Quem nunca colocou dois ou mais despertadores para acordar numa manhã e foi adiando o acordar até tocar o último, recorrendo à função de pausar o som que vem do dispositivo eletrónico? Durante muito tempo, especialistas em medicina do sono aconselhavam que o uso da funcionalidade conhecida como ‘snoozing’ fosse limitado, dado que interrompia abruptamente o sono, prejudicando as funções humanas ao acordar.
No entanto, um estudo científico recente acerca deste mesmo tema demonstra uma perspetiva diferente. Trata-se de um trabalho de Tina Sundelin, Shande Landry e John Axelsson publicado no ‘Journal of Sleep Research’, chegou a duas conclusões. "No primeiro estudo [ndr: 1732 participantes], os inquiridos descreveram os seus hábitos ao despertar, confirmando que o ‘snoozing’ é predominante, especialmente em indivíduos mais jovens ou cronotipos mais tardios", pode ler-se no sumário.
No segundo estudo, com a amostra a ser composta por 31 indivíduos que habitualmente recorrem a esta função, concluiu-se que "30 minutos de ‘snoozing’ melhoraram ou não alteraram o desempenho em testes cognitivos diretamente após o levantar, em comparação com um despertar abrupto".
"O ‘snoozing’ resultou em cerca de seis minutos de sono perdido, enquanto se evitou despertares de sonos de ondas curtas. Não se verificaram quaisquer efeitos do ‘snoozing’ na resposta ao despertar do cortisol, na sonolência matinal, no humor ou na arquitetura do sono noturno", acrescentaram os investigadores, que chegaram assim à conclusão de que pode mesmo "ajudar a aliviar a inércia do sono, sem o perturbar de forma substancial, para os cronotipos tardios e para aqueles com sonolência matinal."
Refira-se, todavia, que existem limitações neste estudo, de acordo com declarações da fisióloga e investigadora María Ángeles Bonmatí ao ‘El País’, nomeadamente a participação somente de indivíduos que já utilizavam a função ‘snooze’ no quotidiano: "Pressupõe-se que estas pessoas exibiriam bons resultados fazendo o que estão acostumados a fazer", disse. Esta ideia é, de resto, subscrita pelo próprio estudo, que refere que "é difícil generalizar as nossas conclusões para indivíduos que não usam o ‘snooze’", mas que tal não era possível, já que "não é plausível fazer alguém clicar no ‘snooze’ quando acordam totalmente com o primeiro soar do despertador."