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A vida apaixonante de Joana Solnado: da morte clínica aos 14 anos ao momento em que deixou tudo para se mudar para a Ásia só com uma mochila às costas

Quase dez anos depois da última novela, a atriz está de regresso à televisão nacional com um grande desafio, 'Coração de Mãe', em que dá vida a uma mulher vítima de violência doméstica. No interregno, foi mãe novamente, mudou-se para o outro lado do Atlântico, numa jornada de auto-conhecimento. "Precisei de um tempo para tirar as minhas máscaras e perceber 'Joana qual é o propósito disto? Qual é a missão disto?'"
Por Rute Lourenço | 10 de setembro de 2026 às 20:12
Joana Solnado Foto: D.R.

Joana Solnado é quase como uma filha dos portugueses. Neta de uma figura tão acarinhada como Raul Solnado, cresceu com o mimo partilhado de quem admirava o avô e seria bastante cedo, com apenas 17 anos, que se estrearia, ela própria, na televisão, na novela 'O Último Beijo', um ano antes do estrondoso sucesso de 'Morangos Com Açúcar', que a catapultaria em definitivo para fama.

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Foram anos intensos, de muito trabalho em televisão, que lhe deram sentido de responsabilidade, independência financeira, mas também que lhe trouxeram uma pressão que hoje Joana sabe que não quer para a sua vida. "Comecei a trabalhar muito nova e a responsabilidade era muito grande e durante muitos anos isso acarretou alguma pressão. Tinha uma exigência muito grande para comigo, desde miúda, exagerei um bocadinho. Saí de casa muito cedo, ganhei a minha independência muito cedo, o trabalho levou-me para um lugar de responsabilidade muito cedo", conta Joana, que está de regresso aos ecrãs, na TVI com a novela 'Coração de Mãe', em que a violência doméstica é o tema principal.

Reprodução de fotografia do ator e da sua neta Foto: Alexandra Silva

No final do primeiro episódio, a atriz fechou com um testemunho especial, que terminou com uma frase icónica do avô. "Façam o favor de ser felizes", atirou, mostrando a forte presença de Raul Solnado na sua vida, 17 anos após a sua morte. 

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A família é, aliás, um pilar para Joana, que não tem uma única dúvida: coloca sempre essa esfera à frente da profissional. Não cultiva o estatuto de vedeta, o mediatismo pouco lhe diz e não fosse pelo prazer extremo em representar, talvez não a víssemos volta e meia na televisão. No entanto, assume que a sua vida vai muito para além da caixinha mágica, porque o burburinho da fama e o facto de ser reconhecida nunca a prenderam.

A actriz posa Foto: João Cortesão

A primeira grande reviravolta, recorda, aconteceu quando tinha 27 anos de idade. Com trabalhos fixos, tanto em televisão como em teatro, uma relação estável e uma vida que muitos descreveriam como de sonho, abandonou tudo e foi de mochila às costas para a Ásia. "Aos 27 anos, mudei a minha vida toda. Acabei a peça, acabei a novela, acabei o casamento, peguei numa mochila de 4 kg e fui para o Sudeste Asiático durante um ano. E foi o meu grito do Ipiranga, foi maravilhoso. Tinha os primeiros três dias pensados, ia ficar dois meses, era o que tinha pensado. E fiquei 10. Foi muito bom. Fui fazer tudo o que me apetecia. Dez meses a meu prazer. O facto de ninguém me reconhecer era maravilhoso, o facto de não sentir: aquela pessoa está a olhar para mim. E fiz amizades incríveis", refere, acrescentando ter feito voluntariado, em experiências que lhe ficaram diretamente gravadas no coração. " Ajudei, mas eles ajudam-me muito mais. Receber aqueles sorrisos, uma gratidão sincera, foi incrível."

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Joana Solnado e filhas na praia Foto: D.R.

Fez muito isso ao longo da vida, na qual tentou sempre ser fiel àquilo que sentia, o que a levou a não ter amarras com muito mais do que os seus princípios. No amor, igual. Foi casada com o chef Nuno Queiroz Ribeiro, relação da qual nasceu a filha Flor, mas mais tarde não teria medo de refazer a sua vida amorosa e em 2025 seria mãe novamente, de outra menina, Amora, fruto da união com Vinícius Mariano.

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Apesar de estar a fazer novela em Portugal – o que vai acontecendo a espaços na sua carreira – é do outro lado do Atlântico que Joana decidiu estabelecer a sua vida, no Rio de Janeiro, onde residem parte das suas raízes, uma vez que a avó era brasileira. "Precisei de um tempo para tirar as minhas máscaras e perceber 'Joana qual é o propósito disto? Qual é a missão disto?'. E tive o privilégio de poder parar oito anos", já afirmou, acrescentando que durante esse tempo se dedicou a uma série de outras valências. "Escrevi, realizei, investi em negócios”, partilhou.

Foto: D.R.

 A LIGAÇÃO ÚNICA COM A MÃE

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Para além do avô, de quem cresceu sempre muito próxima, e cujo final de vida acompanhou diariamente, com amor e leveza, na cabeceira da cama de hospital, que lhe era transmitida pelo próprio Raul Solnado, que aos 79 anos admitia já ter vivido muito e bem, Joana sempre manteve uma relação de cumplicidade inigualável com a mãe, Alexandra Solnado, com um momento em particular a marcar a história da atriz e da família.

Joana Solnado na piscina com a mãe e filha Foto: D.R.

Aos 14 anos, Joana adoeceu de forma quase inexplicável: desmaiava e, de seguida, deixava de respirar, mas os médicos não eram capazes de dar nome àquilo de que sofria. Numa das vezes, em que o episódio se prolongou por mais tempo, a atriz entrou mesmo em morte clínica, num mistério que ainda hoje continua por resolver, mas que impactaria diretamente e vida da família, nomeadamente da mãe.

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Foto: D.R.

"Estive em morte clínica e nunca ninguém soube o que me levou a isso. Eu sou uma pessoa com uma sensibilidade enorme, principalmente em relação as energias… e pode ter estado relacionado. Eu desmaiava e ficava sem respirar, só que um dia fiquei muito tempo. Eu lembro-me de ouvir a máquina a fazer 'piiiiii'. E depois lembro-me de acordar já em casa foi estranho. Nunca mais voltou a acontecer. Mas foi um aviso: cuidado, tens uma sensibilidade diferente, preciso de um tempo diferente para as coisas", diz, acrescentando que foi nessa altura, e que sem encontrar respostas na ciência, a mãe se voltou para aquela que passaria a ser uma forte valência: a espiritualidade (é hoje um nome reconhecido na área e fundou a sua própria escola).

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"Sou muito orgulhosa do percurso da minha mãe. A minha mãe era cética, daquele tipo que não acreditava em nada. E aquele foi um momento de grande viragem para toda a família, mas especialmente para ela, que encontrou na espiritualidade várias respostas e um novo caminho de vida, uma nova filosofia. Ela não tem religião, mas, para ser espiritualista, não é preciso religião. Ela encontrou esse lugar e, hoje em dia, é o que faz da vida: começou a escrever, dar cursos e já tem uma legião de pessoas pelo mundo", resume Joana que acompanha as pisadas da mãe e se conecta com o mundo tantas vezes através da energia, precisando dos seus tempos próprios para o enfrentar, o que faz com que passe longas temporadas longe da televisão.

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