Quando o príncipe Haakon da Noruega se apaixonou por Mette-Marit, esta já tinha um filho, Marius, que foi acolhido como um pequeno príncipe. A conexão não foi imediata, mas com o tempo o jovem passou a receber todos os mimos da família real norueguesa. "No início, ele provavelmente teve dificuldade em conectar-se comigo. Eu tive de me esforçar um pouco para me conectar com ele. Mas rapidamente encontrámos o ritmo certo", afirmou o herdeiro no passado, descrevendo o enteado como doce e terno. Foi antes de o escândalo o ter atirado para o centro de todas as polémicas na Noruega, com o julgamento do caso em que é acusado de 38 crimes, entre os quais violência doméstica e violação contra uma das suas ex-companheiras, Nora Haukland, a terminar hoje.
No último dia, o seu advogado de defesa, Petar Sekulic, disse ao tribunal que o seu cliente queria dizer algumas palavras finais antes do encerramento da sessão. Foi então que Marius Borg se dirigiu ao tribunal, visivelmente abatido, em declarações transcritas pelo jornal norueguês 'VG'.
"Esta situação foi, de longe, a mais stressante que já vivi. A pressão dos media de que tenho sido alvo apagou-me como pessoa. Já não sou o Marius, sou um monstro. Sou o alvo do ódio de toda a Noruega", começou por dizer.
"Perdi 98% do meu círculo social. E os poucos que me restaram não se atrevem a sair para jantar comigo nem querem que eu os veja. E sim, estou completamente sozinho. Isto causou-me muito stress. Estou a ser avaliado para possível transtorno de stress pós-traumático. Tenho ansiedade social severa. Tenho depressão profunda", lamentou.
"Estar nos jornais todos os dias, o ano todo, afeta-nos como pessoas. Porque já não sabemos quem somos. Não me reconheço no que escrevem sobre mim. E eu leio todos os dias. É como uma obsessão que eu tenho. Li todos os artigos, li todos os fóruns, li tudo. É incrivelmente difícil. Os meus melhores amigos não me convidam para os aniversários deles porque têm medo de que outros amigos pensem que eles são estúpidos por serem meus amigos", continuou.
"A minha privacidade foi completamente destruída. Nada do que me pertence é privado. Toda a minha vida é do conhecimento público. Mensagens de texto com a minha família, conversas com a minha família, coisas tão íntimas quanto possível, estão nos media. E as pessoas ficam por aí a especular, a acreditar em coisas e a escrever coisas que são simplesmente infundadas", acrescentou o jovem, de 29 anos, que se declarou culpado de alguns dos crimes.
Antes das palavras de Marius, já a Noruega e o mundo tinham ficado colados ao testemunho arrepiante da sua ex-namorada sobre a noite de violência. Segundo a alegada vítima, a discussão começou horas antes num bar em Oslo. A mulher explicou que a relação era conturbada, marcada por ciúmes e violência, e era comum ouvir insultos e ameaças.
Quando voltaram para o apartamento, em Frogner, a altercação continuou no quarto. "Ele agarrou-me pelo pescoço, atirou-me para a cama e estrangulou-me enquanto gritava que eu tinha sido infiel e que eu tinha de lhe dizer com quem é que tinha dormido", relatou, contando de seguida que Marius ter-lhe-á agredido duas vezes na cara com a palma da mão. "Então acabámos do outro lado da cama. Ele estrangulou-me novamente. Essa foi a pior parte porque eu já não conseguia respirar", contou.
Segundo a jovem, o filho da futura rainha da Noruega estava "completamente descontrolado" e gritava sem parar. Partiu um espelho com a mão, arrancou o candeeiro do teto do quarto e destruiu o telemóvel da namorada. A mulher acrescentou ainda que ele pegou numa faca e atirou-a contra a parede.
Já na sala, Marius voltou a agredi-la violentamente, tentou estrangulá-la mais uma vez – agredindo-a novamente no rosto – e arrastou-a pelo chão, segurando-a pelos cabelos. Por fim abandonou o apartamento a gritar que ia "destruir a vida" da namorada. A vítima contactou uma amiga, que chamou a polícia.
