O regresso mais atribulado. Como Harry e Meghan têm enfrentado obstáculo atrás de obstáculo na procura de uma vida melhor no Reino Unido
O surpreendente regresso dos duques de Sussex a Inglaterra depois de seis anos nos EUA parecia ser o início de uma nova fase para Harry e Meghan e de uma possível - e muito aguardada - reconciliação com a família real. Mas, longe de um recomeço tranquilo, o casal tem sido confrontado com uma sucessão de contratempos.O regresso de Harry e Meghan Markle ao Reino Unido surpreendeu tudo e todos. Depois de seis anos nos EUA, o casal decidiu voltar a instalar-se em Inglaterra com os filhos, Archie e Lilibet, numa decisão que apanhou desprevenidos até alguns dos elementos mais próximos da família real, que nem sequer terão sido avisados com antecendência.
Contudo, aquilo que devia ser um novo e feliz capítulo na vida dos duques de Sussex tem sido marcado por uma série de contratempos, muitos deles relacionados precisamente com os dois temas que estiveram no centro da saída do casal da monarquia, em 2020: a segurança e a sua conturbada relação com a família real.
O primeiro sinal de que o regresso não seria propriamente simples surgiu ainda antes de Harry e Meghan se instalarem definitivamente. A decisão de regressar foi anunciada de forma repentina e, segundo a imprensa britânica, o próprio rei Carlos III só terá sido informado pouco antes da notícia se tornar pública. Apesar de ter recebido a possibilidade de voltar a passar mais tempo com os netos mais novos de forma positiva, depois de tantos anos fisicamente longe deles, o monarca, de 77 anos, não terá participado na decisão de mudança nem na forma como o casal pretende ser novamente reintegrado na família.
Além disso, Harry e Meghan regressam, sim, mas não enquanto membros ativos da família real. Esta mudança para o Reino Unido não significa uma recuperação dos papéis que abandonaram com grande pompa e circunstância. Os duques continuam a não ter funções oficiais e não vivem sequer numa residência real.
Esta questão tornou-se ainda mais constrangedora no início de setembro, quando, de acordo com a revista 'People', o Palácio de Buckingham divulgou uma carta, enviada por ordem de Carlos III aos mais altos responsáveis do Governo, das Forças Armadas e das autoridades locais, em que deixava claro que não tinha havido qualquer alteração no estatuto de Harry e Meghan. O documento reafirmava que os duques continuam a desempenhar as suas atividades enquanto particulares, sem funções oficiais, e que os seus títulos de HRH permanecem suspensos.
Isto demonstra que a relação de Harry e Meghan com a família do príncipe continua tensa, graças às múltiplas declarações polémicas do casal sobre a família real ao longo dos últimos anos. Ainda assim, o suposto encontro entre Harry, Meghan, Archie, Lilibet e Carlos III em Highgrove, em julho, foi visto como um sinal de reaproximação. Já a relação entre Harry e o irmão, William, continua profundamente deteriorada, sem que exista qualquer indicação pública de uma reconciliação entre os dois.
Ainda assim, é na segurança que reside o maior problema deste regresso atribulado. Quando Harry e Meghan abandonaram as funções reais, perderam a proteção de que beneficiavam enquanto membros ativos da realeza, e que é paga com o dinheiro dos contribuintes britânicos. Harry contestou judicialmente esta decisão e tem defendido repetidamente que a segurança é uma das principais razões pelas quais hesitava em trazer a mulher e os filhos para o Reino Unido de forma permanente e uma das suas principais razões para os atritos com o pai, Carlos III.
Embora o problema continue sem uma solução definitiva, as autoridades britânicas estarão agora a realizar novas avaliações de risco relativamente à segurança do casal. Mas, até haver uma decisão, a segurança continua a ser uma grande preocupação para o casal, e prova disso foi o que aconteceu nos últimos dias.
No início deste mês, Archie, de 7 anos, e Lilibet, de 5, começaram as aulas numa nova escola britânica, escolhida pelos pais. No entanto... acabaram por ficar apenas dois dias na instituição. Harry e Meghan decidiram retirar as crianças da escola depois da sua equipa de segurança pessoal ter levantado preocupações relativamente às deslocações entre a casa e o estabelecimento de ensino, nomeadamente devido à distância e ao trânsito intenso na zona. E, como se não bastasse, o número de telemóvel de Meghan terá sido exposto por alguém do grupo de pais de Whatsapp.
Apesar de todos estes problemas, Harry já começou a recuperar uma presença mais regular em solo britânico. Esta quinta-feira, 17 de setembro, surgiu pela primeira vez num compromisso público desde o regresso, nos Invictus Spirit Awards, em Londres. O príncipe mostrou-se satisfeito por estar novamente no país e tem outros compromissos previstos para as próximas semanas.
O tão aguardado regresso pode, de facto, representar um recomeço. Mas, para já, a nova vida de Harry e Meghan em Inglaterra tem sido marcada por vários obstáculos que só o tempo dirá se serão capazes de ultrapassar.