O futebol já não é o era... Conheça Hector Bellerín, o novo craque do Sporting que compra roupa usada, é vegan e discute sexualidade: "um futebolista não tem de ser um macho alfa"
Está a dar que falar nos balneários leoninos um jogador que se distingue dos seus pares. Ligado a causas ambientais, não esbanja, não ostenta, mas sofre frequentemente o outro lado de ser diferente num meio muito machista. Quando um jogo corre mal, os adeptos insultam-no e chamam-no de "lésbica".
Hector Bellerín ficaria horrorizado se algum dia entrasse na garagem de Cristiano Ronaldo. Se o craque português tem uma coleção de carros de luxo e todas as novas 'bombas' do mercado, à porta de casa do novo jogador do Sporting Hector Bellerín só vai haver um: o seu Tesla, amigo do ambiente, comprado em segunda mão. E não é porque não tenha propriamente dinheiro para mais. É que o futebolista espanhol que agora assina pelos leões de Alvalade não entra em consumismos e assume uma postura que foge ao esteriótico criado para os craques da bola.
Aos 27 anos, o espanhol não tem paciência para ir jantar a restaurantes de luxo, anda muitas vezes de metro para não sobrecarregar o ambiente, visita galerias de arte, é vegan, adora livros, principalmente escritos por mulheres, e não se perde dentro do seu próprio closet: tem as roupas que baste para manter uma imagem cuidada no dia a dia, algumas de luxo, sim, mas muitas delas de lojas baratas, outras compradas em segunda mão. Como resultado das suas poupanças, o jogador que vem ocupar o lugar deixado vago por Pedro Porro no Sporting, diz que atualmente acumulou 15 milhões de euros na conta bancária. A FÚRIA NAS BANCADAS Ora num meio muitas vezes machista, como é o futebol, um jogador "fora da caixa" como Hector Bellerín nem sempre é bem recebido pelos adeptos. Se para qualquer craque, a mínima falha já é passível de insultos, já se está a ver o que acontece quando o jogador dos leões comete um deslize.
Como resultado das suas poupanças, o jogador que vem ocupar o lugar deixado vago por Pedro Porro no Sporting, diz que atualmente acumulou 15 milhões de euros na conta bancária.
A FÚRIA NAS BANCADAS
"Os futebolistas têm plataformas tão grandes das quais não tiram partido. Pessoalmente, acho que podemos influenciar as pessoas a serem elas próprias, a mudarem a forma como pensam, a viverem uma vida melhor, seja o que for. Não o fazemos o suficiente, mas foi sempre algo que quis fazer." Nascido numa família humilde, que vivia com o dinheiro contado, Hector Bellerín admite que no início da carreira fez o percurso comum a muitos futebolistas e se deixou levar por um estilo de vida de ostentação: comprou um Mercedes topo de gama, acumulou joias e roupa cara, até que quando deixa o Barcelona e vai para Inglaterra jogar no Arsenal, Londres "lhe mudou a cabeça". Passou a encarar a moda de uma outra forma e no futuro até admite que gostaria de vir a tornar-se designer. O seu estilo e paixão pela moda fez com que já tivesse sido convidado para desfilar para a Louis Vuitton e é considerado uma das personalidades que mais influenciam nesta área no país vizinho. No entanto, não se considera um excêntrico, mas sim um apaixonado por moda, que está indissociada à história da sua família.
"Os futebolistas têm plataformas tão grandes das quais não tiram partido. Pessoalmente, acho que podemos influenciar as pessoas a serem elas próprias, a mudarem a forma como pensam, a viverem uma vida melhor, seja o que for. Não o fazemos o suficiente, mas foi sempre algo que quis fazer."
Nascido numa família humilde, que vivia com o dinheiro contado, Hector Bellerín admite que no início da carreira fez o percurso comum a muitos futebolistas e se deixou levar por um estilo de vida de ostentação: comprou um Mercedes topo de gama, acumulou joias e roupa cara, até que quando deixa o Barcelona e vai para Inglaterra jogar no Arsenal, Londres "lhe mudou a cabeça".
Passou a encarar a moda de uma outra forma e no futuro até admite que gostaria de vir a tornar-se designer. O seu estilo e paixão pela moda fez com que já tivesse sido convidado para desfilar para a Louis Vuitton e é considerado uma das personalidades que mais influenciam nesta área no país vizinho. No entanto, não se considera um excêntrico, mas sim um apaixonado por moda, que está indissociada à história da sua família.
"Quando ouço as pessoas dizerem: 'ele veste-se assim porque está à procura de atenção', isso é algo que me magoa. A moda foi algo que me tornou ainda mais próximo da minha família enquanto crescia. É algo que está no meu íntimo, nas minhas raízes. Não é algo que encare com leveza e vou ser muito frontal quanto a isso", já afirmou.
PÕE O DEDO NA FERIDA
Bellerín cresceu longe da família e quando ganhou destaque em Inglaterra não hesitou em falar sobre vários assuntos que normalmente são tabu no meio do futebol, como a solidão a que muitos craques estão sujeitos a viver.
"Mesmo como futebolista podes sentir-te incrivelmente solitário. Se a tua família vive longe, acabas sempre a chegar a uma casa vazia. Até há pouco tempo, tínhamos que fazer de conta que a solidão e a depressão não existiam. Não nos era permitido chorar."
Outro dos temas em destaque nessa entrevista foi a homossexualidade num meio ultra-conservador. "É impossível que alguém possa ser abertamente gay no futebol".
Vegano e defensor das causas ambientais, prometeu plantar, em 2020, 3000 árvores por cada vitória do Arsenal e já falou várias vezes sobre o papel que os futebolistas deveriam ter no mundo.
"Os jogadores de futebol são as pessoas que mais deveriam pagar impostos. Nós estamos numa posição muito privilegiada. Mas o que acontece é que, neste momento, os jogadores estão a perderr o contacto com o público, estão desumanizados, vivem numa bolha. Somos os que receberem mais ao final do mês. Eu venho de uma família que fazia milagres para poder comer ao final do mês. Todos querem receber mais, estar confortável, mas acho que tens de olhar para a tua situação, para a sociedade, para os que estão em situações precárias. Somos muito privilegiados. Trabalhamos para isso e temos de fazer muitos sacrifícios, mas temos de ter consciência daquilo que temos, de onde viemos, devíamos ser os primeiros a ajudar a estabilizar a sociedade. Mas percebo que alguns colegas meus pensem de forma diferente".
A NAMORADA ATIVISTA
E também no que toca às relações amorosas, Bellerín foge ao esteriótipo do jogador de futebol. Não namora com uma modelo 86-60-86, mas sim com uma 'mulher real', também ela ativista. Chama-se Jasmine Muller, é modelo e influenciadora e, como não podia deixar de ser, partilha os mesmos ideiais do craque.