A Villa Certosa, na ilha da Sardenha, foi comprada por um membro da família que governa há mais de 150 anos o Qatar, a pequena Nação árabe do Médio Oriente Médio, por 350 milhões de euros. Só que não se trata de uma propriedade qualquer, Certosa foi o local onde decorreram festas marcadas pelas polémicas orgias do ex-primeiro-ministro italiano Sílvio Berlusconi, em especial com menores, mas também alguns importantes encontros diplomáticos mundiais durante a governação do político italiano.
O novo dono é Hamad bin Jassim bin Jabr Al Thani, ex-primeiro-ministro e ex-ministro das Relações Exteriores do Catar, segundo avança o jornal italiano 'La Repubblica', que compra o imóvel dois anos após a família de Berlusconi ter colocado a propriedade à venda, encerrando assim um capítulo simbólico do legado político, empresarial e pessoal de uma das figuras mais influentes e polémicas da Itália contemporânea.
Localizada na Costa Esmeralda, com vista para o Golfo de Marinella, a Villa Certosa funcionou por anos como uma espécie de corte de verão informal de Berlusconi enquanto esteve no poder. A propriedade recebeu líderes mundiais, empresários e convidados de destaque, entre eles o então presidente americano George W. Bush e também o presidente russo Vladimir Putin.
A propriedade tem 68 quartos, uma lagoa, um anfiteatro em estilo grego e ocupa mais de 4 mil metros quadrados de área. Um dos elementos mais misteriosos desta villa é um túnel secreto, acessível apenas por barco, que levava os visitantes por via marítima a uma caverna antes da subida por elevador até a mansão no alto da colina.
Apesar do luxo e do histórico de encontros diplomáticos, a residência ficou associada na imprensa internacional ao universo de escândalos que marcou Berlusconi, incluindo as chamadas festas “bunga-bunga”. Esses eventos privados estiveram no centro de um processo judicial relacionado com acusações de prostituição de menores, corrupção e abuso de poder.
Segundo informações divulgadas, a compra foi efetuada através de um veículo de investimento sediado no Luxemburgo e ligado à família Al Thani, dinastia que governa o Qatar há mais de 150 anos. A aquisição amplia a presença da família real catariana na Sardenha, onde já tem investimentos em turismo de luxo e no hospital Mater Olbia, uma das principais unidades privadas de saúde da ilha.