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Assim é o novo ministro! O carrasco de Rendeiro que se "casou com o trabalho" deixando para trás a fama de Dom Juan do Fundão

Luís Neves tinha uma legião de apaixonadas quando era o miúdo loirinho das piscinas do Fundão durante as férias de verão. Depois, mudou-se para Almada e hoje já não passa férias na terra natal. "Parece que se casou com a PJ", diz um amigo, que lhe elogia "a sensatez" e a "seriedade". Conseguiu modernizar a polícia de investigação, foi uma ave de rapina a apanhar criminosos e chama "praga" aos crimes económicos e ao ciberterrorismo, onde deu a mão ao pirata informático Rui Pinto, hoje a colaborar com a PJ. Torna-se agora ministro com a fasquia muito alta. Será que vai conseguir dar a volta às condições de trabalho de polícias e bombeiros? Ou gerir bem a época dos fogos? Será que vai pôr a Proteção Civil a funcionar? Os próximos meses irão trazer as respostas...
João Bénard Garcia
João Bénard Garcia
23 de fevereiro de 2026 às 20:47
Luís Neves, novo ministro, modernizou a Polícia Judiciária e combate crimes económicos
Luís Neves, novo ministro, modernizou a Polícia Judiciária e combate crimes económicos

Luís Neves, o novo ministro da Administração Interna (MAI) nasceu na maternidade em Castelo Branco a 24 de setembro de 1965, mas a sua família residia quase toda no Fundão, a terra que o viu crescer, mas só na mais tenra idade. Ainda pequeno, quase de colo, emigrou com a família para a cidade portuária do Lobito, na província de Benguela, em Angola, onde o pai foi gerente bancário até à descolonização. Terminada a aventura africana dos Neves, a família regressou ao Fundão, a terra natal, e com oito anos Luís ainda chegou a frequentar as carteiras e o recreio de uma das escolas primárias da cidade. Mas a permanência na pequena localidade beirã durou muito pouco tempo. Rapidamente a família Neves rumou a Almada, cidade onde se estabeleceu a viver e a trabalhar, e onde o agora ministro chegou a exercer a profissão de advogado como estagiário, entre 1992 e 1995, ano em que entrou definitivamente para a Polícia Judiciária (PJ) como inspetor.

Diretor da PJ, Luís Neves
Diretor da PJ, Luís Neves

Sobrinho de advogados do Fundão, com fortes ligações de amizade ao jornal mais emblemático da Beira Interior - o Jornal do Fundão -, foi nesta cidade que deu nas vistas, e de que maneira, durante a adolescência. Uma vizinha da família conheceu-o bem com 15, 16 e 17 anos, quando as suas férias de verão eram sempre passadas ali. "Tinha grande apetência para o desporto e era tão bonito em miúdo. Passava muito tempo na piscina antiga e como era muito loiro ficava com o cabelo esverdeado do cloro. Era a loucura das miúdas", comentou nas redes sociais, tendo recebido a concordância de outra fundanense que o conheceu nessa época.

"WORKAHOLIC', SÉRIO E GOSTA DE RELAÇÕES SIMPLES"

Depois de exercer advocacia num escritório em Almada, Luís António Trindade Nunes das Neves entra para a PJ, passa com distinção no curso e, como revela um amigo que nos pediu anonimato, "parece que casou com a PJ. É um 'workaholic' e um tipo sério. É muito trabalhador e sério. Entrou bem na carreira, foi evoluindo, explora as coisas muito a fundo e é bastante sensato", conta, reiterando: "O Luís é muito institucional sem ser formal. Gosta de relações simples e é muito pragmático no contacto com as pessoas".

Na PJ desde 1995, onde se destacou enquanto coordenador da Unidade Nacional de Luta contra o Terrorismo. Saltou para a ribalta mediática com a captura a 11 de dezembro de 2021 em Durban, na África do Sul do banqueiro João Rendeiro, ex-líder do Banco Privado Português, que esteve em fuga durante três meses depois de formalmente condenado por vários crimes económicos.

Luís Neves, novo ministro, enfrenta expectativas altas para a proteção civil e polícias
Luís Neves, novo ministro, enfrenta expectativas altas para a proteção civil e polícias

Em junho de 2018, quando deixou de liderar a Unidade Nacional de Luta contra o Terrorismo e tomou posse no seu primeiro mandato como Diretor Nacional, sucedendo ao histórico dirigente Almeida Rodrigues, Luís já tinha uma impecável folha de serviço: Foi responsável por casos resolvidos relacionados com o fim das células da ETA em Portugal, com os skinheads ou com assaltos a caixas multibanco (ATM) com recurso a material explosivo. E foi durante o seu mandato que foi dada proteção ao 'hacker' Rui Pinto, o pirata informático por detrás do 'Football Leaks', que está acusado de 90 crimes, 68 dos quais de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo e ainda um por sabotagem informática à SAD do Sporting e outro por extorsão na forma tentada, mas que colabora desde a sua detenção com a PJ em inúmeras investigações ao cibercrime e goza de proteção da instituição.

