"A 24 de Abril de 2012 morria, nos meus braços, o meu filho Miguel. Tinha 64 anos e não mentirei se disser, que desde os 12 anos foram quase exclusivamente dedicados à política", começa assim a mensagem deixada nas redes sociais por Helena Sacadura Cabral sobre a maior e mais dura perda da sua vida: a morte do filho Miguel Portas em 2012.
A conhecida economista recua no tempo e recorda o início da vida política do filho mais velho: "Não foram fáceis esses anos de 'esquerda', em que os estudos ficavam sempre em segundo lugar, relativamente às obrigações escolares e ao que eu considerava ser importante, ele adquirir do ponto de vista cultural. Durante todos estes anos não houve dia em que me não lembrasse dele, pese embora, só o tivesse conseguido chorar verdadeiramente, anos depois da sua morte. O que se explica, penso, porque o seu partido político se 'apossou', verdadeiramente, da sua morte."
"O último pedido que me dirigiu foi que eu não virasse 'mãe chorosa' e que, pelo contrário, andasse para a frente com a minha vida. Foi o que fiz e continuo a fazer", assegura Helena Sacadura Cabral para voltar a tecer mais uma crítica ao partido político do qual o filho era um dos seus dirigentes: Bloco de Esquerda. "Mas, confesso, não consigo apagar a mágoa que me causou a falta de privacidade que envolveu o seu desaparecimento. É que para toda a gente, a morte, constitui o ato mais privado de uma família."
E termina: "Apesar disso reconheço que foi feliz por ter vivido a vida que quis, como quis e com quem quis. Por muito que me tenham doído algumas escolhas que fez, o meu coração vive apaziguado pela sua felicidade, o meu bem mais precioso!"