Quando Jeffrey Epstein morreu na prisão, em agosto de 2019, poucos conheciam a identidade da mulher que o acompanhava nos últimos anos. Karyna Shuliak manteve-se sempre afastada da exposição mediática e, desde então, praticamente desapareceu da vida pública. Agora, o seu nome regressa às manchetes por dois motivos: a possibilidade de vir a beneficiar da herança deixada pelo financeiro norte-americano e as novas revelações que continuam a surgir sobre o caso.
Natural de Minsk, na Bielorrússia, Karyna mudou-se para os Estados Unidos em 2009. Segundo vários meios internacionais, alguns anos mais tarde terá contraído um casamento de conveniência com uma mulher ligada ao círculo de Jeffrey Epstein para conseguir obter a residência permanente no país. Pouco tempo depois conheceu o empresário, iniciando uma relação que mudaria por completo a sua vida.
A influência de Epstein foi além da relação amorosa. De acordo com a imprensa internacional, o milionário financiou os estudos de Karyna em Medicina Dentária na prestigiada Universidade de Columbia, ajudou-a a concluir a formação e proporcionou-lhe uma vida de luxo em Nova Iorque. Terá ainda suportado despesas médicas da mãe da jovem e comprado uma casa para os pais, na Bielorrússia.
No círculo mais próximo de Epstein era conhecida pelo papel ativo que desempenhava na organização da sua vida. Há relatos de que controlava a agenda, coordenava deslocações e acompanhava vários assuntos relacionados com Little Saint James, a ilha privada que ficou associada aos crimes pelos quais o empresário viria a ser acusado.
Dois dias antes de morrer, Jeffrey Epstein assinou o testamento. Segundo a imprensa internacional, Karyna Shuliak surgia entre as pessoas que poderiam beneficiar de uma parte significativa da fortuna, que incluía milhões de dólares, várias propriedades e até um anel de diamantes oferecido em perspetiva de casamento. No entanto, as indemnizações pagas às vítimas e os sucessivos processos judiciais reduziram significativamente o património disponível, cuja distribuição continua envolvida em litígios.
Karyna foi também a última pessoa a falar com Epstein ao telefone. A conversa aconteceu a 9 de agosto de 2019, apenas algumas horas antes de o empresário ser encontrado morto na cela onde aguardava julgamento por crimes de tráfico sexual de menores. Desde esse dia nunca prestou declarações públicas sobre a relação que manteve com o milionário.
Nos últimos meses, a divulgação de milhares de documentos relacionados com o caso voltou a colocá-la sob os holofotes. O seu nome surge repetidamente nos ficheiros tornados públicos e algumas mensagens de correio eletrónico revelam que tinha conhecimento de aspetos da vida privada de Epstein que hoje suscitam novas interrogações. Há ainda registos que a colocam a organizar deslocações de várias pessoas e a tratar de assuntos relacionados com a gestão da ilha privada.
Apesar das suspeitas levantadas por estas novas revelações, Karyna Shuliak nunca foi acusada de qualquer crime nem constituída arguida. Ainda assim, continua a ser uma das figuras mais enigmáticas do universo de Jeffrey Epstein, alimentando as dúvidas sobre o que sabia e qual foi, afinal, o verdadeiro papel que desempenhou nos últimos anos de vida do milionário.