Já houve um tempo em que ser primeira-dama era profissão - por temporária que fosse. As coisas eram simples e passavam-se, preferencialmente, no palco dos afetos, da solidariedade, da educação, áreas tendencialmente femininas de olharmos de um ponto de vista clássico.
Portugal teve excelentes primeiras-damas. É inevitável salientar o papel, que se mantém de forma quase honorária até hoje, de Manuela Eanes, fundadora do Instituto de Apoio à Criança, instituição fundamental para o acesso à educação, à cultura e às infraestruturas básicas de vida.
Acontece que os anos passam e aquilo que tradicionalmente era o papel de uma primeira-dama - acompanhar o Presidente sempre que a ocasião o exigisse - também sofreu modificações inerentes aos tempos. E eis que chegamos à atualidade e à nova "inquilina" de Belém: Margarida Maldonado Freitas que, antes do marido, António José Seguro, estar eleito, já tinha feito saber que não se "é" primeira-dama, que é o mesmo que dizer que não iria abdicar da sua profissão: farmacêutica (e empresária).
É sobre a sua capacidade de apostar, de empreender e de fazer acontecer que a TV Guia fala esta semana. Contamos a história da dra. Margarida, que atualmente ocupa um "cargo" - que oficialmente não existe no nosso País - mas isso não a impede de nada: de seguir rotinas na cidade onde vive e tem os seus negócios, de ser mulher, mãe e uma grande profissional. A isto chama-se ser mulher em 2026, sem dramas, sem preconceitos. Um orgulho para todos nós.