Viúva de Diogo Jota recusa TV americana. "Só quero que me deixem sossegada no meu canto"
A revelação foi feita por José Manuel Delgado, ex-diretor de 'A Bola' na apresentação do livro de memórias do malogrado jogador do Liverpool. Dois meses depois de terem perdido os dois únicos filhos, os pais aceitaram falar para o livro. Saiba porquê.Rute Cardoso, 29 anos de idade, mãe de Dinis, de 5 anos, de Duarte, de 4 e de Mafalda, de 19 meses, viúva do malogrado jogador do Liverpool Diogo Jota, recusou, há duas semanas, uma entrevista para uma das maiores cadeias de televisão norte-americanas, para contar, em exclusivo e de viva voz a sua história de amor com o jogador que morreu tragicamente num acidente de viação em Espanha a 3 de julho de 2025, duas semanas depois de se terem oficialmente casado. "Só quero que me deixem sossegada no meu canto", foi a resposta que Rute deu a quem a abordou no sentido de dar o exclusivo à televisão dos Estados Unidos da América (EUA).
A história foi avançada por José Manuel Delgado, antigo diretor do jornal desportivo 'A Bola' e autor da obra 'Diogo Jota - Nunca Mais é Muito Tempo', durante a apresentação do livro na sede da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) na cidade do Porto. Delgado iniciou o seu discurso recordando que o desafio surgiu de Pedro Proença o presidente da FPF, e logo após o acidente trágico que vitimou o futebolista e o seu irmão, André Silva: "Quero começar por dizer que esta biografia de Diogo Jota, em cuja memória também se inscreve André Silva, nasceu da vontade do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, ainda sob o peso recente da tragédia quando me lançou o desafio de a escrever. O Pedro esteve nessa altura em que as emoções estavam de facto ao rubro, a frieza de não perder a perspectiva histórica e criar condições para que a memória do André e do Diogo fosse colocada em perspectiva e fosse transmitida aos vindouros", revelou.
A CORAGEM DOS PAIS PARA DAREM ENTREVISTAS DOIS MESES APÓS TRAGÉDIA
Quando ainda corriam as lágrimas dos pais e noras pela morte dos seus dois únicos filhos e respectivos companheiros, a família aceitou abrir as portas das suas memórias e falou com o jornalista. José Manuel Delgado recordou o momento em que questionou os pais e a viúva sobre o momento das entrevistas: "Estávamos em setembro, dois meses passados sobre a tragédia, quando perguntei à Rute, à Isabel e ao Joaquim se desejavam falar de imediato ou se preferiam que deixássemos correr mais algum tempo. A resposta que recebi foi simples e desarmante. Pode ser já, porque vai doer tanto agora como daqui a alguns meses. A Rute Cardoso, a Isabel e o Joaquim, e também a Paula (Trigo, enfermeira), companheira de André (desde 2018, com quem vivia há na Penafiel há ano e meio, numa casa com vista para o Santuário do Sameiro, e tinha planos de casar), aceitaram, movidos apenas pelo amor, um amor de raiz funda, atravessar a provação de recordar os instantes mais dolorosos das suas vidas".
A força e a coragem dos pais Isabel e Joaquim foi enaltecida pelo autor, que sobre a mãe de Diogo e André confessou ter ficado marcado pela emoção do primeiro encontro. Sobre o pai, Joaquim, sublinhou o seu estoicismo admirável face à imensa dor: "Disse-me há pouco tempo. Se Deus os levou e deixou-nos cá, foi porque entendeu que nós ainda tínhamos alguma coisa para fazer. Se calhar, honrar a memória dos nossos filhos", acrescentou.
O objetivo principal deste livro, segundo o autor garantiu na apresentação, foi assegurar que o legado dos irmãos Silva passasse para as gerações seguintes: "Fizeram-no para que esta história ficasse inscrita a preto e branco, não só para que o mundo soubesse quem foi o ídolo Diogo Jota e quem foi o irmão André, mas também para o Dinis, para o Duarte e para a Mafalda, para que eles pudessem um dia conhecer um pouco melhor o pai. Foram muitas horas de conversa, tecidas de lágrimas, por vezes breves sorrisos, à medida que se iam convocando episódios e lembranças, sem que jamais se perdesse a sobriedade com que esta história exigia ser contada".