tido participação direta no crime. Indícios apontam também para uma conexão sentimental com algum dos envolvidos, o que poderia facilitar o conhecimento da vítima, das suas rotinas e garantido o sucesso do plano. Um dos suspeitos já teria, também, trabalhado no restaurante onde Ricardo também exercia funções de recursos humanos.
A investigação prossegue sob direção do Departamento de Investigação e Ação Penal de Faro, sendo que até agora apenas o suspeito de 39 anos, que está em prisão preventiva, poderá ajudar a compreender o que aconteceu.
As cerimónias fúnebres irão acontecer depois de a autópsia, que poderá determinar a causa da morte de Ricardo Claro.