Quinze anos após um dos crimes mais chocantes associados a figuras públicas portuguesas, Renato Seabra continua a cumprir pena nos Estados Unidos. O então jovem aspirante a modelo, que em 2011 assassinou o cronista social Carlos Castro num hotel de Nova Iorque, sonha com o regresso a casa, ou seja, com o regresso a Portugal.
De facto a pena de prisão perpétua a que foi condenado será revista daqui a 10 anos, ou seja, quando prefazer 25 anos após ter entrado naquela que é considerada uma das prisões de alta segurança dos Estados Unidos, a Clinton Correctional Facility (CCF) e que é conhecida como a ‘Pequena Sibéria’.
A primeira audiência para avaliar a possibilidade de liberdade condicional está prevista apenas para 2035. Caso venha a ser aprovada, Renato Seabra [que a altura do crime tinha apenas 22 anos] poderá sair em liberdade em 2036, aos 46 anos de idade, e regressar a Portugal, para junto da família e, sobretudo, da mãe que nunca deixou de apoiar o filho.
Na prisão, o comportamento de Renato Seabra tem sido definido como exemplar, o que poderá a ter um peso determinante na aplicação da liberdade condicional. Enquanto essa data não chegar, o antigo manequim tem passado os seus dias em grande solidão passando cerca de 23 horas por dia fechado na cela, tendo apenas uma hora de recreio para contactar com outros reclusos. Ainda assim, "trabalha na confeção de roupas e ajuda na missa", conforme revelou Hernâni Carvalho na SIC em 2019 e recebe, visitas de familiares e amigos três a quatro vezes por ano.
Os problemas de saúde mental continuam a marcar o seu percurso no sistema prisional, com vários surtos psicóticos registados ao longo dos anos, episódios que o obrigaram a permanecer por diversas vezes na enfermaria. Já terá tentado suicidar-se por duas vezes. Agora, foi aberto o processo judicial o que permite reconstituir o crime que mais tinta fez correr no nosso país em 2011.