Largados na beira da estrada de forma cruel! Tudo o que se sabe sobre as crianças francesas de 3 e 5 anos abandonadas na Comporta
Padrasto terá dito aos miúdos para irem procurar um brinquedo e desapareceu. Meninos caminhavam debaixo de sol forte na beira da estrada. Autoridades já identificaram os pais, mas ainda não os localizaram. Crime de abandono é a hipótese mais provável.Duas crianças de origem francesa, de 3 e 5 anos, foram encontradas a vaguear na Estrada Nacional 253, perto de Monte Novo do Sul, junto uma vedação da via que liga Alcácer do Sal à localidade de Comporta. Segundo o jornal 'Observador', depois de entregues à Guarda Nacional Republicana (GNR) de Alcácer do Sal, por um transeunte, Alexandre Quintas, que as localizou pelas 19h30 desta terça-feira numa zona pouco movimentada, este deu-lhes comida pois estavam famintas, e estas contaram que o padrasto, que estaria com a mãe, lhes terá dito para irem procurar um brinquedo no mato tendo-as largado no local com as mochilas às costas e vendadas, como se de uma brincadeira se tratasse.
As crianças encontram-se internadas para observação no hospital de Setúbal, entregues ao cuidado da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) local. Os meninos, de 3 e 5 anos, disseram como se chamam, sabem que são franceses, mas o facto de não terem consigo qualquer identificação terá dificultado inicialmente a localização dos pais. O jornal 'Observador' avança, contudo, que os pais já terão sido identificados, mas ainda não localizados.
Também ao 'Observador', Alexandre Quintas relatou que estava a voltar de Alcácer do Sal de carro, pela estrada nacional 253 e rumo à padaria da família quando viu os dois irmãos de nacionalidade francesa a encaminharem-se na sua direção, a chorar. Colocou-os na sua viatura e foi para a padaria, onde as crianças contaram que o padrasto as vendou e lhes disse para procurarem um brinquedo no mato. Às costas, tinham mochilas com água e alguns alimentos como bolachas e fruta, mas não tinham qualquer identificação. De acordo com as próprias crianças, a casa de família será em Paris.
MÃE A PADRASTO CONTINUAM POR LOCALIZAR
Devido à diculdade de comunicação por causa da língua, Alexandre Quintas terá recorrido a uma amiga do filho – uma médica francesa a trabalhar em Lisboa – para, através do telemóvel, perceber a extraordinária e perturbadora história das crianças perdidas, como descreveu em declarações à RTP. Foi ainda ao observar o conteúdo das mochilas que Alexandre ficou com a convicção de que os menores tinham sido abandonados. "Eu percebi logo que eles tinham sido abandonados pelas mochilas, pela forma como elas estavam feitas percebi logo."
Outra das dúvidas que subsiste é há quanto tempo as crianças estariam sozinhas, a caminhar sem destino, perdidas, depois de terem sido alegadamente abandonadas pela mãe e pelo padrasto, que, até à hora da publicação deste artigo, ainda não tinham sido localizados.
Várias linhas de investigação estão a ser seguidas e, para já, os militares do Destacamento da GNR de Grândola admitem como possível a hipótese de abandono, por não ter havido qualquer auto de ocorrência por desaparecimento. As crianças estão a ser acompanhadas pela Embaixada de França em Portugal e o Ministério Público comunicou a situação ao Juízo de Família e Menores de Santiago do Cacém, que, segundo o 'Observador', já proferiu uma decisão provisória de acolhimento e pediu relatórios sobre a situação familiar.