Durante algum tempo, tudo parecia apontar para que Diogo Morgado se tornasse um dos atores portugueses com maior projeção internacional. A interpretação de Jesus Cristo na minissérie 'A Bíblia', em 2013, colocou-o no radar do público norte-americano e valeu-lhe uma alcunha que rapidamente deu a volta ao mundo: “Hot Jesus”.
A expressão nasceu durante a passagem do ator pelo programa de Oprah Winfrey e acabou por se colar à imagem de Diogo. O sucesso da minissérie abriu-lhe outras portas e, pouco depois, surgiram novos desafios do outro lado do Atlântico. Participou em 'Revenge', deu vida a Jesus no filme 'O Filho de Deus' e integrou o elenco de 'The Messengers'. Também passou por 'CSI: Cyber', numa altura em que a possibilidade de construir uma carreira nos Estados Unidos parecia cada vez mais real.
Diogo Morgado chegou a viver nos Estados Unidos e experimentou de perto a realidade de uma indústria que, vista de fora, parecia oferecer-lhe tudo o que precisava para continuar a crescer. Só que a experiência acabou por lhe mostrar que o sonho americano não correspondia necessariamente ao que procurava.
E esta terça-feira, 25 de agosto, no programa 'Dois às 10', da TVI, o ator acabou por explicar, de forma particularmente direta, porque não quis continuar esse caminho. Questionado por Cláudio Ramos sobre a possibilidade de ter feito uma carreira exclusivamente internacional, o ator recusou a resposta mais fácil.
“Ficar-me-ia muito bem dizer que o meu país é mais importante, mas não é essa a verdade.” A explicação foi bastante mais pessoal. “A verdade é que eu provei algo que percebi que não era para mim. Não me toca, não me identifico com muita coisa. Compreendo o jogo.”
Ou seja, talvez as portas de Hollywood não se tenham propriamente fechado para Diogo Morgado. Talvez tenha sido o próprio ator a perceber que não queria continuar a tentar abri-las. “Às vezes fantasiamos como é que será e depois quando temos conhecimento de como as coisas funcionam, pode ou não colar-se a nós, ter a frequência que nós temos”, explicou.
Já em 2013, quando o fenómeno “Hot Jesus” estava no auge, Diogo deixava claro que não se via necessariamente a abandonar Portugal para perseguir o sucesso internacional. Numa entrevista ao 'Diário de Notícias', dizia que uma carreira fora do país só faria sentido se encontrasse projetos que realmente lhe interessassem.