Tédio é uma das palavras que nunca será usada para descrever dez anos da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa, que dia 9 de março passará a pasta ao aparentemente tranquilo novo eleito António José Seguro. Taticista, Marcelo foi um estratega em Belém, mesmo quando fez da estabilidade política uma bandeira. Criticou o Governo quando este geriu mal o drama dos fogos em 2017, obrigando mesmo António Costa a demitir a MAI da altura. Foi herói a salvar donzelas em perigo no mar, viveu muita proximidade ao povo e acabou vergado por dois duros anos de decisões difíceis e impopulares durante a pandemia da Covid-19. Aguentou demissões e quedas de governos e sofreu ao ver o seu nome envolvido num escândalo de favorecimento. Isso magoou-o pessoalmente e fragilizou-o então junto da opinião pública, das forças políticas e fê-lo cortar relações com o filho, Nuno.
O que aconteceu entre 1993 e 2003? O que os ligava ao multimilionário que foi acusado de liderar uma rede de tráfico e abuso sexual de menores? Hillary fala esta quinta-feira e Bill amanhã. Será a primeira vez que um ex-presidente dos EUA será obrigado a depor sob intimação do Congresso.
Depois do enteado do príncipe Haakon ser obrigado a sentar-se no banco dos réus, da princesa Mette-Marit ter caído em desgraça pela sua ligação a Jeffrey Epstein... só faltava a preocupação em torno da saúde do monarca norueguês.
Luís Neves tinha uma legião de apaixonadas quando era o miúdo loirinho das piscinas do Fundão durante as férias de verão. Depois, mudou-se para Almada e hoje já não passa férias na terra natal. "Parece que se casou com a PJ", diz um amigo, que lhe elogia "a sensatez" e a "seriedade". Conseguiu modernizar a polícia de investigação, foi uma ave de rapina a apanhar criminosos e chama "praga" aos crimes económicos e ao ciberterrorismo, onde deu a mão ao pirata informático Rui Pinto, hoje a colaborar com a PJ. Torna-se agora ministro com a fasquia muito alta. Será que vai conseguir dar a volta às condições de trabalho de polícias e bombeiros? Ou gerir bem a época dos fogos? Será que vai pôr a Proteção Civil a funcionar? Os próximos meses irão trazer as respostas...
Poder, podemos. Mas será que faz sentido? Tal como na história do perverso Jeffrey Epstein havia nos anos de 1960 sexo pedófilo em Portugal. Havia angariação de crianças em meios desfavorecidos. Havia poderosos, políticos, empresários e sacerdotes a abusar de crianças com 9 a 12 anos. Havia exercício de poder e tráfico de influências. O autor do guião da série portuguesa da RTP, que mesmo em 1998 escandalizou alguns puritanos e incomodou intervenientes e familiares sobrevivos, arrasa também Donald Trump e fala na escala das duas realidades e garante que em Portugal não houve cenas de canibalismo
Depois do escândalo que o liga a Jeffrey Epstein, de ter perdido todo o apoio da família real britânica, o príncipe André é detido por suspeitas de má conduta em cargos públicos. É o declínio daquele que sempre foi considerado o filho preferido da rainha Isabel II, e que cai em desgraça sem que ninguém da casa real britânica lhe estenda a mão. A dor maior prende-se com o corte de relações com a filha Eugenie.
Detido esta manhã sob suspeita de "má conduta profissional", o ex-príncipe André vive os piores dias da sua descida aos infernos da vergonha. Um imenso escândalo que começou em 2019 e que mancha de forma indelével a reputação da Casa Real britânica.
Neste caso, são os milhares e milhares de ficheiros do caso Epstein que dão voz à narrativa do que se passou, durante anos, na recôndita mansão do milionário nas Ilhas Virgens. Organizavam-se verdadeiros banquetes de sexo com raparigas jovens, que estavam expostas às mais variadas humilhações. Por 300 dólares, exigia-se-lhes que "falassem sujo", satisfizessem os fetiches mais escabrosos e fossem o adereço principal de sumptuosos jantares em que se debatiam negócios à mesa e se juntavam alguns dos homens mais poderosos do mundo, que participaram e validaram a barbárie. No entanto, entre as zonas cinzentas da lei, todos dizem o mesmo: estiveram lá, sim, mas não viram nem fizeram nada de errado...
Ghislaine Maxwell, outrora presença constante nos círculos da elite internacional, vê hoje a sua vida marcada pela prisão e pelos escândalos. É a única pessoa condenada por exploração sexual de menores no caso Epstein e continua a desafiar a justiça e a fazer tremer Donald Trump.