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Os relatos sexuais das 'senhoritas' sobre o pesadelo com Julio Iglesias na 'mansão do terror': "Sentia-me como um objeto, uma escrava"

Funcionárias diziam ser obrigadas a favores sexuais, 'ménages' e a tudo o que satisfizesse os desejos do artista, na sua mansão de Punta Cana ou na das Bahamas. Controlaria também questões como o seu peso, confiscava-lhes os telemóveis e impunha uma rotina rígida que comparam a uma ditadura. Depois dos relatos, o Ministério Público já abriu uma investigação ao assunto e estas mulheres vão testemunhar oficialmente. O famoso artista, hoje com 82 anos, diz que é tudo mentira e que vai responder em sede própria.
Rute Lourenço
Rute Lourenço
15 de janeiro de 2026 às 22:40
Julio Iglesias é acusado de escravidão e abusos sexuais em mansões nas Bahamas e Punta Cana
Julio Iglesias é acusado de escravidão e abusos sexuais em mansões nas Bahamas e Punta Cana

Durante mais de três anos, o 'elDiario.es' e a 'Univision' ouviram atentamente a denúncia de dezenas de funcionários de Julio Iglesias, que ganharam coragem para revelar os 'horrores' que afirmam ter vivido nas mansões do artista em Punta Cana e nas Bahamas, numa queixa entretanto formalizada ao Ministério Público, que já está a dar seguimento ao caso.

Em sede própria, estas mulheres irão relatar o pesadelo, mas para a reportagem conjunta elaboradas pelos meios, duas das funcionárias - uma empregada doméstica e uma fisioterapeuta - aceitaram contar, sob nome falso, a sua história, vivida durante os tempos de pandemia, em 2021.

Julio Iglesias nega acusações de assédio e escravidão em mansões em Punta Cana e Bahamas
Julio Iglesias nega acusações de assédio e escravidão em mansões em Punta Cana e Bahamas

Para Rebeca - nome fictício - tudo começou no momento em que viu o anúncio para trabalhar como empregada doméstica numa moradia. Estranhou que, após ter respondido, lhe tenham pedido que enviasse várias fotografias de corpo inteiro, bem como exames ginecológicos e para doenças sexualmente transmissíveis, mas acabou por aceder, e quando percebeu o que era o trabalho, pensava estar a viver um sonho, numa mansão elegante num cenário idílico, até perceber que limpar o pó não era tudo o que esperavam dela. “Como é possível que eu estivesse a viver naquele paraíso e tudo o que eu queria era ficar trancada no quarto? Entrei numa profunda depressão e percebi que não queria estar ali", disse, pouco depois de o seu inferno ter começado, precisamente no dia em que os seus superiores lhe sugeriram que acompanhar Iglesias, então com 77 anos, nas suas idas ao mar, fazia parte do seu trabalho. Nesse encontro, e depois de, alegadamente, lhe elogiar o rabo, disse-lhe para nessa noite ir ter ao seu quarto. "Não estava a pensar que era para ter relações sexuais", justificou a jovem, então com 22 anos. 

Investigação sobre Julio Iglesias após relatos de assédio em Punta Cana e Bahamas
Investigação sobre Julio Iglesias após relatos de assédio em Punta Cana e Bahamas

Antes de subir ao quarto, a supervisora explicou-lhe que Iglesias pretendia que as duas se envolvessem. Disse para mudar de roupa, calçar saltos altos e usar um acessório havaiano. Antes de entrar no quarto, Rebeca bebeu vários copos de vinho e shots de tequila. Quando entrou, o artista, mundialmente famoso, estava nu da cintura para baixo e Rebeca foi surpreendida com um beijo da sua supervisora. “Fiquei muito constrangida e não deixei que ela me tocasse muito", disse, acrescentando que no quarto a fizeram beber mais e que no dia seguinte acordou no quarto do patrão a vomitar e sem se lembrar de grande parte da noite.

A partir desse dia, Iglesias e as supervisoras passaram a exigir os seus serviços quase todas as noites. “Começava a trabalhar às 8h e acabava às 23h. Depois, chamavam-me para o quarto [de Iglesias], e eu saía à meia-noite ou à 1h da manhã para ir dormir para o meu quarto. Chamavam-me quatro ou cinco vezes por semana. Só me deixavam descansar quando a mulher estava com ele em Punta Cana ou quando estava com outra senhorita”, disse, referindo-se ao nome como elas e as outras funcionárias com um "estatuto diferente" eram tratadas. 

