A dor que Charlotte Casiraghi não esquece: ficou sem pai quando tinha apenas 4 anos
A filha da princesa Carolina do Mónaco cresceu com uma ausência dolorosa. Tantos anos depois, Charlotte revisita uma das perdas que mais marcou a sua infância... e a sua vida.Stefano Casiraghi morreu em outubro de 1990, num acidente durante uma corrida de barcos ao largo do Mónaco. A filha tinha 4 anos. Foi demasiado cedo para compreender verdadeiramente o que estava a acontecer. Mas a ausência ficou. E, muitos anos depois, Charlotte Casiraghi reconhece que aquela perda esteve ligada às perguntas que começou a fazer sobre a vida e sobre si própria.
“Era muito pequena quando, de repente, alguma coisa desabou”, recordou a filha da princesa Carolina do Mónaco numa entrevista à revista 'Psychologies'. “A morte do meu pai, o luto e a ausência mergulharam-me numa inquietação permanente.” Foi nesse contexto que os livros começaram a ocupar um lugar especial. Não como simples passatempo, mas como uma espécie de companhia.
“Em busca de sentido, encontrei uma forma de apaziguamento nas minhas leituras: os livros tornaram-se meus amigos, os seus autores eram os meus companheiros de viagem”, contou Charlotte Casiraghi acrescentando: “Com eles, sentia-me menos sozinha. Eles também tinham atravessado grandes dores e tinham feito alguma coisa com isso.”
A relação com a literatura acabou por crescer com ela. Hoje, Charlotte Casiraghi continua a recorrer aos livros e à filosofia quando sente necessidade de ganhar distância sobre aquilo que vive. “Ainda hoje, a literatura e a filosofia ajudam-me a suportar as minhas tensões interiores”, confessou. Mas a história não fica apenas pela morte do pai. Charlotte Casiraghi admite que cresceu também sob o peso de uma família, os Grimaldi, conhecida em todo o mundo e com a sensação de estar constantemente a ser observada.
Durante anos, teve medo de falhar. “Vivi com o medo de entregar uma má cópia, com a vontade de responder às exigências”, revelou. Chegou mesmo a sentir que precisava de provar o seu valor para ter “a sensação de existir”. Foi preciso tempo para se libertar dessa necessidade de corresponder às expectativas dos outros. E, sobretudo, para se permitir escrever.
A publicação de 'La Fêlure' representa precisamente esse passo. Charlotte Casiraghi fala de fragilidade, perda e medo, mas também da dificuldade que sentiu em assumir a sua própria voz. “Demorei imenso tempo a sentir-me legítima”, admitiu. O nome e a família continuam a pesar na forma como é vista. “Pensava que, fizesse o que fizesse, iriam sempre remeter-me para o lugar de onde venho e reduzir-me aos meus privilégios”, explicou. Privilégios que reconhece, mas que, como sublinha, “não impedem as fissuras”.
Escrever acabou por ser a forma encontrada para contrariar esse peso. “A criação era uma maneira de lutar contra essa angústia, para que a morte não tivesse a última palavra”, afirmou.