O PESADELO E O CORAÇÃO PARTIDO DE UMA MÃE
Se a vida já não estava fácil por causa do escândalo em torno do filho, nas últimas semanas tudo se complicou ainda mais para Mette-Marit, que mergulhou numa espiral depressiva ao ver o seu nome associado ao do pedófilo Jeffrey Epstein, que pôs termo à vida na prisão, mas não cessou a investigação em seu nome, que persiste, identificando dezenas de rostos ilustres, que frequentavam a mansão do magnata, onde este obrigaria raparigas menores a trabalhos sexuais.
A ligação com a mulher do príncipe Haakon foi revelada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que tornou públicos ficheiros que continham dezenas de trocas de mensagens entre os dois, durante perto de quatro anos, sendo que Mette-Marit chegou a hospedar-se na mansão do milionário em Palm Beach. Nas mensagens, que precederiam encontros entre os dois, Mette-Marit diz que Epstein "é charmoso" e identifica, numa outra, Paris como uma "cidade boa para o adultério". Numa terceira mensagem, a futura rainha da Noruega diz mesmo que as "escandinavas dão boas esposas".
Depois de o escândalo ter rebentado, Mette-Marit apressou-se a reagir para assumir as culpas e lamentar o sucedido. "Demonstrei falta de bom senso e lamento profundamente ter tido qualquer contacto com Epstein. É simplesmente constrangedor", fez saber. No entanto, as desculpas parecem não apagar a imensa mancha que se estende sobre a vida da monarca, de 52 anos, que já é apelidada de "princesa triste", depois de uma sequência de acontecimentos que abalou fortemente a sua vida.
A LUTA DOLOROSA DA PRINCESA
As polémicas têm desgastado a princesa e agravado a sua condição de saúde, já de si frágil e, no último Natal, a casa real da Noruega teve mesmo de falar sobre o assunto publicamente: o estado de Mette-Marit estava a agravar-se. A princesa sofre de fibrose quística – doença genética hereditária que causa a produção de muco anormalmente espesso, afetando principalmente os pulmões, obstruindo as vias aéreas, levando a infeções e inflamações recorrentes, tosse, falta de ar e redução da função pulmonar – e que no caso de Mette-Marit está a avançar demasiado rápido comprometendo a absorção de oxigénio.
"Sempre tive esperança de que pudéssemos controlar a doença com medicamentos, e até agora a progressão tinha sido bastante lenta. No entanto, ultimamente tem sido mais rápida do que eu e os médicos esperávamos”, disse Mette-Marit em outubro do ano passado ao canal de televisão norueguesa NRK.
No comunicado é revelado que a "doença provoca cicatrizes nos pulmões, levando à redução da absorção de oxigénio. Neste outono, diversos exames mostraram um declínio evidente na saúde da princesa herdeira. Portanto, os médicos do Rikshospitalet iniciaram os preparativos para avaliar sua elegibilidade para um transplante de pulmão."
“Chegamos ao ponto em que o transplante de pulmão é necessário e estamos a fazer os preparativos necessários para garantir que isso seja possível quando chegar a hora”, explicou o médico que acompanha Mette-Marit, professor Martin Holm, chefe do serviço de Pneumologia do Rikshospitalet. Acrescentou: “Neste momento, nenhuma decisão foi tomada sobre quando é que a princesa será incluída na lista de espera para um transplante de pulmão”.
Desde que a doença de Mette-Marit foi tornada pública que a princesa alternava períodos de um maior resguardo com aparições públicas pontuais, no entanto o comunicado gerou um grande alarme, pois não se sabia que a doença estava tão avançada. O transplante de pulmão é um último recurso para combater a doença, por se tratar de uma cirurgia complexa e que acarreta alguns riscos. No entanto, a família real da Noruega mostra-se confiante e tenta calar as dúvidas com espírito de união numa fase particularmente delicada, em que a coroa sai fragilizada a vários níveis.