Julio Iglesias é acusado por funcionárias de assédio sexual em Punta Cana e Bahamas
Julio Iglesias é acusado por funcionárias de assédio sexual em Punta Cana e Bahamas

Durante essas muitas ocasiões, Rebeca disse ter sido "penetrada analmente com os dedos" por Iglesias e que o cantor nunca acedia aos seus pedidos para que parasse. "Dizia-lhe para parar mais de cinco vezes. Também me deu uma bofetada na cara com muita força, com uma força tremenda — foi horrível", contou. "Sentia-me como um objeto, como uma escrava”. Nessas recusas, a jovem conta que Iglesias lhe dizia que deveria sentir-se "uma princesa" por alguém do seu estatuto querer estar com ela e que "tinha muita sorte".

Uma das situações mais traumatizantes vividas por Rebeca aconteceu numa fase em que Iglesias estava gravemente doente e com muita dor ciática, com períodos em que nada lhe retirava o sofrimento. Numa dessas noites, diz ter sido chamada a casa do artista para um pedido insólito.

Ele sentia tantas dores que a perna tremia e não conseguia dormir”, contou Rebeca. Quando a dor se agravou, Rebeca cuidou dele 24 horas por dia, durante dias, revezando-se com a sua supervisora. “Fiquei como um zombie naquela semana — não dormi nada.”

Num desses dias de doença, foi instruída para ir ao quarto dele à noite. “Fez-me passar horas a lamber-lhe o ânus e a chupar-lhe o pénis […] porque sentia muitas dores e isso acalmava-o. Passei a maior parte da noite a chupar-lhe os genitais. Quando parava ou adormecia, ele puxava-me a cabeça para que eu continuasse”, disse a mulher numa das várias entrevistas para a reportagem.

A VERSÃO DE LAURA, A FISIOTERAPEUTA

Para Laura - também nome fictício - fisioterapeuta, os abusos nunca chegaram a um teor sexual, porque a mulher conseguiu impor os seus limites de forma veemente, mas não é por isso que se diz ter sentido menos humilhada. A sensação de que algo não estava bem naquela mansão idílica começou logo depois de ter sido contratada. Ficou imediatamente impressionada com a forma como as funcionárias cumprimentavam Julio Iglesias: todas alinhadas à porta, de mãos atrás das costas, de uniforme, mas rapidamente percebeu que ali se vivia numa espécie de ditadura.

“Repreendia-me e humilhava-me em público, à hora das refeições, à frente de todos os que estavam à mesa, porque não dizia essas coisas em privado. O almoço era quase sempre uma tragédia. Se se comesse muito, era porque se comia mesmo muito. Dizia sempre que eu era gorda e que precisava de emagrecer", explica Laura, acrescentando que os reparos sobre o peso das empregadas era uma constante, obrigando-as mesmo a subir para a balança.

Duas semanas depois de ter começado a trabalhar para o artista, durante o almoço e perante várias pessoas, Julio Iglesias perguntou a Laura se os seus seios eram “naturais ou tinham sido aumentados cirurgicamente”. “Tinha feito uma cirurgia, então ele disse-me para ‘mostrá-los’”, contou, acrescentando que, face à pressão, não teve coragem de dizer que não.

"Depois, sob pressão ou porque não conseguia dizer não, levantei-me e mostrei. Não me pareceu normal, mas desde o momento em que entrei naquela casa, percebi que tudo era fora do normal, que não era gerido da forma profissional que seria de esperar. Fazem acreditar que é uma família, mas há limites, há regras, há coisas que se aprendem da maneira mais difícil."

Quando ficavam sozinhos, Iglesias tentava sempre uma abordagem mais íntima, mesmo que não levasse a cabo os seus avanços. "Também me perguntava, quando estávamos sozinhos, se gostava de sexo a três, se gostava de mulheres e se era mente aberta. Noutras ocasiões, fazia perguntas pessoais como 'quando é que te tocas?'. Eu conseguia dizer não e, até certo ponto, ele respeitava esse não. Mas havia raparigas que não conseguiam dizer não. E ele fazia o que queria com elas.”

Laura recorda ainda que na mansão todos os mais de 16 funcionário viviam em stress e vigilantes. "Estávamos em constante estado de alerta. Aquela casa devia chamar-se casinha do terror, porque é um pesadelo — algo verdadeiramente horrível. O Julio é uma pessoa muito controladora."

As funcionárias dizem ainda que não podiam ter namorado, manter conversas telefónicas e tinham de entregar os seus telemóveis constantemente para verificação.

Contactado pela revista 'Hola', Iglesias já disse que as acusações são falsas e que vai refutá-las em sede própria, o que vai mesmo acontecer, uma vez que o Ministério Público já deu seguimento ao caso que está a agitar Espanha e o Mundo.

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