Papéis espalhados pelo chão, armários revirados, documentos perdidos. Foi este o cenário mostrado pelo vídeo partilhado por André Ventura na manhã desta terça-feira, dia 28 de junho, em todas as suas redes sociais. "Assim está o meu Gabinete esta manhã na Assembleia da República. Alguém estava à procura de alguma coisa e não se coibiu de agir dentro do próprio Parlamento. Não sei ainda se foi roubado algum documento ou não, mas atingimos o grau zero da nossa democracia", escrevia o líder do Chega para ilustrar o momento, enquanto os comentários se multiplicavam na conta de Instagram. "Isto sim é invasão de gabinete, numa altura muito curiosa! O Presidente da Assembleia tomará alguma diligência? Muita força! Nunca caminhará sozinho", reagia Rita Matias, mas muitos também questionavam a veracidade de tudo o que estavam a ver, alegando que com Ventura pode haver sempre espaço para dúvidas.
Em relação ao caso, sabe-se que a porta do gabinete de André Ventura não foi forçada, sendo que foi uma funcionária da limpeza que encontrou a desordem que se vê nas imagens, com a GNR a ser prontamente alertada. Mais tarde, aos jornalistas, Ventura garantia que lhe tinham sido roubados documentos e que os papéis desaparecidos eram altamente confidenciais e referentes ao caso Luís Neves e ainda a informação política relacionada com o gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro. "Desapareceram dois tipos de documentos e também pens (...) Trata-se de um ato de intimidação e um ato de condicionamento devido ao que desapareceu e pela forma como foi feito”, afirmou, garantindo achar estranho ter dito recentemente que tinha em sua posse documentos potencialmente comprometedores e pouco depois ter sido alvo de um assalto. "Na sexta-feira eu disse que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) tinha de avançar, também por documentos que tinham chegado e estavam na nossa posse e eram relevantes, e hoje aconteceu isto. Não posso deixar de fazer uma associação."
Ao 'Correio da Manhã', o deputado Francisco Gomes explicou que, como habitualmente faz, chegou cedo ao Parlamento, sendo que quando entrou no gabinete de André Ventura já a empregada de limpeza havia acionado os alarmes necessários. No entanto, parece haver duas versões para a mesma história.
Imagens de videovigilância mostram o mesmo deputado Francisco Gomes a entrar na Assembleia por volta das sete da manhã, sendo que fontes ligadas à investigação garantem que o gabinete do líder do Chega ficou aberto durante a noite. Questionado pela investigação, o deputado justificou a entrada no gabinete de Ventura com a gravação de um vídeo para o TikTok, tendo referido também ao 'Correio da Manhã' que as mesmas imagens de vídeo poderiam comprovar que esta é a hora a que costuma chegar habitualmente à Assembleia da República.
Um caso que está agora nas mãos das autoridades e que já está a gerar grande polémica no Parlamento, uma vez que o timing é considerado suspeito por grande parte dos deputados, que questionam o que teria o deputado para fazer tão cedo no gabinete de Ventura e precisamente numa altura em que a Assembleia já se encontra encerrada para o habitual período de férias de verão, com a tese do vídeo para o Tik Tok a ser considerada por muitos no mínimo suspeita.
Outra questão que está a ser amplamente questionada é o facto de a porta do gabinete ter permanecido aberta durante a noite, o que não seria compatível com a teoria de que no seu interior André Ventura guardaria documentos de extrema relevância, nomeadamente relacionados com a CPI a Luís Neves.
Sobre a segurança e o funcionamento da Assembleia da República, é também público que esta é vigiada mesmo durante o período noturno, e que há sempre alguém responsável por fazer rondas ao espaço de forma a garantir que a normalidade é mantida, funcionário esse que não se terá apercebido de qualquer movimentação estranha.
Real ou fabricada, certo é que esta é uma polémica que já está nas mãos das autoridades, que investigam agora o mais recente caso na Assembleia da República.