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Visita Papal a Espanha

Visita histórica: Papa Leão XIV já aterrou em Madrid recebido pelos reis de Espanha e sob controvérsias entre milhões de euros e crise humanitária

O papa Leão XIV iniciou uma histórica viagem de sete dias a Espanha, onde foi recebido pelos reis Felipe VI e Letizia, pela princesa Leonor e infanta Sofia.
Por Hélder Ramalho | 06 de junho de 2026 às 11:46
Visita do papa Leão XIV a Espanha Foto: Getty Images
Visita do papa Leão XIV a Espanha Foto: Getty Images
Visita do papa Leão XIV a Espanha Foto: Getty Images
Visita do papa Leão XIV a Espanha Foto: Getty Images
Visita do papa Leão XIV a Espanha Foto: Getty Images

O Papa Leão XIV aterrou no Aeroporto Adolfo Suárez/Barajas, em Madrid, na manhã deste sábado, dia 6 de junho, dando início àquela que é a primeira visita de um líder da Igreja Católica a Espanha nos últimos 15 anos. A última tinha sido protagonizada por Bento XVI.

À sua espera na pista, num momento solene e institucional, o Sumo Pontífice foi recebido pelos reis de Espanha, Felipe VI e Letizia, pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e pelas mais altas individualidades eclesiásticas e políticas do país vizinho, a que se juntaram a princesa Leonor e a infanta Sofia. Do aeroporto, a comitiva seguiu diretamente para o Palácio Real de Madrid, onde Leão XIV foi recebido com honras de Estado.

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Sob o lema 'Erguei o olhar', esta viagem apostólica assume uma relevância muito particular para o Papa, eleito a 8 de maio de 2025. Nascido Robert Francis Prevost Martínez em Chicago, o chefe da Igreja tem uma profunda herança multicultural: é o primeiro Papa norte-americano em dois milénios de história, o primeiro a deter dupla nacionalidade (norte-americana e peruana) e o primeiro agostiniano. Para além disso, a viagem ganha contornos emocionais, já que o Pontífice tem raízes espanholas pelo lado da sua mãe.

Milhões de espanhóis nas ruas e milhões de euros em jogo

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Ao longo de sete dias, o Papa vai percorrer cerca de 2.500 quilómetros, divididos por quatro destinos principais: Madrid, Barcelona (com passagem por Montserrat), Gran Canaria e Tenerife. O programa é exigente, contando com 21 atos oficiais que misturam religião, cultura, diplomacia e ação social.

Fortemente católica a sociedade espanhola está a viver esta visita papal com forte emoção e entrega. Em Madrid são esperadas até 1,5 milhões de pessoas na missa do Corpo de Deus na icónica Praça de Cibeles e cerca de 500 mil jovens na vigília deste sábado à noite. À tarde, o Papa irá tomar o pulso da realidade social ao visitar um centro da Cáritas dedicado aos sem-abrigo. A deslocação de Leão XIV a Espanha também está a ter forte impacto económico. Segundo estimativas da Conferência Episcopal Espanhola, a visita irá custar cerca de 25 milhões de euros e é esperado um retorno económico superior a 150 milhões de euros para Espanha. Plataformas como a Booking.com já registaram disparos nas procuras de alojamento de 46% em Madrid e 52% em Barcelona, cidade onde o Papa visitará a icónica Sagrada Família de Antoni Gaudí, convertida este ano no templo católico mais alto do mundo.

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As questões políticas e humanitárias

Esta viagem terá igualmente uma carga política e humanitária. Na segunda-feira, Leão XIV irá discursar no parlamento espanhol, mas o ponto alto da agenda está reservado para os dias 11 e 12 de junho, com a deslocação às ilhas Canárias.

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Cumprindo um desejo antigo do seu antecessor, o Papa Francisco, Leão XIV vai colocar o foco global na crise migratória e na perigosa "rota das Canárias", considerada a mais mortal do mundo. Segundo a organização não-governamental (ONG) Caminando Fronteras, só em 2025 chegaram àquelas ilhas 17.788 migrantes em embarcações precárias (conhecidas como 'pateras' ou 'cayucos'), depois dos anos recorde de 2023 e 2024, que registaram cerca de 40 mil e 46 mil chegadas, respetivamente. Ainda de acordo com números do ONG, mais de 3.100 pessoas perderam a vida naquele mar no ano passado.

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