Jorge Palma, o eterno 'bon vivant': os excessos, a paixão pela música e a relação com o álcool que marcou a sua vida
O músico, que morreu esta segunda-feira, dia 21, aos 76 anos, deixa uma obra incontornável na música portuguesa. Mas, para lá do talento e das canções que atravessaram gerações, Jorge Palma construiu também uma imagem de 'bon vivant', marcada por uma vida boémia e por uma relação com o álcool que se tornou indissociável da sua figura.O País acordou com a triste notícia da morte de Jorge Palma, esta segunda-feira, aos 76 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória. O músico, considerado um dos maiores artistas da sua geração, deixa um legado incontornável na música portuguesa, fruto de uma vida plena de música, talento e alguns conhecidos excessos.
Foi depois de compôr o seu primeiro álbum, 'Com Uma Viagem na Palma da Mão', em 1975, que Jorge Palma teve o primeiro contacto com as drogas.
"Heroína, cocaína, morfina, mezcalina... as ‘inas’ todas. Experimentei tudo. Ou quase tudo", contou o músico ao 'Sol'. Este consumo de estupefacientes levou-o contrair hepatite C, mas a morte de um amigo por overdose fê-lo reconsiderar. "Felizmente, durou só uns meses e precisava me libertar do grupo que consumia, pegar na guitarra e ir por aí", recordou também, à 'Mensagem de Lisboa'.
Mas foi a sua conhecida relação com o álcool, vício que começou na adolescência - "para fazer parte do grupo" - que se tornou indissociável da sua imagem, alimentando a faceta boémia e irreverente que também marcou a sua vida e carreira.
Em 2011, admitiu publicamente ser um "alcoólico para a vida", vício que começou na adolescência, que acabou por prejudicar algumas das suas atuações, como o próprio reconheceu, e que, mais tarde na sua vida, o levou a consultar ajuda especializada.
Conseguiu ultrapassá-lo com a ajuda de uma estrutura do Estado, a Unidade de Alcoologia de Lisboa, revelando ter conseguido deixar de beber definitivamente em 2013.
Sobre os tempos mais conturbados, contou: "Havia pessoas que já me evitavam. Por outro lado, agora sou eu que fujo de algumas pessoas [risos], não tenho pachorra para bêbados, para aquela conversa".
O único vício que não conseguiu largar foi o do tabaco, que, numa das últimas entrevistas em vida, afirmou temer que fosse acabar por "estragar" tudo.