Devorado por crocodilo! Toda a história de Gabriel Batista, o empresário português radicado na África do Sul cujo corpo apareceu na barriga do terrível predador
A notícia está a correr mundo. Um empresário português de 59 anos apareceu morto no estômago de um crocodilo de quase cinco metros de comprimento e 500 quilos de peso. A família, natural da ilha da Madeira, ainda não acredita que os pedaços de carne e ossos encontrados sejam de Gabriel e vão esperar pelos resultados dos exames de ADN para confirmar se perderam o seu ente querido ou se tudo não passa de um equívoco. As autoridades têm poucas dúvidas pois na mão de um dos braços que apareceram está o anel de Gabriel. A hipótese de crime não está afastada.Empresário português desaparece em enxurrada na África do Sul e aparece cinco duas depois morto na barriga de um crocodilo. A notícia está a correr mundo e aumenta a cada hora a curiosidade de leitores e telespectadores sobre o que afinal aconteceu a Gabriel Batista, o emigrante madeirense que aos 59 anos perdeu a vida de forma tão dramática. A The Mag, by Flash! não só foi tentar perceber os contornos inusitados de tudo o que aconteceu, como revela quem é Gabriel, o homem que ainda bebé deixou a Madeira e emigrou com os pais para Moçambique.
Serra d'Água, uma pequena aldeia entre penhascos e atravessada por um ribeiro nos arredores de Ribeira Brava, na Madeira, foi a terra onde este português, que perdeu a vida de forma trágica em África, nasceu. Emigrou muito pequeno com os pais para Lourenço Marques, atual Maputo, capital de Moçambique, e em 1975, após a independência da ex-colónia portuguesa, a família fugiu para a África do Sul quando ele tinha apenas 9 anos. Os Batista atravessaram a fronteira em Ressano Garcia, nas margens do rio Komati, o mesmo que a 27 de abril de 2026 foi fatal para o empresário da restauração e hotelaria. Ali se radicaram, até hoje, com residencia em Gauteng.
O complexo hoteleiro que Gabriel e a família gerem em Lebombo Border Post fica a um quilómetro da fronteira com Moçambique. Além de quartos para alugar, possui espaços de convívio e zonas para grande eventos, como o 'Komati Fusion Fest', que Gabriel e a sua equipa organizaram em 2025, com DJ's, e artistas de Rap e música electrónica. Esteve lotado nos dois dias de show, com mais de 2500 pessoas por dia, e só num dos espaços. A Pousada Border Country não é somente uma unidade hoteleira para camionistas que aguardam transpor a fronteira, mas sim uma espécie de resort ao estilo africano, com todas as comodidades e ainda acesso a um campo de golfe vizinho.
Só que dia 27 de abril à noite tudo ruiu para Gabriel Batista e para a sua família. Chovia torrencialmente e o nível das águas do rio Komati subiu repentinamente. Gabriel, na sua carrinha de caixa aberta Ford Ranger de cor preta, acreditou que conseguia atravessar uma ponte baixa. A forte corrente e a fraca visibilidade acabaram por arrastar a viatura para berma esquerda da travessia, fazendo-a galgar as proteções e ficando presa nos pilaretes quadrangulares de betão. Gabriel percebeu que não conseguia sair dali. Abriu os vidros da carrinha para escapar. Depois disso mais nada se soube dele. Durante quatro dias. Restos do cadáver apareceram a 2 de abril, na barriga do crocodilo.
TODOS OS SINAIS APONTAVAM PARA UMA TRAGÉDIA
Assim que as águas do rio Komati começaram a descer, as autoridades da província de Mpumalanga, que procuravam o carro de Gabriel, avistaram-no inclinado na beira da ponte. No interior, nem sinal do empresário português. Durante quatro dias, com enormes dificuldades técnicas, fizeram buscas no sentido de localizar o empresário, com ou sem vida. Só que o rio estava infestado de crocodilos, muitos deles parados nas pequenas ilhotas, inclusive as de pedra junto à ponte onde estava abandonada a carrinha de Gabriel.
Usaram drones, helicópteros e mesmo alguns mergulhadores mais experientes que, sob o comando do capitão Johan 'Pottie' Potgieter, da unidade militar Ehlazeni, arriscaram a vida a vasculhar o rio infestado de répteis. Foi através de um sobrevoo de um helicóptero, quatro dias após o início das operações de salvamento, que um dos crocodilos, pelo seu comportamento estranho, chamou à atenção dos militares. O crocodilo de quatro metros e meio e quase 500 quilos de peso estava parado numa das ilhotas, tinha o abdómen bastante dilatado e um comportamento demasiado lento. Após suspeitarem que aquele seria o réptil que teria devorado o empresário português, abateram-no e içaram-no com uma grua instalada no helicóptero e levaram-no para o local onde foi esventrado.
SÓ PARTES DO CORPO ENCONTRADAS NO CROCODILO
No interior do Parque Nacional Kruger, um santuário da vida selvagem na África do Sul, que faz fronteira com Moçambique, os médicos legistas abriram o crocodilo e deram com a cena macabra. Encontraram partes de um corpo humano trituradas, dois braços ainda intactos com mãos, surgindo numa delas um anel que permitiu acreditar que os restos mortais encontrados pertenciam a Gabriel Batista. O tórax estava destruído e havia pedaços de corpo em várias fases de deglutição. Aguardam-se os resultados dos exames de ADN que permitirão às autoridades confirmar que aquele corpo pertence mesmo a Gabriel Batista. Subsiste contudo uma dúvida para quem está a investigar: saber se Gabriel morreu afogado e o seu cadáver foi depois comido pelo crocodilo ou se estava vivo no momento em que o animal o devorou. As autoridades também não afastam a possibilidade do empresário português ter sido vítima de crimer
Além dos restos mortais do empresário, havia seis pares de sapatos, entre chinelos, ténis, sandálias, inclusive calçado de mulher, um par de sapatos de salto alto, nenhum deles pertencentes ao português. As autoridades militares e policiais estão a chegar à conclusão de que este crocodilo será um dos vários animais devoradores de seres humanos que atacam no rio Komati, curso de água internacional onde têm desaparecido muitas pessoas nos últimos meses. Recorde-se que, em dezembro de 2025, dois militares sul-africanos terão também desaparecido naquele mesmo local do rio.
FAMÍLIA EM PROFUNDA ANGÚSTIA E CONSTERNAÇÃO
Ao Jornal da Madeira, um familiar de Gabriel Batista, via telefone a partir da África do Sul garantiu que a família está a viver "dias de profunda angústia e consternação". O mesmo familiar explicou à mesma publicação que Gabriel seguia de noite para o hotel do qual era proprietário, quando terá sido surpreendido pela violência das águas que nos últimos dias têm atingido esta região. Segundo a mesma fonte, o empresário tentou atravessar um pontão submerso pelas águas do rio, quando a carrinha em que seguia acabou por ser arrastada pela forte corrente para uma das mais perigosas partes daquele rio, conhecido pela elevada presença de crocodilos.
A família declarou a um jornal sul-africano que vai aguardar pela conclusão dos exames para se manifestar oficialmente sobre o caso.