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O 'modelo de beleza' que conquistou a extrema-direita. A ascensão relâmpago de Ulrich Siegmund, o "charme" que faz tremer Berlim e a Europa

De antigo empresário do setor dos perfumes a "homem mais perigoso da Alemanha", Ulrich Siegmund usou a imagem de modelo para liderar a extrema-direita a uma vitória histórica que faz tremer a política europeia.
Por Hélder Ramalho | 07 de setembro de 2026 às 18:10
Ulrich Siegmund venceu as eleições regionais da Saxónia-Anhalt para a AfD, partido da extrema-Direita Foto: LUSA_EPA

Sorriso impecável, corte de cabelo alinhado e uma imagem cuidada que remete mais para um anúncio de perfume do que para os comícios inflamados da política radical. Aos 35 anos, Ulrich Siegmund tornou-se o rosto do terramoto político que abalou a Alemanha no último domingo, 6 de setembro.

Ao conduzir a Alternativa para a Alemanha (AfD) a uma vitória histórica de 43,8% dos votos nas eleições regionais da Saxónia-Anhalt – muito próximo da maioria absoluta –, transformou-se no primeiro líder de extrema-direita a vencer umas eleições estaduais desde a fundação da República Federal da Alemanha, em 1949.

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Os co-líderes da Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel e Tino Chrupalla, ao lado de Ulrich Siegmund, que protagonizou a vitória histórica na Saxónia-Anhalt Foto: AP

Mas a trajetória do homem que colocou Berlim e a Europa em sobressalto começou longe das quezílias parlamentares. Com formação em psicologia corporativa, Siegmund deu os primeiros passos no mundo dos negócios como . Criou um catálogo com mais de 200 aromas para empresas e escritórios, incluindo a essência 'Le Patron', desenvolvendo uma sensibilidade apurada para a comunicação e para a construção de marca.

O "MODELO DE BELEZA" QUE TRANSFORMOU UM ATAQUE NUM TRUNFO

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Essa bagagem do mundo corporativo refletiu-se na forma como moldou a sua persona política. Vendido como um modelo de "beleza" e dinamismo, Siegmund usa a sua imagem atlética e a presença fortíssima nas redes sociais, onde soma centenas de milhares de seguidores, para polir a imagem agressiva tradicionalmente associada à extrema-direita. A estratégia revelou-se eficaz.

Quando a prestigiada revista alemã 'Der Spiegel' publicou uma capa com a sua fotografia apelidando-o de "o homem mais perigoso da Alemanha", Siegmund fez o oposto do esperado: apropriou-se do epíteto. Começou a autografar exemplares da revista durante a campanha – um dos quais chegou a ser leiloado por mais de mil euros – e transformou o ataque da imprensa no seu maior trunfo de popularidade.

Ulrich Siegmund celebra a vitória de domingo, 6 de setembro, com a mulher, Julia Siegmund , Foto: AP
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Por trás do "sorriso de comercial", porém, acumula polémicas. O seu percurso tem sido pontuado por acusações de nepotismo devido à contratação e promoção de familiares e amigos próximos para estruturas ligadas ao partido, prática que o próprio desdramatizou publicamente. Além disso, a sua participação em reuniões da extrema-direita radical levou mesmo à sua destituição da comissão de assuntos sociais do parlamento regional. Agora, com o feito histórico em Saxónia-Anhalt, o antigo vendedor de perfumes provou que a sua fórmula política tem força de atração.

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