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Luísa Jeremias
Luísa Jeremias No meu Sofá

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O país que adora uma novela no telejornal

Serão, então, os portugueses um povo fora de série, extremamente interessado no mundo à sua volta, na vida política, nos grandes assuntos que assolam Portugal e o planeta em geral? Ou serão, simplesmente, um bando de coscuvilheiros que veem "telejornais" como quem assiste diariamente a uma novela, mas da vida real? Ou ainda, será que a informação é mais interessante do que o entretenimento e é por isso que os noticiários lideram diariamente os tops dos programas mais vistos do dia?
CMTV
CMTV

Já se perguntara, por que razão os portugueses consomem tanta informação? Os jornais de horário nobre dos canais generalistas chegam a durar duas horas; a CMTV, estação que faz das notícias (em qualquer lugar) o seu estandarte, é líder incontestada no cabo, ultrapassando qualquer canal infantil, de cinema...de tudo e chegando a competir com a RTP em alguns horários; vem aí a CNN Portugal - desaparece a TVI 24, é certo, mas é um novo canal... de informação.

Mais, entramos em qualquer café deste País – de norte a sul, de aldeias a cidades – e inevitavelmente a televisão está sintonizada em... notícias. Serão, então, os portugueses um povo fora de série, extremamente interessado no mundo à sua volta, na vida política, nos grandes assuntos que assolam Portugal e o planeta em geral? Ou serão, simplesmente, um bando de coscuvilheiros que veem "telejornais" como quem assiste diariamente a uma novela, mas da vida real? Ou ainda, será que a informação é mais interessante do que o entretenimento e é por isso que os noticiários lideram diariamente os tops dos programas mais vistos do dia?

Dá que pensar, não é? Não a nós, que somos meros espectadores de sofá, mas aos programadores dos canais que, às tantas, se deveriam perguntar: mas, afinal, o que querem os espectadores? O que lhes interessa? Por que razão grande parte dos formatos internacionais não funcionam particularmente bem por aí? Não se enquadram na nossa realidade? E as novelas? Não superam a realidade crua dos noticiários?

Para um diretor de informação o desafio é prático e muito objetivo: dar mais e melhor. Dar antes e de forma mais desenvolvida. Ou seja: dar tudo com os pormenores necessários para prender o espectador à cadeira. Para um diretor de programas – ou de ficção e entretenimento – a tarefa complica-se? Dar o quê e como? Repetir fórmulas que já mostraram resultados - como Big Brother, que cada vez que tenta reinventar-se dá mau resultado - ou criar novas personagens? Porque, na verdade tudo entronca no mesmo: quem é o público da TV generalista? O clássico, certo? Então, se calhar está explicado.

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