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Ilusões, mentiras e obsessão: novos pormenores da relação 'bomba-relógio' que levou à morte de Carlos Castro por Renato Seabra

Quinze anos depois do crime que chocou o país, o acesso ao processo judicial revela a teia de mentiras e o clima de tensão que transformaram o sonho de Nova Iorque num cenário de morte e violência extrema..
Hélder Ramalho
Hélder Ramalho
21 de abril de 2026 às 21:28
Ilusões, mentiras e obsessão: novos pormenores da relação 'bomba-relógio' que levou à morte de Carlos Castro por Renato Seabra
Carlos Castro e Renato Seabra
Amiga de Carlos Castro recorda últimos momentos e responsabiliza Renato Seabra
Renato Seabra, Carlos Castro
Carlos Castro e renato seabra
Carlos Castro e Renato Seabra
Amiga de Carlos Castro recorda últimos momentos e responsabiliza Renato Seabra
Renato Seabra, Carlos Castro
Carlos Castro e renato seabra

Quinze anos após o crime que paralisou Portugal e a cidade de Nova Iorque, há novos pormenores sobre a morte violenta de Carlos Castro que continuam a vir a público, revelando as várias camadas de uma relação controversa marcada por ilusões, obsessão e paixão.

O caso, ocorrido em janeiro de 2011 no quarto 3416 do hotel InterContinental, em Nova Iorque, voltou agora à praça pública após o jornal 'Observador' ter acedido ao processo judicial completo. Composto por mais de quatro mil páginas, centenas de fotografias e vídeos de videovigilância, o dossier permite reconstruir ao pormenor a dinâmica entre o cronista social, de 65 anos de idade, e o aspirante a modelo Renato Seabra, na altura com 20 anos.

Segundo os documentos citados pelo referido jornal e pelo 'Correio da Manhã', a ligação entre os dois homens começou através do Facebook em outubro de 2010. De acordo com uma confissão posterior de Seabra, o primeiro beijo aconteceu no mesmo dia em que se conheceram. O que inicialmente parecia ser uma oportunidade de ouro para o jovem de Cantanhede – com Carlos Castro a utilizar a sua influência para agendar reuniões em agências de topo em Manhattan – acabou por revelar-se um foco de crescente tensão, com expectativas defraudadas de parte a parte.

O casal viajou para Nova Iorque para a Passagem de Ano. Embora as fotografias dos primeiros dias da viagem mostrassem momentos de descontração, as imagens das câmaras do hotel provam que, na véspera do homicídio, o ambiente já era de conflito. Carlos Castro, num presságio do que estaria para vir, tentou mesmo antecipar o seu voo para Lisboa poucas horas antes de ser brutalmente assassinado no quarto.

O macabro crime, cometido no 34.º piso, atingiu níveis de violência que chocaram até os investigadores norte-americanos mais experientes. Renato Seabra não só agrediu o cronista com um televisor e uma cadeira, como utilizou um saca-rolhas para mutilar a vítima. Sinais de que o crime foi cometido sob uma grande raiva. Durante o julgamento, Renato disse que nunca tinha tido comportamentos violentos e declarou que não conseguia explicar o que o levou a comportar-se assim naquele dia.

MENTIRAS E OBSESSÃO

No podcast 'Aqui Há Crime', a estilista Fátima Lopes recordou Renato como um "menino pacato" que conheceu no concurso 'À Procura do Sonho', mas sublinhou que a sua ida para os Estados Unidos foi baseada numa mentira partilhada. Segundo a designer de moda, Renato nunca teria potencial para ser um modelo de sucesso internacional, e a viagem serviu apenas para enganar a mãe do jovem sobre a verdadeira natureza da relação com Carlos Castro.

Fernanda Dias, amiga próxima do cronista, reforçou a complexidade desta relação, revelando que Carlos vivia atormentado por ciúmes e pela esperança de que Renato assumisse a sua homossexualidade. O jovem nunca escondeu que se sentia atraído por raparigas. O desfecho desta trágica história de amor e ambição mantém Renato Seabra detido numa prisão de segurança máxima nos Estados Unidos, ironicamente apelidada de 'Pequena Sibéria', onde já terá tentado o suicídio por duas vezes.

Condenado a prisão perpétua – pena que será revista daqui a 10 anos –, o antigo modelo, agora com 35 anos, continua a ser a figura central de um processo que, segundo as transcrições integrais do julgamento agora reveladas, nem o próprio consegue explicar de forma cabal.

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