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Duelo aceso entre primeiras-damas no Brasil. Da postura de intervenção de Janja da Silva ao lado cristão de Fernanda Bolsonaro

Com milhões de indecisos e uma abstenção galopante, o papel das mulheres dos candidatos para angariar votos na segunda volta esteve em cima da mesa no Brasil, com Janja da Silva e Fernanda Bolsonaro a dirigirem-se diretamente aos eleitores com papéis cada vez mais ativos. Com perfis completamente diferentes, conheça as mulheres que dão vida a esta nova geração de primeiras-damas do outro lado do Atlântico.
Por Rute Lourenço | 22 de outubro de 2026 às 20:16
Janja da Silva e Fernanda Bolsonaro em evento no Brasil Foto: Getty Images

Decorre este domingo, dia 25, a segunda volta das eleições para eleger o presidente do Brasil e com as votações renhidas entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, vale tudo para captar a atenção dos indecisos e, principalmente, dos 30 milhões que se abstiveram de ir às urnas no primeiro turno, inclusivamente utilizar as mulheres dos candidatos como arma política.

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Se em Portugal, por tradição, temos a figura de uma primeira dama mais discreta e sem valor jurídico, no Brasil, a participação das companheiras dos políticos tem-se revelado especialmente ativa, ainda que com posturas radicalmente diferentes.

Janja e Lula da Silva Foto: Getty Images

De um lado da equação temos Janja, de 60 anos, a primeira-dama em vigor, que desde cedo deu mostras de se querer descolar da imagem do cargo tradicional. Filiada no Partido dos Trabalhadores desde os 17 anos, é formada em Sociologia e desde que começou a relação com Lula – em 2018, na altura este ainda se encontrava preso – que mostrou que iria ser muito mais do que a mulher na sombra, e quando o companheiro chegou ao poder ficou claro que ela própria se tornaria numa primeira-dama de intervenção, colocando em cima da mesa assuntos como os direitos das mulheres, combate à violência de género e representatividade política das mulheres.

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No entanto, há os dois lados da moeda e Janja tem sofrido na pele duras críticas devido à postura que assumiu. Ao não ser uma primeira-dama discreta, também não foge a controvérsias, acabando por ser notícia ela própria devido às tais polémicas, algo que, de acordo com vários especialistas brasileiros, acabou por prejudicar a imagem de Lula da Silva, havendo também quem a acuse de ter uma sede desenfreada de protagonismo. Além disso, Janja foi ainda notícia devido aos alegados gastos excessivos, sobretudo em viagens internacionais, sendo que entre as críticas do povo brasileiro reside o facto de ninguém estar disposto a pagar a fatura dos alegados gostos caros da primeira-dama, que pela sua postura firme não consegue deixar ninguém indiferente, para o bem e para o mal. 

Janja da Silva Foto: D.R.
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O LADO CRISTÃO DE FERNANDA BOLSONARO

E se Janja é, assumidamente, uma mulher de intervenção, do outro lado, a sua 'rival' não podia ser mais diferente. Mãe das duas filhas de Flávio Bolsonaro, Fernanda, de 45 anos, é cirurgiã dentista e até há pouco tempo uma anónima, que levava a sua vida longe dos holofotes mediáticos, até que, a dada altura da campanha, o candidato sentiu necessidade de chamar a mulher para o espaço público.

Fernanda e Flávio Bolsonaro Foto: Getty Images
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Aconteceu em junho, depois de um desentendimento com a madrasta Michelle Bolsonaro. Ainda sem saber se o corte com a mulher de Jair Bolsonaro seria temporário ou não, Flávio não quis deixar de ter uma figura feminina forte a seu lado e Fernanda entrou em cena, seguindo, no entanto, a linha de Michelle.

Na primeira aparição pública, apareceu a ler o discurso no telemóvel, justificando que não era uma mulher da política, mas sim uma dentista, enalteceu o marido enquanto pai de família – "é muito grudentinho", dizia – e citava a bíblia, dirigindo-se diretamente às mulheres evangélicas, evocando os valores de família tradicional. 

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Nessa altura, Fernanda passava também a ter uma postura mais ativa na sua conta de Instagram, ainda que numa ótica bastante diferente de Janja. Tudo o que publica, passa por uma decisão conjunta com a equipa que gere as suas redes sociais e tem um propósito definido. Por exemplo, na reta final da campanha, é inegável o esforço da mulher de Flávio Bolsonaro em chegar à população mais idosa, que representa a maior franja de abstencionistas no Brasil – garantindo, à imagem de uma neta querida, que o marido não vai mexer nas pensões nem retirar o acesso a medicamentos. Num outro vídeo, recentemente publicado, compara também preços nos supermercados para mostrar que o nível de vida no Brasil está proibitivo e coloca-se sempre no mesmo patamar dos eleitores, justificando também com a sua experiência pessoal, de uma mulher com um consultório aberto, e da dificuldade que representa suportar os elevados impostos.

Fernanda e Flávio Bolsonaro Foto: Getty Images

Entre dois mundos completamente diferentes, a verdade é que Janja e Fernanda trouxeram para a campanha eleitoral brasileira presenças fortes, vistas como ativos importantes para mobilizar o eleitorado e fazê-lo ir às urnas no próximo domingo para decidir quem será o próximo presidente do Brasil.

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