O OBREIRO DA REVOLUÇÃO QUE SALVOU A PJ

Começou na Direção Central de Combate ao Banditismo como inspetor onde esteve 13 anos, passou a coordenador em 2006, subiu a diretor adjunto em 2007 e, posteriormente, tornou-se diretor daquela estrutura, que, com reorganização orgânica na PJ, foi renomeada Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo. Quando sobe à liderança desta polícia de investigação consegue uma pequena revolução, ocorrida no momento em que a PJ também inaugura a sua mega moderna sede, dando condições ímpares de trabalho aos seus funcionário. Mas fez mais: Em seis anos recrutou 500 novos inspectores e 150 peritos, reforçando a capacidade da PJ nas investigações a crimes económicos e casos de corrupção, a que chamou "uma praga" no discurso de tomada de posse no primeiro mandato, e que estão em franco crescimento.

Luís Neves assume pasta e enfrenta desafios na Proteção Civil
Luís Neves assume pasta e enfrenta desafios na Proteção Civil

Consegue luz verde do Governo para recrutar nos próximos cinco anos mais 50 peritos por ano, acabando com o congelamento de novos recrutamentos que tinham ocorrido antes de 2018, depois de quase 12 anos de estagnação de quadros, facto que prejudicou esta polícia, pois saíram inúmeros inspetores para a aposentadoria que não foram substituídos, sendo que a quantidade de crimes aumentou, na exata proporção da sua complexidade. No seu discurso de tomada de posse em 2018, referiu que a “PJ é um investimento seguro” porque há “um retorno garantido” na "luta contra o crime e na apreensão dos bens e valores ilícitos e branqueados pela criminalidade".

Conhecido como um homem pragmático, do terreno e que não cede a pressões, é considerado um dos maiores especialistas em Portugal de questões de terrorismo e crimes transfronteiriços, sobretudo os de natureza mais organizada e violentos. Internamente, ficou também associado às investigações à extrema-direita e às máfias de leste. Pelos seus pares, é considerado um profissional com uma postura de homem pragmático, do terreno, que acompanha ao milímetro todas as investigações, focado no trabalho e imune a pressões, razão pela qual o mesmo amigo que falou com a The Mag, by Flash! considera ser "um disparate terem-lhe perguntado se a nomeação iria favorecer Luís Montenegro na investigação pela PJ do Caso Spinumviva", que envolve os negócios da consultora que está em nome dos filhos do primeiro ministro. A verdade é que Luís Neves no MAI não vai ter a tutela da PJ pois a mesma pertence ao Ministério da Justiça, liderado pela agora colega Rita Alarcão Júdice.

O INSPETOR FORJADO NA ESCOLA DO FBI

Luís Neves nunca foi de dar entrevistas, tem a fama de ser "tritura ministros" passando agora para o lado de lá. Licenciado em Direito, é também formado em liderança, ética e processos de tomada de decisão na academia do FBI em Quantico, nos Estados Unidos. Entrou na PJ em 1995 e trabalhou com dirigentes históricos desta polícia como Orlando Romano e Teófilo Santiago, ambos na então Direção Central de Combate ao Banditismo (DCCB). Nos mais de trinta anos de serviço esteve ligado à investigação criminal, na esfera do crime violento e organizado, terrorismo e todas as formas de extremismo violento, rapto, sequestro, tomada de reféns, assalto à mão armada, tráfico de armas, tráfico de seres humanos, crimes cometidos com recurso a engenhos explosivos e crimes contra órgãos de soberania. Chegou a diretor da Unidade Nacional Contraterrorismo (UNCT) e da extinta DCCB.

Luís Neves foi diretor da PJ
Luís Neves foi diretor da PJ

Neves esteve envolvido no caso de desmantelamento de células da ETA em Portugal, de detenção de "skinheads" e do líder de extrema-direita Mário Machado, da detenção em Itália do espião do SIS Frederico Carvalhão Gil e do caso do rei Ghob, suspeito do homicídio de vários jovens. Foi ainda durante a sua liderança da UNCT que se deu o furto de material de guerra em Tancos, cabendo-lhe a investigação do caso.

Durante a sua carreira, Neves foi agraciado com a Cruz de Mérito Policial atribuída pelo Ministro do Interior de Espanha em 2004 e com a Cruz da Ordem de Mérito do Corpo da Guardia Civil espanhola, atribuída em 2007, recebendo ainda uma condecoração pelo Vaticano. No despacho da sua recondução para o terceiro mandato à frente dos destinos da PJ, estão elencados os argumentos para a sua nomeação: "Possuidor de reconhecida competência técnica, aptidão, experiência profissional e formação adequadas ao exercício das respetivas funções, como resulta demonstrado da síntese curricular anexa ao presente despacho". Se como ministro promete competência? Promete, e a fasquia e as expectativas estão todas muito altas em relação ao loirinho que há 45 anos estoirava corações das meninas nas piscinas do Fundão.

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