O tempo escasseia... e faltam muito poucas horas para que Noelia Castillo Ramos se submeta ao procedimento da morte medicamente assistida, a conhecida eutanásia. Ainda assim, o seu pai continuou a tentar impedir que tal acontecesse. Só que a esperança em reter a filha - que alega não ter condições psicológicas para decidir sobre este passo tão radical - é cada vez menor.
Ainda esta quinta-feira, 26 - dia que a jovem escolheu morrer - este homem que há ano e meio trava uma dura luta nos tribunais recebeu o mais duro dos revés: os tribunais rejeitaram o seu pedido para para suspender a eutanásia da filha e submetê-la a tratamento psiquiátrico.
Nesta recusa, a juíza salienta que não tem autoridade para tomar as medidas solicitadas pelo pai de Noelia. E mais: interromper suicídio assistido da jovem afetaria os seus direitos fundamentais e "poderia deixá-la indefesa". Quanto à capacidade de Noelia de tomar sua própria decisão, a sentença observa que essa questão já foi resolvida "tanto administrativa quanto judicialmente, portanto, a necessidade de tratamento psicológico e/ou psiquiátrico não se justifica".
Os laudos médicos confirmaram que a jovem tem capacidade para tomar decisões "livre e autonomamente", apesar de sofrer de transtorno de personalidade borderline. Sabe-se, através da própria Noelia, que o pai se recusou a assistir ao momento em que ela deixará de viver. Também a mãe não estará presente. Por vontade da filha.
Também não irá ao seu funeral. Disse a jovem: "O meu pai disse-me que para ele eu já morri". "Não entendo porque me quer viva se não me liga". Revelou que quando informou o pai da sua decisão que este reagiu ao gritos. "Não me quis ouvir", contou.