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Drama

Do Tinder para a caserna: o amor que pôs a NATO em alerta

Portugal entrou numa história que começou com um simples encontro no Tinder e acabou por abalar a NATO. Uma mulher suspeita de espionagem garante que acompanhou o companheiro à base de Oeiras, onde passou dois dias junto à piscina, entre chá e café.
Ana Cristina Esteveira
Do Tinder para a caserna: o amor que pôs a NATO em alerta
Janina White
Janina White
Janina White
Janina White

Janina White, de 49 anos, e um comandante naval espanhol conheceram-se no Tinder em outubro de 2024. O 'match' depressa se transformou num romance intenso. Tão intenso que, apenas duas semanas depois, a britânica já vivia com o militar, em Ruislip, nos arredores de Londres.

Casado e pai de dois filhos, o comandante parecia ter encontrado uma nova companheira para partilhar a vida. Os dois abriram contas bancárias conjuntas e começaram a fazer planos para o futuro. Mas poucos meses depois, aquele relacionamento aparentemente perfeito começou a levantar dúvidas.

Em dezembro, Janina acompanhou o companheiro a uma festa de Natal nas instalações da NATO, em Northwood. Tinha um passe de visitante. O problema é que o militar trabalhava numa estrutura particularmente sensível da Aliança Atlântica, e a presença da mulher acabou por chamar a atenção.

Janina tinha nacionalidade britânica e polaca e nascera na antiga União Soviética. As autoridades começaram a olhar para o seu passado e para alguns dos seus hábitos, incluindo as idas frequentes ao campo de tiro desportivo em Essex.

A questão passou então a ser inevitável: terá o comandante sido simplesmente apanhado por um romance que avançou depressa demais ou terá sido levado a confiar numa mulher que escondia mais do que dizia? As investigações não provaram que Janina fosse uma espia, mas as suspeitas foram suficientes para colocar o militar numa situação complicada.

Em junho de 2025, perdeu o acesso às instalações e, no mês seguinte, deixou de estar colocado no Marcom, regressando a Espanha.

É nesta história que Portugal aparece. Janina garante que acompanhou o companheiro ao quartel-general marítimo de alta disponibilidade da NATO, em Oeiras, durante um evento de defesa.

Segundo o seu relato, passou dois dias na base, junto à piscina, a tomar chá e café. “Nunca tive acesso a nenhuma instalação ultrassecreta”, afirma.

Apesar de nunca ter sido acusada formalmente de espionagem, Janina foi considerada um “risco adverso para a segurança”. A britânica rejeita qualquer ligação aos serviços secretos russos e conta que, numa viagem a São Petersburgo para visitar o pai doente, foi interrogada durante duas horas por um homem que identificou como ligado ao FSB.

O romance acabou por ruir. Janina avançou entretanto com uma ação judicial contra o Ministério da Defesa britânico, acusando-o de discriminação devido às suas origens. Para o comandante espanhol, o desfecho foi devastador. Depois de 35 anos de carreira, denunciou um “processo gradual e calculado de isolamento social e profissional”.

Segundo Janina, o militar deixou de trabalhar ativamente para a Armada e atravessou uma grave crise pessoal. Em setembro de 2025, terá tentado pôr termo à vida. E ainda houve um último capítulo. Em agosto, o comandante tentou regressar a Northwood para recuperar alguns pertences e almoçar. A segurança acabou por intervir e chamou a polícia.

O Ministério da Defesa britânico e o Marcom recusaram comentar o caso, remetendo-o para os trâmites legais em curso.

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