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Houve uma época em que era ator quem sabia representar, quem dava provas, brilhava no palco ou no plateau e causava emoções no público. Era apresentador quem sabia falar, criava empatia, articulava frases sem gaguejar nem dizer disparates,
Hoje, os conceitos de ator e de apresentador de televisão mudaram drasticamente.
Vamos a exemplos práticos. Esta semana, a TVGuia foi às gravações de O Pai Tirano. O remake do original, que dará origem a uma série e um filme, está a deixar os atores nas nuvens. Não houve quem não elogiasse a produção, se sentisse um "privilegiado" por participar no projeto, quisesse falar sobre a experiência. Este é o fenómeno que presenciamos quando vamos a gravações de séries da RTP ou de projetos como Esperança ou Prisão Domiciliária. Há orgulho no produto. Há orgulho também em voltar a subir a um palco, a ir, como Pêpê Rapazote, para a Colômbia, gravar uma série, em ter Nuno Lopes na Netflix a protagonizar White Lines. Chama-se a tudo isto poder ser ator. Ator de verdade. Não um influenciador, um caçador de likes nas redes sociais transformado naquilo que não é. O seu a seu dono.
Nada contra as novas formas de negócio digital, que têm como rostos verdadeiros "vendedores" de produtos e marcas que dão o seu melhor, ganham o seu (em espécimes – como se tivéssemos voltado à Idade Média, à troca direta –, ou na forma monetária) e assim sobrevivem ou, em alguns casos, enriquecem. Tudo contra transformar caras larocas que se dão bem nas redes sociais em atores ou apresentadores. Porque, convenhamos, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Toda a gente tem direito e dever de evoluir, de crescer. Desde que tenha capacidade para isso, que possa abrir as asas e percorrer os céus mostrando talento. Trocá-lo por seguidores é que não. Ter atrizes e atores no desemprego para dar a vez a quem possa trazer – através dos alegados seguidores, muitos deles até inexistentes – popularidade ao produto televisivo... é pouco. Quando falha talento, falha tudo. E as provas estão à vista, no ar, e não é preciso ser inteligente para as encontrar.
Mas atenção, que esta história também se conta ao contrário. Há talentosos que se encostaram. Perceberam que ganham mais a vender nas redes sociais do que a ser atores. Uma pena. Eles(as) sabem quem são e o que estão a perder.